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Stalking: gênero e deleite no sofrimento

Nesta semana foi noticiada a prisão de um homem que praticava stalking contra uma ex-companheira. O stalking consiste na perseguição reiterada e obsessiva, na afronta à alteridade e privacidade de um outro. Tanto homens quanto mulheres atuam neste delito, e ambos padecem do mesmo fim: o adoecimento e a punição.
O ponto central da prática do stalking é a obsessão e a necessidade de estar sob controle da vida de alguém. Alguns estudos confirmam que mulheres são mais criativas e pacientes, enquanto homens são mais inconsequentes e agressivos. Este assunto pertence tanto à criminologia forense quanto a psicologia.
A ligação ao crime tem a ver com a invasão da privacidade alheia, e a sua perturbação de intimidade, dentre outros. Para a psicologia o estudo do comportamento obsessivo e da pulsão de morte, tema este mais natural à psicanálise.
Stalkear alguém pode parecer normal para quem pratica. Seja orbitando redes sociais, quanto vigiar o trabalho, a casa, a rotina social, em geral. Este adoecimento chega a níveis de incluir pessoas próximas na dinâmica, causando prejuízos relacionais dos mais diversos níveis. Porém a punição diária com o próprio aniquilamento, aliado a uma grande probabilidade de delitos (como o caso da prisão ocorrida) são pontos que não são levados em conta.
Ainda por trás do stalking está a dificuldade de aceitar a perda da relevância. Deixar de ser relevante para alguém é doloroso, é um processo que somente um luto bem elaborado pode fazer retomar a vida, normalmente. São poucos os que lidam de forma saudável e madura com a rejeição, com a perda de relevância: um bom número precisa passar por momentos maiores, enquanto uma outra parcela cai nas garras da obsessão orgulhosa.
Para os homens o stalking amplia ainda mais a punição, tendo em vista o atual cenário jurídico, com as figuras do feminicídio e o discurso misógino. Como homens estatisticamente são mais inconsequentes e agressivos, a “comorbidade” de delitos pode soar ainda mais pesada a pena.
Imaginar o stalking somente como um crime é rebaixar a subjetividade do ser humano a um conteúdo meramente animalesco. É perturbador ser perseguido, tolhido de privacidade, além do medo; e vergonhoso olhar para trás e ver-se humilhado por não conseguir dar tempo ao tempo.

Eustáquio Pereira

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