Marcello Medeiros
Na sessão ordinária desta quinta-feira (20), a Câmara Municipal aprovou, por unanimidade, um pedido de informações ao governo municipal em relação às obras realizadas pela Águas da Imperatriz em Teresópolis nos últimos meses. O requerimento de número 26/2026 visa esclarecer se o trabalho segue exatamente o cronograma previsto no contrato com a concessionária com o município, além de possíveis ações de fiscalização e notificações ou multa em casos onde possam ter ocorrido situações de desrespeito a questões ambientais ou problemas gerados pela falta de qualidade na realização de serviços, por exemplo. O documento, assinado pelo vereador Marcos Rangel (PP), pede que o governo municipal indique quais secretarias ou servidores são responsáveis pela fiscalização do que vem sendo feito no município, que segundo ele não pode ficar apenas sob a fiscalização da Agenersa. Rangel também questionou o que chamou de ‘sumiço’ da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro, indicando que a responsável, e remunerada para isso, só esteve em Teresópolis uma única vez.
“A gente entende que se precisa abrir uma vala, um buraco, fazer uma interdição, mas entende também que após o serviço não pode ter recorrência, não pode ficar fazendo a mesma obra toda hora. Na última chuva forte, o que mais vimos na cidade foi afundamento de solo onde teve obras da Águas. E não adianta colocar culpa na empresa terceirizada, pois isso não é problema do município. Se a que está não tem competência, que contratem uma com capacidade técnica. E a Agenersa não vê isso. Nem aqui pegar o dinheiro vem, pois vai direto na conta dela, para gente que usa carros blindados, tem alto salário e nada faz. Só estiveram em Teresópolis uma vez, naquele problema das mangueiras pretas do Meudon. Tem muita coisa pra ver. Se estão fazendo obra dentro do rio, por exemplo, isso é área de preservação permanente. Será que pagaram alguma compensação ambiental? Se teve, como foi aplicado?”, questionou Rangel.
Igor Faraco (Agir) citou que, no início das obras, o planejamento do que seria feito já havia sido cobrada e a Câmara havia recebido resposta genérica. “No último pedido que fiz, no início das obras, pouco esclareceram. Falta planejamento e uma comunicação mais clara. O teresopolitano vai dormir e quando acorda tem um buraco no portão da garagem”, pontuou. “Cinco meses atrás batemos aqui que estavam detonando a cidade, falaram que o Meio Ambiente fiscalizava a Águas aqui. Mas será que eles têm essa competência, que olham recapeamento? Acho que é um braço dentro da secretaria que só vê uma coisa ou outra”, completou Paulinho Nogueira (PL).
Em nota encaminhada ao Diário, a concessionária informou não ter sido acionada em relação ao questionamento feito na Câmara nesta quinta-feira: “A Águas da Imperatriz informa que, até o momento, não foi notificada pela Câmara de Vereadores sobre o requerimento referente às obras de implantação do sistema de esgotamento sanitário e de modernização do abastecimento de água”.
Dois anos e meio de obras
Em janeiro, a concessionária divulgou balanço sobre os dois primeiros anos de trabalhos realizados em Teresópolis, citando “avanços expressivos nos sistemas de abastecimento de água e implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário no município” e que, “ao longo desse período, mais de R$ 78 milhões foram investidos em obras de modernização, ampliação e melhorias da infraestrutura, reafirmando o compromisso com a saúde pública, qualidade de vida da população e o desenvolvimento sustentável da cidade”. No sistema de abastecimento de água, foram investidos mais de R$ 31 milhões nos últimos dois anos. Os recursos possibilitaram a ampliação e a modernização da rede de água, com a implantação de 13 quilômetros de novas tubulações e a substituição de mais de 12 quilômetros de redes antigas.



