Cadastre-se gratuitamente e leia
O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
em seu dispositivo preferido

Centro de Pesquisa do Iconha recebe investimentos e impulsiona estudos ambientais em Teresópolis

Área no Parque Montanhas se destaca em ações de conservação e produção de conhecimento ambiental na região

Maria Eduarda Maia

Teresópolis se destaca por suas amplas áreas protegidas e pela relevância ambiental não só a nível regional, mas também nacional. Nesse contexto, o Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis (PNMMT) se consolida como uma das principais unidades de conservação do município, reunindo ações de preservação da Mata Atlântica, educação ambiental e pesquisa científica. Com mais de 5,3 mil hectares, o parque abriga uma rica biodiversidade e vem se fortalecendo como um importante espaço de produção de conhecimento ambiental. “A pesquisa científica é uma prioridade na nossa gestão. Hoje, contamos com uma área destinada à criação de um centro de pesquisa dentro do Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis, localizada na região da Iconha”, disse o secretário de Meio Ambiente, Leonardo Maia, em entrevista ao Diário.

Representantes do Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis, a bióloga responsável pelas pesquisas, Shayeny Machado, e o chefe do parque, Paulo Bandeira, explicam sobre as câmeras de monitoramento e qual a importância dos equipamentos. Foto: Maria Eduarda Maia / O Diário

Segundo ele, o espaço ainda não possui a estrutura adequada para que os pesquisadores permaneçam no local desenvolvendo seus estudos, sendo de suma importância o investimento que está sendo aplicado na Inconha. “Não há laboratórios nem condições ideais para os trabalhos. Pensando nisso, desenvolvemos um projeto técnico junto ao Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (FECAM), ao Governo do Estado e ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea)”, explicou Maia.
O projeto foi aprovado, com um investimento na ordem de R$ 3 milhões, estando agora na fase de licitação. “O objetivo é transformar esse espaço em uma referência nacional em pesquisa científica.”, pontuou o secretário, frisando a importância de contar com profissionais capacitados em uma área tão extensa e com um espaço adequado para pesquisa. “O futuro centro de pesquisa na Inconha será essencial nesse processo”, concluiu.

Um dos principais instrumentos de pesquisa no PNMMT é o uso de câmeras-trap, uma tecnologia essencial para o monitoramento da fauna silvestre sem interferência humana direta. Fotos: Divulgação / PNMMT

Importante ferramenta
O Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis é, sem dúvida, uma ferramenta fundamental dentro de todo esse contexto de pesquisa científica e monitoramento ambiental. E, mesmo com o projeto em andamento para o complexo na Inconha, os trabalhos já estão sendo realizados. “O trabalho de pesquisa desenvolvido no parque ainda pode, e deve, ser ampliado. Apesar de já contarmos com cerca de dez pesquisas, a ideia é atrair ainda mais pesquisadores”, explicou o chefe do parque, Paulo Sergio Bandeira.
Ainda segundo o responsável, a pesquisa científica é a principal ferramenta para auxiliar na gestão do parque, especialmente na gestão territorial da unidade de conservação. “Por meio dessas pesquisas, é possível identificar necessidades de manejo e tomar decisões mais adequadas para a preservação do ambiente natural.”, pontuou, destacando que, além de gerar conhecimento, a ciência também contribui diretamente para a proteção da biodiversidade.

Câmeras de monitoramento
Um dos principais instrumentos de pesquisa no PNMMT é o uso de câmeras-trap, uma tecnologia essencial para o monitoramento da fauna silvestre sem interferência humana direta. Segundo Bandeira, o objetivo do trabalho, que é conduzido pelo setor de Pesquisa e Biodiversidade do parque, é identificar e catalogar as espécies que circulam pela unidade de conservação. “A partir desse monitoramento, entender os hábitos das espécies e, principalmente, orientar ações de manejo e conservação mais eficazes”, explicou.
Na prática, o parque conta atualmente com 12 câmeras instaladas em uma área de aproximadamente 5.335 hectares. Recentemente, foram incorporadas cinco novas câmeras, fornecidas pela Secretaria Estadual de Ambiente e Sustentabilidade (SEAS), que realiza um levantamento da biodiversidade em todo o estado do Rio de Janeiro. “Essas câmeras são posicionadas em pontos estratégicos e permanecem instaladas entre 30 e 60 dias. Após esse período, as imagens são analisadas cuidadosamente: é feita a identificação das espécies, verificação de recorrência e registro dos dados”, explicou a bióloga responsável pelas pesquisas, Shayeny Machado.
É importante destacar que o trabalho vai muito além de capturar belas imagens. Cada registro faz parte de um estudo detalhado, que avalia a presença, frequência e comportamento das espécies. “O monitoramento é contínuo e dinâmico: as câmeras são realocadas periodicamente para ampliar a compreensão sobre a distribuição da fauna no território”, completou a bióloga.

O objetivo do trabalho de monitoramento, que é conduzido pelo setor de Pesquisa e Biodiversidade do parque, é identificar e catalogar as espécies que circulam pela unidade de conservação. Foto: Divulgação / PNMMT

Espécies registradas
Segundo o monitoramento, o parque já conseguiu registrar um número expressivo de espécies. “No último ano, foram identificadas 38 espécies, incluindo mamíferos de pequeno e grande porte, répteis, aves e até animais domésticos, o que também faz parte da realidade de unidades de conservação”, informou a bióloga. Entre os registros mais marcantes, destacam-se o gato-mourisco, espécie considerada vulnerável, de acordo com o ICMBio, e o gato-do-mato-pequeno, que também enfrenta risco de extinção. Outro dado relevante foi o registro de grandes felinos em diferentes pontos do parque, como na região do centro de pesquisa da Iconha, na Ventania e na sede da unidade. “Foram identificados registros de onça-parda, possivelmente de três indivíduos diferentes, o que indica um ecossistema saudável e equilibrado”, contou Shayeny.

Mais sobre o projeto da Inconha
O projeto prevê a implantação de laboratórios multidisciplinares de fauna e flora, Casa do Observador de Aves, Centro Municipal de Reabilitação e Soltura de Animais Silvestres, além de biblioteca, auditório e alojamentos ampliados. Também estão previstas trilhas acessíveis, mirantes, decks de contemplação, torres de observação de aves e estrutura para observação astronômica.

No último ano, foram identificadas 38 espécies, incluindo mamíferos de pequeno e grande porte, répteis, aves e até animais domésticos. Foto: Divulgação / PNMMT
O objetivo do trabalho de monitoramento, que é conduzido pelo setor de Pesquisa e Biodiversidade do parque, é identificar e catalogar as espécies que circulam pela unidade de conservação. Foto: Divulgação / PNMMT
No último ano, foram identificadas 38 espécies, incluindo mamíferos de pequeno e grande porte, répteis, aves e até animais domésticos. Foto: Divulgação / PNMMT
“Não há laboratórios nem condições ideais para os trabalhos no Inconha. Pensando nisso, desenvolvemos um projeto técnico junto ao Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (FECAM), ao Governo do Estado e ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea)”, explicou o secretário de Meio Ambiente, Leonardo Maia. Foto: Maria Eduarda Maia / O Diário
Teresópolis 25/03/2026
Diário TV Ao Vivo
Mais Lidas

Lei autoriza farmácias em supermercados e cria novo modelo de acesso a medicamentos no Brasil

Centro de Pesquisa do Iconha recebe investimentos e impulsiona estudos ambientais em Teresópolis

Cão da GCM fareja esconderijo de mais de mil pinos de cocaína em Teresópolis

Campanha leva conscientização sobre autismo aos ônibus de Teresópolis

Mutirão Dívida Zero RJ renegociou cerca de R$ 2,7 milhões em Teresópolis

WP Radio
WP Radio
OFFLINE LIVE