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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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12 de Janeiro, da Tragédia ao esquecimento

Obras não foram feitas, locais reocupados e até a data correta é ignorada pelo governo municipal

Marcello Medeiros

Treze anos já se passaram, mas para quem viveu a maior tragédia natural do país, em 12 de janeiro de 2011, parece que foi ontem. Na manhã daquele dia, os moradores de Teresópolis, Nova Friburgo, São José do Vale do Rio Preto e do Vale do Cuiabá, em Petrópolis, viram o clarear revelando situações nunca imaginadas – mesmo para municípios onde no período chuvoso são “comuns” alagamentos e deslizamentos de terra. Mas o que houve naquela madrugada foi diferente. O volume absurdo de chuva, de aproximadamente 250 milímetros, causou escorregamentos de terra e alagamentos com proporções nunca vistas na Região Serrana do Rio de Janeiro. Em Teresópolis, bairros como Campo Grande, Posse e Cascata do Imbuí viram centenas de imóveis desaparecem em meio à enxurrada e montanhas de lama. Mas, tanto tempo depois, parece que não aprendemos muito. Diversas áreas de elevado risco voltaram a ser ocupadas, aquelas mesmas onde pessoas perderam a vida em 2011, obras consideradas essenciais não foram concluídas ou sequer iniciadas e muitas pessoas sequer conseguiram um lugar para chamar de lar novamente. Nesta quinta, o governo estadual anunciou a finalização da licitação para a construção de mais 500 apartamentos na Fazenda Ermitage, bairro que foi criado justamente para atender às famílias afetadas pela Tragédia, reforçando que mais de três décadas depois ainda há pessoas na fila de espera.

Eternizando o erro
Não bastasse a falta de comprometimento do poder público, em diversas esferas e por diferentes gestores, ao longo dos últimos 13 anos, atualmente nem o governo municipal tem respeitado a data correta do evento climático. Apesar de ter começado a chover no final da noite do dia 11 de janeiro, somente na madrugada seguinte os grandes eventos catastróficos ocorreram, sem esquecer que foi na manhã do dia 12, vale frisar, que a Tragédia se revelou. Além desse importante fato, registrado pelo Diário e outros órgãos de comunicação de todo o mundo à época, a própria AVIT – Associação das Vítimas das Chuvas de 2011, sempre utilizou o dia 12 para realizar eventos marcando mais um ano da catástrofe. Então, é inaceitável que um órgão como a prefeitura ajude a eternizar uma data errada, ajudando a apagar ainda mais uma história que não pode ser esquecida. Ainda sobre a falta de preocupação com a data correta, o governo estadual também divulgou material sobre o tema no dia 11. Nesse caso, é mais compreensível pelo fato de assessores e outros funcionários dessa esfera de governo não residirem no município.

O Diário vem acompanhando o drama dos teresopolitanos desde aquela madrugada, sempre buscando solucionar problemas ignorados pelo poder público. Foto: Marcello Medeiros/Diário

Barragem e parque só no papel
Entre tantas promessas nunca realizadas, as duas principais ficam ao longo da Estrada José Correia da Silva Júnior. Para os bairros da Posse e Cascata do Imbuí, foi prometido um parque fluvial, construído às margens do Córrego dos Príncipes, que impediria a construção de novas moradias nas proximidades do curso d´água e serviria como área de lazer para os sobreviventes nessas comunidades. Não muito longe dali, a maior obra estrutural prevista – a construção de uma barragem de contenção de cheias em Campo Grande, que ocuparia toda a parte final do bairro e ficaria responsável por controlar um possível novo volume absurdo de chuvas, que poderia arrastar pedras e árvores, como em 2011. Foram feitas marcações e divulgados projetos, mas assim como o parque fluvial, ficou só no papel. No sentido totalmente contrário, imóveis que mesmo interditados não chegaram a ser demolidos voltaram a ser ocupados, alheio ao risco de uma nova madrugada de terror e mortes. Será necessário um novo 12 de janeiro para que algo efetivamente seja feito? Tomara que não, pois entre egos e irresponsabilidades políticas há dezenas de inocentes que, cansados de esperar pelas ações daqueles que mensalmente estão em uma folha de pagamento bem gorda, têm que dar um jeito para continuar sobrevivendo em regiões onde as oportunidades parecem cada vez mais raras.

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Edição 22/02/2024
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