Vivemos uma semana em que o país vai escolher seu rumo. É natural que muita gente chegue a ela cansada, depois de meses de propaganda, discussão e divisão. Mas, passado o domingo, o que fica não é a disputa, mas as decisões que vão afetar as famílias brasileiras.
Uma regra que muda, um orçamento que diminui, um crédito que encarece. Tudo isso parece distante da rotina do trabalhador, mas tem efeito direto sobre ela. Quando o crédito fica mais caro, a prestação sobe e a família adia o apartamento. Quando falta previsibilidade, a empresa segura a contratação. Quando o investimento não acontece, a oportunidade de emprego também não.
É desse lugar que falo como empresário, depois de mais de quinze anos empreendendo na Serra. O que um empresário sério espera não é favor, mas segurança para investir, previsibilidade para planejar e condições para contratar e crescer. Quem inicia uma obra que levará anos precisa acreditar que encontrará, no futuro, regras minimamente estáveis para concluir aquilo que começou. A construção civil talvez seja um dos melhores exemplos de como decisões econômicas chegam à vida real. Quando uma família recebe as chaves do primeiro apartamento, existe uma grande engrenagem por trás daquele momento.
Há o FGTS, o financiamento, o banco, a licença da prefeitura, o terreno, o projeto e a empresa que assume o risco da obra. Depois vêm os trabalhadores do canteiro, os fornecedores, o comércio e toda uma cadeia que se movimenta até a entrega da chave.
É justamente por isso que empresas e políticas públicas precisam apontar para a mesma direção. Não se trata de empresa a serviço do governo, nem de governo a serviço da empresa. Cada um tem seu papel. Ao poder público cabe estabelecer regras claras, definir prioridades e criar condições para o investimento. À iniciativa privada cabe assumir riscos, transformar projetos em obras, gerar empregos e entregar resultados.
Quando essa engrenagem funciona, todos ganham. Quando trava, a consequência também chega à ponta: à empresa que deixa de investir, ao trabalhador que deixa de ser contratado e à família que continua esperando pela casa própria. Em Teresópolis, esse entendimento passa por questões muito concretas: a licença que sai em prazo razoável, o plano diretor que diz onde a cidade pode crescer, a infraestrutura que chega antes do bairro e o diálogo permanente entre entidades, empresários e poder público.
É o mesmo princípio que pode ajudar a cidade a enfrentar desafios como moradia, emprego, turismo e mobilidade.
Mas essa discussão não termina na empresa nem na obra. Ela chega à família. Escrevo como empresário, mas também como pai. Quero que meus filhos possam construir a vida deles aqui, com trabalho, oportunidade e a possibilidade de realizar seus projetos. Quero o mesmo para os filhos de quem trabalha comigo e para cada família que busca uma vida melhor.
O país que quero para as próximas gerações não é um projeto de partido. É um lugar onde a regra vale para todos, onde quem investe encontra segurança para acreditar no futuro e onde o trabalho permite construir uma vida digna. A disputa passa. O que permanece são as decisões que tomamos e o país que construímos a partir delas.
Rogério Branco é CEO da Gênesis Empreendimentos.