Maria Eduarda Maia
A violência contra a mulher ainda é uma realidade presente e, muitas vezes, invisível em nosso cotidiano. Mais do que números em estatísticas, cada caso representa uma realidade cruel e dolorosa, que deixa marcas profundas nas vítimas, podendo ser físicas, emocionais e psicológicas. Situações de abuso podem acontecer em casa, no trabalho ou em espaços públicos, e muitas vezes começam de forma silenciosa, com atitudes de controle ou violência psicológica, evoluindo para agressões mais graves. Diante desse cenário, orientar, informar e dar ferramentas de proteção às mulheres é essencial. Com esse objetivo, nasceu a ideia de criar uma cartilha, em parceria com o Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso), para ajudar as mulheres a reconhecerem sinais de violência, entender seus direitos e buscar ajuda de forma segura.

“O projeto surgiu a partir de dez anos de trabalho na Patrulha Maria da Penha, que antes se chamava Guardiões da Vida. A gente percebeu que muitas vítimas eram revitimizadas e não entendiam bem o que estavam vivendo, precisando de um guia seguro e completo para buscar ajuda.”, explicou a idealizadora e autora da cartilha, Sargento Giselle, do 30º Batalhão de Polícia Militar, em entrevista ao Diário.
O material, disponível gratuitamente na internet, reúne, por exemplo, um espaço para registro da própria história, evitando que a mulher precise repetir os relatos; informações sobre agendamentos e contatos de ajuda; explicações sobre como a violência começa; sinais de relacionamento abusivo; e orientações de diferentes formas de pedir ajuda.
Violência psicológica
Nem toda violência deixa marcas visíveis, sendo de extrema importância alertar que a violência psicológica existe, muitas vezes antecede a agressão física, como explica a Sargento Ellen, colaboradora do projeto. “Esse tipo de violência diminui a autoestima da mulher, descredibiliza e desacredita seus ideais, deixando um ponto de interrogação na cabeça dela”, explica, destacando que hoje existe uma lei própria que ajuda a identificar essa violência, algo que antes era difícil de colocar no papel.

Ellen ainda explica que a violência física raramente ocorre sozinha, geralmente vindo acompanhada de outras formas de violência. “É raro uma mulher vivenciar apenas a violência física sem ter sofrido antes psicológica ou emocionalmente. Então a cartilha, que conta com um cronograma explicado, layout moderno e de fácil entendimento, ajuda as mulheres a identificarem melhor quando estão sofrendo algumas dessas violências”, ressaltou a sargento do 30ºBPM.
Atendimento especializado e denúncia
Além da cartilha, a Patrulha Maria da Penha oferece atendimento em diferentes pontos, como a Sala Lilás, delegacias e pelo telefone funcional da patrulha, garantindo acolhimento direto com policiais femininas. “Temos quatro guarnições, sempre compostos por uma policial feminina, porque é mais fácil a identificação da mulher com essa policial. Além disso, contamos com nosso telefone funcional, que fica direto com a patrulha, para aquelas mulheres que não querem falar no 190 e preferem contato direto”, pontua Ellen.

Ainda segundo a sargento, a denúncia é o pontapé inicial da liberação para a mulher. “Uma mulher vivendo violência doméstica está em um cativeiro e, ao denunciar, conseguimos encaminhá-la para órgãos de apoio, orientar e acompanhar de forma segura, ajudando-as a voltar a viver e não só sobreviver”, concluiu a Sargento.

Tecnologia como aliada
Segundo a Sargento Giselle, hoje, a tecnologia é uma grande aliada nesse apoio às mulheres vítimas de violência a acessar informações, registrar ocorrências e solicitar proteção de forma rápida e segura. “Na cartilha, explicamos o uso do aplicativo ‘Rede de Mulher’, por exemplo, que permite fazer boletim de ocorrência e solicitar medidas protetivas online, sem precisar ir presencialmente a uma delegacia, evitando confrontos com o agressor ou situações constrangedoras.”
Como adquirir
A cartilha está disponível online para download gratuitamente pelo link https://www.unifeso.edu.br/editora/conteudo-pdf.php?pdf=209&c=series . “Também estamos fazendo esforços para lançar também uma versão física do material”, concluiu a autora da obra.





