Luiz Bandeira
Uma parte do muro de contenção de um edifício localizado às margens do Rio Paquequer, nas proximidades da Praça Olímpica Luís de Camões, na Várzea, desmoronou na madrugada do dia 24 de maio. O incidente gerou pânico entre os moradores de um prédio vizinho e acendeu o alerta para os riscos que a estrutura comprometida ainda representa, visto que, quatro meses depois, nem sinal de obra. Segundo relato do zelador do Edifício Granado ao Diário de Teresópolis, o barulho provocado pelo colapso foi tão intenso que moradores acordaram assustados, acreditando que o prédio poderia estar desabando. Um dos condôminos chegou a sair correndo do local, temendo pelo pior.
Logo após o desmoronamento, equipes do INEA (Instituto Estadual do Ambiente) realizaram uma contenção emergencial, considerada paliativa, para desviar o curso do rio e reduzir os riscos imediatos. No entanto, até o momento, nenhuma solução definitiva foi adotada.
Em entrevista exclusiva ao Diário de Teresópolis, a síndica do Edifício Granado, Adriana Bezerra de Oliveira, relatou os momentos de angústia vividos pelos moradores: “Eram 3h da manhã, eu sou uma síndica que recebe informações via WhatsApp dos condôminos e o condomínio comunicou que o muro de perto do rio caiu. Alguns moradores haviam conversado comigo durante o dia, dizendo que a pá da máquina retroescavadeira havia batido muitas vezes contra o prédio, contra a estrutura, e que as pedras tinham sido levadas embora junto com a areia que sustentava. E aí, 3h da manhã, o muro colapsou e nós ficamos – e estamos – à mercê dessa situação toda.”
O prédio, construído por volta de 1960, apresenta estrutura antiga e, segundo a síndica, o risco de um colapso é real, especialmente com a proximidade da temporada de chuvas. “Se vierem as chuvas intensas que ocorrem na nossa cidade, como todo mundo sabe, pode haver um colapso do prédio sim. A gente pode ficar sem ter onde morar. Pra gente é dramático. Num dia como hoje, que está ameaçando chover, todo mundo fica apreensivo, as pessoas não dormem direito.”

Famílias se mudaram por medo
Segundo Adriana, algumas famílias optaram por deixar o prédio após o desmoronamento. Uma senhora idosa, acamada, foi retirada pelos familiares. Até o zelador, que sairia de férias, teve dificuldades para encontrar alguém que o substituísse devido ao receio de trabalhar em um prédio sob risco. “As pessoas tinham medo de trabalhar no lugar que poderia cair”, contou a síndica.
Promessas não cumpridas
Desde o ocorrido, a única intervenção feita foi a contenção emergencial pelo INEA. De acordo com Adriana, representantes da Prefeitura prometeram ações rápidas, mas nenhuma obra definitiva foi iniciada. “Procurei o setor de obras da Prefeitura e o que me foi dito na ocasião pelos fiscais é que não havia projeto, e que a responsabilidade era do INEA. O prédio notificou o INEA e solicitou uma informação. Foi dado um laudo onde o INEA afirma que tem um projeto em andamento e que o serviço iria ser feito. Estamos aguardando, mas eu estou preocupada porque nos aproximamos agora da época das chuvas mais intensas.”
A síndica destaca ainda que este seria o momento ideal para execução da obra, aproveitando o período de estiagem e o nível mais baixo do rio.

Ações judiciais não estão descartadas
Caso a situação persista sem solução, Adriana afirma que a comunidade poderá recorrer à Justiça, apesar de preferir um desfecho amigável. “Inicialmente disseram que a culpa era da fossa. Então nós reparamos o orifício que tinha na fossa. Agora vamos entrar em contato com o INEA e solicitar que seja feito o reparo. Caso não seja feito, teria que se entrar com ação judicial, o que eu acho totalmente desgastante para todas as partes. O melhor mesmo é que desenvolvam o projeto que já existe em andamento e pronto, tá resolvida a questão.”
Enquanto isso, os moradores seguem convivendo com o medo e a incerteza, esperando que as promessas feitas pelas autoridades saiam do papel antes que uma nova tragédia aconteça.
Posicionamento do INEA
Questionado pela reportagem do Diário, o Inea informou o seguinte: “O Instituto Estadual do Ambiente informa que, no momento, desenvolve projeto para as intervenções necessárias no trecho do Rio Paquequer”. Porém, não há nenhuma data prevista e, em breve, tem início o período de chuvas fortes novamente.
