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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Nem só de juros se fecham empresas

O noticiário econômico e ainda o político tem trazido o debate acerca da taxa de juros praticada no país. Como no Brasil os temas se confundem, com um influenciando o outro, debatem juntos o assunto. Realidades das mais diversas se misturam, orbitando o tema, e dentre elas o fechamento de empresas e a inviabilidade de negócios operarem.
Sabemos que a taxa de juros brasileira está entre as mais altas, inclusive o juro real, que leva em consideração o desconto da inflação. Quando o Banco Central eleva ou mantém os juros altos, o objetivo principal é conter a inflação, encarecendo o crédito para desestimular o consumo excessivo. Porém, para os setores produtivos os impactos são relevantes. Com o acesso mais caro, investimentos são afetados e muitas vezes a expansão é comprometida, pois algumas atividades possuem projetos de longo prazo.
O impacto no consumidor se dá pelo aumento de preços e também pelo custo de empréstimos. Financiamentos com taxas de juros elevadas impedem a obtenção de recursos, bem como desestabilizam o fluxo financeiro dos lares, que tendem a se endividar.
É claro que juros elevados causam danos tremendos para a sociedade em geral, não podemos negar. Mas precisamos refletir sobre a má gestão financeira de muitos negócios e pessoas. Em alguns casos, elas têm em comum a dificuldade em projetar fluxos de caixa, reduzir ou incrementar despesas, e nas empresas em especial acontece com frequência a “confusão entre contas”, ou seja, os gestores utilizarem o caixa da empresa para fins pessoais, sem controle do que pertence à empresa e ao que seja, de fato, do sócio.
“Quanto mais se ganha, mais se gasta”, é uma máxima que ouvimos desde cedo. E é verdade em muitas situações. Nas empresas, o aumento repentino de receita pode provocar de forma imediata a ampliação de custos fixos, investimentos bruscos e retiradas para os sócios, como um prêmio. Porém é necessária a reflexão sobre a variabilidade do faturamento de um negócio, e daí especialistas aconselham aproveitar a fase de bonança para criar um fundo capaz de segurar a empresa em momentos de crise.
Para as famílias, aumentos de renda ou rendas extras podem criar a ilusão de que o padrão de vida precisa, também, subir, sem a consciência da importância de se ter uma reserva financeira, que, assim como para as empresas, pode ser um escudo em momentos de emergência.
Em suma, este texto não pretende culpar famílias e empresários por seus fracassos; quer, ao contrário, provocar uma reflexão: muitas vezes, é mais fácil e cômodo responsabilizar exclusivamente a taxa de juros do que admitir falhas na própria forma de gerir o dinheiro.

Eustáquio Pereira

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