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EPIs: SindPMT reclama de atraso e falta de manutenção

Data: 21/05/2020

No trabalho realizado no Soberbo, que, ao que tudo indica foi responsável pela contaminação de Monique, estão sendo empregados funcionários da Agricultura e Serviços Públicos, por exemplo. E, de acordo com o SindPMT, tem faltado o equipamento adequado de proteção

Marcello Medeiros

A morte precoce de uma Técnica de Enfermagem de 34 anos, voluntária no combate à propagação da Covid-19 em Teresópolis, acendeu o alerta da necessidade de maiores cuidados com aqueles que estão na linha de frente das questões sanitárias no município. Monique Magalhães, moradora do Morro dos Pinheiros, dedicava seu tempo a ajudar na desinfecção dos caminhões que chegam do Ceasa, na barreira sanitária montada pela prefeitura no Mirante do Soberbo. A notícia sobre sua passagem, após duas semanas em casa, sem sequer conseguir internação para melhor tratamento, gerou grande número de denúncias de servidores públicos municipais ao sindicato da categoria, o SindPMT. Nesta quarta-feira, 20, conversamos com a presidente da associação sindical dos funcionários da prefeitura, Kátia Borges, que falou sobre a preocupação com os colegas – que além de correr grande risco de contaminação no combate direto à doença, têm sido obrigados a se desdobrar em várias funções para contribuir com a diminuição do número de casos. Um desses exemplos é a Guarda Civil Municipal, que deixou o trânsito e a manutenção do patrimônio para ajudar nos mais diversos serviços, desde barreiras sanitárias a servir cafezinho para quem precisa enfrentar as longas filas do auxílio emergencial. No caso do trabalho realizado no Soberbo, que, ao que tudo indica foi responsável pela contaminação de Monique, estão sendo empregados funcionários da Agricultura e Serviços Públicos, por exemplo. E, de acordo com o SindPMT, tem faltado o equipamento adequado de proteção. 

“Se precisar fazer uma denúncia muito maior, nós vamos. Hoje todas as fotos que tiramos vão para o processo que pedimos que fosse entregue EPI. Uma primeira entrega grande feita, mas depois disso parou. Não vimos mais e os servidores estão apavorados com toda razão”, enfatiza Kátia Borges

“Somos a favor da barreira sanitária, logicamente. Tem que acontecer, é uma medida perfeita, mas ela não tem acontecido como deveria. Não podemos colocar servidores, voluntários, em risco. Esse trabalho deveria estar sendo feito pela secretaria de Saúde. Nossos funcionários da Agricultura, do Serviço Público, não são especializados para trabalhar com isso. É uma barreira que não se completa. Eles jogam líquido no caminhão, que escorre, eles têm contato com esse líquido, com as pessoas que vem de fora, não tem bota, não tem luvas, máscara, macacão adequado. Nesta quarta vimos que usavam de tamanho inadequado, rasgado até. Questionamos isso de uma vez e ficaram de arrumar uns maiores, mas não entendo porque não foram distribuídos. Agora, depois que reclamamos, chegou. Esse material, aliás, só chega depois a que a gente vai lá. Precisa disso? Temos que ficar indo diariamente na barreira?”, enfatiza Kátia.
Robson Abreu, outro integrante da diretoria do SindPMT, lembra que tal serviço no Soberbo deveria ser levado muito mais a sério do que já é. “Pedimos que o secretário de Agricultura ou o sub supervisione esse trabalho mais de perto. Com a falta de EPI adequado não só o trabalhador fica exposto, mas toda a cidade. Ali é a porta e entrada, qualquer um infectado ali pode ajudar a espalhar esse vírus. Não adianta só higienizar o interior do caminhão. É preciso ver maneira de reduzir volume de pessoas nesse lugar também”, atenta Robson. “Já há algum tempo cobramos esses equipamentos. O governo informa que tem. Aí quando chegamos somos informados pelos colegas que está faltando ou vemos pessoalmente, como agora. Precisamos entender o que está acontecendo nesse meio do caminho”, completa.

Outros setores
Desde o início da pandemia o Sindicato dos Servidores Municipais têm se posicionado sobre a necessidade de manutenção e frequência dos EPIs, entrando inclusive com ação na Justiça pedindo maior atenção nessa questão. Além das barreiras sanitárias, o SindPMT atenta para a falta de material de limpeza em unidades básicas de saúde, postos nos bairros que acabam sendo mais procurados do que o Centro 24h ou a própria UPA, por exemplo, citando o caso do 24h de Bonsucesso.  “Se tem um posto ao lado sua casa, é lá que você vai”, pontua Kátia. “Se precisar fazer uma denúncia muito maior, nós vamos. Hoje todas as fotos que tiramos vão para o processo que pedimos que fosse entregue EPI. Uma primeira entrega grande feita, mas depois disso parou. Não vimos mais e os servidores estão apavorados com toda razão. Com a morte da voluntária então, muito mais medo. E como trabalha? Como fica psicológico?”, destaca.

Diálogo aberto
Para Kátia, manter o diálogo aberto é fundamental. E, diferente do governo anterior, por exemplo, o Sindicato dos Servidores tem encontrado portas abertas na prefeitura. Na próxima segunda-feira está agendada nova reunião com a equipe do Gabinete de Crise da PMT, porém é preciso muito mais do que isso. “Precisamos também de ações realizadas. Estamos falando de vidas, de colegas de anos de trabalho, que hoje podem estar positivo e passar dificuldade dentro casa. Hoje não podemos fazer movimentação, aglomeração, assembleia. Se tivesse podendo fazer movimento, estaríamos gritando na rua por condições adequadas de trabalho na linha de frente”, relata a Presidente.

Comissionados
Kátia e Robson participaram de entrevista por videoconferência na Diário TV, onde abordaram outros temas relacionados ao momento que vive o município nesse quadro de pandemia. Outro tópico abordado foi em relação ao grande número de comissionados, cargos políticos que poderiam estar sendo utilizados no combate à propagação da doença. Os sindicalistas falaram sobre a redução salarial dos servidores em home office ou afastado em contraste com comissionados que deveriam ter sua contratação revista pela “gestão”.

PMT diz que não falta EPI
Em nota encaminhada para a redação do jornal O Diário no final da tarde desta quarta-feira, através da Assessoria de Comunicação da Prefeitura, a Secretaria Municipal de Saúde informou que não há falta de material de EPI e ainda que “equipamentos de proteção individual foram adquiridos e distribuídos a todas as unidades. Todas as compras de materiais podem ser conferidas no site oficial da Prefeitura”. Sobre a falta de material de limpeza nos postos, não foi informado.

 

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