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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Resedás, muita chuva e os grandes edifícios

As pancadas de chuva dos últimos dias deixaram ainda mais bonitos os três exemplares de Resedá (Lagerstroemia indica) plantados em frente à sede do jornal O Diário, na Rua Carmela Dutra, em Agriões. São dois rosas e um branco, que no balançar da gelada ventania ainda deixam suas flores pela passagem, um tipo de poesia urbana em uma cidade que ainda resiste às ‘intempéries antrópicas de tempos modernos’.

Estão no meu campo de visão todos os dias, do começo ao fim do expediente. Passo por eles quando chego e quando saio. Os vejo da janela ao lado da estação de trabalho, mas nem sempre os enxergo. A correria do dia a dia pode deixar turvo o que precisa ser claro. “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”, diz José Saramago no livro Ensaio sobre a Cegueira.

E por aí, nesses dias onde as nuvens cinzas parecem querer esconder o que ainda pode ser visto nessa terra de Teresa, o que você tem reparado de diferente? Como diz Henry Thoreau em Walden: “…embora esteja frio, nublado e ventoso, e não veja nada de especial a me atrair, todos os elementos me são extraordinariamente afins…”.

Chuva, frente fria, clima de outono em pleno verão… E é bom. Alivia o calorão e, e dependendo de como se olha para o mundo, também aquece o coração. Não repare apenas nos Resedás. Tente abrir os olhos para tudo que está à sua volta. Sinta, viva, participe. Seja flor enquanto é possível. Seja luz onde há escuridão.

Grandes edifícios podem esconder a beleza cênica, mas muros internos podem sombrear muito mais o que precisa ser sentido e mostrado. Nesses dias onde o céu azul se esconde atrás de um majestoso tapete em tons de ardósia, é preciso ainda ficar atento ao que parece querer se mostrar entre essas mesmas nuvens. Em tempos de redes sociais e interesses políticos, o que às vezes pode parecer um raiar de sol nada mais é do que o chamado ‘ouro de tolo’, apresentado justamente por aqueles que tentam se aproveitar da escuridão para supostamente iluminar um caminho – que na verdade vai atender apenas a essas pessoas e seus grupos políticos, ignorando Resedás, Ipês, Jacanrandás ou qualquer outra ‘espécie’ que não ‘harmonize’ com os seus interesses.

Até a próxima.

Marcello Medeiros

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