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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Conversas entre companheiros vira “denúncia de corrupção”

"Cortina de Fumaça" para impedir afastamento ocorre às vésperas da sessão de votação de CP, e enquanto saúde ameaça entrar em colapso

Anderson Duarte

Pode até ser algo a ser combatido na vida pública, mas as “denúncias” apresentadas pelo político Mario Tricano contra alguns vereadores de Teresópolis, e vistas pela maioria dos teresopolitanos como sendo mesmo uma “cortina de fumaça” para tentar impedir, ou desmerecer o julgamento de uma Comissão Processante em seu desfavor no Legislativo, parecem ser negociações entre correligionários e nada mais que apenas isso. Apesar de sustentar que são todos os edis envolvidos, o conteúdo divulgado para a imprensa envolve os parlamentares: Cláudia Lauand, Rock e Pastor Luciano, sendo que apenas dos dois primeiros foram expostas gravações feitas pelos suspeitos Raphael Teixeira e Carlos Dias. Entre os elementos expostos nas conversas estão alertas da aliada médica do PP, um pedido de nomeação para seu esposo e colocações quanto a pagamentos de propinas e nomeações em cargos comissionados. Tricano chega a admitir em uma das entrevistas que fugiu do país para não ser preso por envolvimento com o Jogo do Bicho, atividade que também admitiu comandar aqui na cidade.
Em 2016, ano de eleição para prefeito, Mario Tricano recebeu de Claudia Lauand, R$ 20 mil como doações pessoais para a campanha do seu companheiro de partido no PP. Imagine agora, se a mesma Claudia, resolvesse vir a público e dizer que na verdade não fez nenhum tipo de doação e que apenas assinou algo que o partido ordenou? Seria uma denúncia grave? Por certo que sim, mas absolutamente corriqueiro, apesar de deplorável e criminoso, dentro das negociações e prestações de contas dos partidos e seus respectivos candidatos. Assim como as negociações de cargos ou indicações são fartamente expostas entre aliados partidários, como Claudia e Luciano, que chegou a dizer em sua posse que Tricano seria uma espécie de “Pai Político” seu aqui em Teresópolis. Apesar de falar em negociações para benefícios em terceirizações futuras e implantação de empresas na cidade, Tricano não explicou porque deixou de pagar os hospitais, porque pagou dívidas de governos anteriores que ele mesmo julgava serem “suspeitas”, como deixou de lado o pagamento dos servidores públicos em detrimento a manutenção de inúmeros contratos questionáveis e onerosos na sua gestão este ano, entre outras questões emergenciais no município.
Tudo isso levou parte considerável da população se manifestar nesta quarta-feira, 08, quando emergiram tais denúncias em diversos veículos de comunicação do país, contrariamente ao fato e chamar a atenção para a prática de cortina de fumaça promovida por Tricano e seu grupo. Assim, segundo os veículos que repercutiram a noticia, o Ministério Público investiga se os vereadores tentaram extorquir o prefeito, com pedidos de propinas e indicações para cargos, em troca de apoio político. Segundo o que foi ventilado, Tricano, Raphael Teixeira e Carlos Dias passaram a gravar conversas com os vereadores, entre agosto e outubro. Segundo o grupo Tricano, essas propinas partiriam de um pacote de concessões anunciado pela prefeitura. Claudia Lauand, em conversa com Teixeira, chegaria a chamar a Câmara de "graneira", e que o salário de um dos cargos indicados por ela no governo seria para o marido, o ex-vereador Gerson Ribeiro. “Eu já falei para Tricano, esta câmara é graneira. Se me ajudar com alguma coisa, eu vou aceitar, porque está ficando pesado para mim. O que eu ia falar com Tricano… Eu tenho que molhar a mão de Gerson, e o Gerson não sai barato, é meu marido e tudo, mas não foi de graça. Entendeu? O cargo maior que eu tenho eu estou dando para Gerson. Se eu falar que eu estou tirando R$ 5 mil aqui, eu to brincando contigo. Eu estou tirando meu salário, e só”, diz Claudia em gravação apesentada a imprensa da capital. A vereadora também afirma que a prefeitura deveria liberar subsecretarias para que os vereadores indicassem aliados ou distribuir participações nos pacotes de concessões e usa o termo "abacaxi" para ilustrar uma possível oferta de propina de empresários que participem das licitações.
Já Rock, diz ao secretário Raphael Teixeira que o ex-prefeito Arlei Rosa, cassado em 2016, conseguia manter boa relação com a Câmara através de pagamentos de 15 a 20 mil reais. Quando confrontado com a atual situação respondeu: “E como é que você vai defender um cara sem nada, Raphael? Isso não existe! Rapaz, qualquer vereador que ganhou esta eleição, eles esgoelaram, investiram, então ninguém tá aqui de graça, não, meu filho, e ninguém defende ninguém de graça”, diz o edil. Ainda segundo divulgado sobre o caso, a briga entre Tricano e os vereadores teria começado no primeiro semestre, após a Câmara aprovar a lei autorizando a prefeitura a fazer concessões para aumentar a arrecadação da cidade. A partir daí, segundo Tricano e seus companheiros, tudo teria mudado, sobretudo com os aliados, que teriam passado a cobrar mais apoio do governo.

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Edição 13/07/2024
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