Luiz Bandeira
Serviços realizados recentemente no leito do Rio Paquequer, pela concessionária Águas da Imperatriz, voltaram a gerar preocupação no município após o surgimento de danos estruturais em edificações construídas às margens do principal curso d’água da cidade. Desta vez, o problema atinge estabelecimentos comerciais localizados na Avenida Feliciano Sodré, na Reta, cujos proprietários relatam ter ocorrido somente após a intervenção no nosso principal curso d´água. Conversamos com representantes das lojas Eletrônica Suria, Dona Antonieta e Mundo das Peças, instaladas no Edifício Mercúrio, que indicaram o surgimento de trincas e rachaduras em paredes e pisos na parte posterior dos imóveis. Segundo os lojistas, os danos começaram a ser percebidos logo após a movimentação de máquinas pesadas dentro do leito do rio, utilizadas para a instalação do sistema de coleta de esgoto pela empresa Águas da Imperatriz.
De acordo com eles, as rachaduras vêm evoluindo gradativamente nos últimos dias, provocando medo, transtornos e prejuízos aos comerciantes. Na loja Dona Antonieta, uma das fissuras é tão extensa que permite a visualização da loja vizinha. Constatamos que o piso também apresentou desnível, o que levou à restrição da circulação no estoque. Situação semelhante ocorre na loja O Mundo das Peças, onde ao menos cinco rachaduras no piso da cozinha indicam que a estrutura teria cedido em direção ao rio. No local, áreas destinadas ao armazenamento de peças e equipamentos também foram interditadas.

Vistoria técnica
Os comerciantes informaram ainda que a Defesa Civil esteve no Edifício Mercúrio, constatou o comprometimento estrutural e determinou a interdição da parte dos fundos dos estabelecimentos. Um dos lojistas, que preferiu não se identificar, diz que um engenheiro da empresa Águas da Imperatriz esteve no local, observou as rachaduras, mas levantou a hipótese de que os danos não teriam relação com a obra, informando que as fissuras já existiam anteriormente, o que foi contestado pelos empresários.
Casos semelhantes já foram registrados em outras áreas do município. Em maio do ano passado, durante o serviço de desassoreamento do Rio Paquequer, executado pela Operação Limpa Rio, do INEA, também com o uso de maquinário pesado, um muro de contenção do terreno do Edifício Granado, no bairro Várzea, colapsou e caiu dentro do rio. Outra ocorrência envolveu diretamente a concessionária Águas da Imperatriz, na Beira-Linha. Durante a instalação da mesma rede de esgoto pelo leito do rio, moradores denunciaram danos estruturais em residências construídas às margens do Paquequer. A situação foi acompanhada pelo Diário de Teresópolis, que ouviu as queixas da comunidade. Na ocasião, engenheiros da concessionária afirmaram que eventuais danos seriam reparados.

O que diz a Águas da Imperatriz
Diante das denúncias, o jornalismo do Diário de Teresópolis buscou um posicionamento da empresa que, no final da tarde desta terça-feira (03), enviou a seguinte nota: “A Águas da Imperatriz informa que realizou vistorias no trecho do Rio Paquequer, próximo à Rua Jornalista Délcio Monteiro, no bairro Várzea, após relatos de rachaduras em imóveis da região. Durante as avaliações técnicas, foi identificado que as rachaduras já existiam antes do início das intervenções. Em alguns locais, foram encontrados sinais de reparos realizados anteriormente em algumas trincas, principalmente na junção do imóvel original com anexos construídos posteriormente”, explica o documento que indica ainda que “a concessionária destaca que segue monitorando a situação e que todas as atividades atendem rigorosamente às normas técnicas e aos protocolos de segurança”. A empresa alega também que o tráfego de máquinas ocorre exclusivamente dentro do leito do rio, não havendo intervenções que provoquem impacto estrutural nos prédios ao redor.





