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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Abertura da trilha da Pedra do Sino completa 185 anos

Caminho mais antigo da Serra dos Órgãos foi ideia de um botânico, interessado em conhecer melhor nossas riquezas

Teresópolis tem o título de Capital Nacional do Montanhismo não é à toa, mas destacar as formações rochosas do município e região não é o suficiente para justificar a nossa fama mundo afora. Para quem conhece um pouco da história desse esporte, sabe que também somos referência nesse quesito. A conquista do Dedo de Deus, por exemplo, em 08 de abril de 1912, é vista como um marco para a escalada brasileira. Mas, 71 anos antes do feito de José Teixeira e companheiros, outra empreitada marcou o início do montanhismo na Serra dos Órgãos: o desbravamento da Pedra do Sino. A trilha mais conhecida do Parque Nacional da Serra dos Órgãos foi aberta em abril de 1841 a mando do botânico inglês George Gardner, interessado em explorar nossa flora. Hoje, o parque federal é referência em pesquisas e o caminho aberto com a intenção de explorar a floresta é o mais frequentado da cadeia.

A primeira grande proeza na história do montanhismo na região completou 185 anos nesta sexta-feira, dia 10.
Depois de vencer a mata virgem, cabendo o trabalho pesado a cerca de 100 escravos do colonizador George March, Gardner chegou aos 2.255m de altitude, que, só depois, descobriram ser o ponto mais alto da cadeia de montanhas que encantava o mundo. Muitos anos depois, outra época marcou o Sino. Quatro abrigos foram construídos ao longo dos 11,5 quilômetros e a trilha bem aberta, de acesso muito mais fácil do que nos dias de hoje. Tanto que houve um tempo que se chegava ao cume a cavalo.

Lembrança dos antigos abrigos 1, 2, 3 e 4. Do primeiro, a única referência é a caverna antes do Véu de Noiva. Do segundo, apenas um cano de ferro no meio da trilha, pouco acima da mesma cachoeira é referência. Do terceiro, que aparece na imagem em ruínas (foto do acervo de Victor Vieira), nada sobrou. O quarto também foi destruído e reconstruído no início dos anos 2000, atualmente em forma de chalé

Os abrigos foram desaparecendo aos poucos. Hoje há apenas um chalé quase no cume, construído no início dos anos 2000, e dos outros apenas resquícios, a trilha foi ficando bem mais fechada e o número de frequentadores aumentou bastante. Tanto que há aproximadamente 15 anos a administração do parque precisou limitar o número de visitantes por dia. No ponto mais alto da Serra dos Órgãos, a vista é deslumbrante para qualquer lado que se olhe. O fantástico Vale da Morte, a Baía de Guanabara, Teresópolis, Petrópolis… De cima, outras montanhas da cadeia, como Garrafão, Dedo de Deus, Escalavrado, Dedo de Nossa Senhora, Nariz e Verruga do Frade… É fácil ficar horas encantado com as belezas e o clima desse local.

Para chegar ao marco zero, que marca o ponto mais alto, se faz uma caminhada de aproximadamente quatro horas. Porém, o tempo de subida pode variar bastante, de acordo com o peso da mochila e preparo físico da pessoa. Para quem nunca esteve lá, a dica é subir à noite e descer durante o dia. Duas impressões totalmente diferentes do trajeto. Subir admirando as luzes da cidade… Descer contemplando, fauna, flora e beleza cênica única. Porém, principalmente à noite, a presença de alguém que conheça o caminho é indispensável. De extrema importância também é nunca pegar atalhos. O caminho que parece mais curto geralmente é mais íngreme, e, pior, passar por ele causa danos quase que irreparáveis a trilha.

No topo da Serra dos Órgãos, olhando em direção ao ‘mundo de montanhas’ dessa cadeia maravilhosa

Conheça, preserve
Por experiência própria, posso dizer que chegar ao cume da Pedra do Sino é uma sensação que deveria ser experimentada por todo teresopolitano. Sentir e ver de perto o que atrai gente do mundo inteiro. Eu, que já estive em praticamente todos os cumes da Serra dos Órgãos, não consigo deixar de pernoitar, pelo menos uma vez por ano, no ponto mais alto da cadeia. Aliás, vem daí o nome. O “sino”, na verdade, é cimo, de cume. Para saber mais sobre o passeio, vale acessar o site do Parque Nacional www.icmbio.gov.br/parnaso

Entrando no Campo das Antas, indicativo que o a montanha (ao fundo) já está quase sendo alcançada
Lembrança dos antigos abrigos 1, 2, 3 e 4. Do primeiro, a única referência é a caverna antes do Véu de Noiva. Do segundo, apenas um cano de ferro no meio da trilha, pouco acima da mesma cachoeira é referência. Do terceiro, que aparece na imagem em ruínas (foto do acervo de Victor Vieira), nada sobrou. O quarto também foi destruído e reconstruído no início dos anos 2000, atualmente em forma de chalé
Teresópolis 11/04/2026
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