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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Incêndio destrói 330 hectares do Parque Nacional da Serra dos Órgãos

PARNASO faz levantamento do prejuízo ambiental causado por balão no fim de semana

Marcello Medeiros

Nesta quinta-feira (23), a direção do Parque Nacional da Serra dos Órgãos concluiu o levantamento do prejuízo ambiental causado pela queda de mais um balão na parte alta da unidade de conservação ambiental administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Novamente o artefato criminoso, provavelmente oriundo de algum município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, atingiu os campos de altitude, agora na região dos Castelos do Açu, próximo ao trecho final do atrativo, conhecido como ‘Chapadão’. Foram 330 hectares destruídos e um grande volume de pessoal e equipamentos utilizados para evitar dano ainda maior à conservação da fauna e flora.

Foram destruídos 330 hectares e necessários dois dias de trabalho para controlar o fogo no alto da Serra dos Órgãos. Foto: Ernesto Viveiros / PARNASO

“Voltando aqui pra registrar MAIS UMA VEZ minha indignação com os que ainda acham legal soltar uma bomba incendiária, queimar áreas gigantescas, matar animais e plantas raras, ameaçar pessoas e gerar um trabalho imenso e um custo gigantesco para apagar os incêndios apenas porque ‘acha bonito ver o balão subindo iluminado’. Dessa vez foram 330 hectares queimados em campos de altitude, mais de 40 pessoas mobilizadas, gastos com helicóptero, alimentação e toda a logística e três dias ralando na montanha para apagar mais um incêndio”, detalhou o biológo e chefe do PARNASO, Ernesto Viveiros de Castro, em publicação nas redes sociais. Os campos de altitude têm uma vegetação sensível com alto grau de endemismo, ou seja, com espécies que só existem ali.

Ernesto Viveiros, Chefe do PARNASO, e equipe do ICMBIO / Prevfogo registram prejuízo nos campos de altitude. Foto: Ernesto Viveiros / PARNASO

Um parque cheio de riquezas
O Parque Nacional da Serra dos Órgãos protege a excepcional paisagem e a biodiversidade deste trecho da Serra do Mar na Região Serrana do Rio de Janeiro. São 19.855 hectares protegidos nos municípios de Teresópolis, Petrópolis, Magé e Guapimirim.

Criado em 30 de novembro de 1939, o PARNASO é o terceiro parque mais antigo do país, representando um importante marco na história das Unidades de Conservação brasileiras. (Conheça um pouco mais da história do parque)

É um dos melhores locais do país para a prática de esportes de montanha, como escalada, caminhada, rapel e outros; além de ter fantásticas cachoeiras. O Parque tem a maior rede de trilhas do Brasil. São mais de 200 quilômetros de trilhas em todos os níveis de dificuldade: desde a trilha suspensa, acessível até a cadeirantes, até a pesada Travessia Petrópolis-Teresópolis, com 30 Km de subidas e descidas pela parte alta das montanhas. Entre as escaladas destacam-se o Dedo de Deus, considerado o marco inicial da escalada no país, a Agulha do Diabo e centenas de vias de todos os níveis de dificuldade, desde iniciantes até alguns dos maiores bigwalls do país.

O Parque abriga mais de 2.800 espécies de plantas catalogadas pela ciência, 462 espécies de aves, 100 de mamíferos, 103 de anfíbios e 83 de répteis, incluindo 130 animais ameaçados de extinção e muitas espécies endêmicas (que só ocorrem neste local). Assim como todas as unidades de conservação federais, o PARNASO é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia federal responsável também pela conservação de espécies ameaçadas.

Soltar balão é crime
Cabe ressaltar que a prática de soltar balões é crime (artigo 42 da Lei de Crimes Ambientais nº 9.605/98). A pena para quem for pego confeccionando, comercializando ou soltando balões que possam provocar incêndios é de 1 a 3 anos de detenção ou multa, ou ainda ambas as penas cumulativamente.

Visando diminuir os danos causados pela prática, desde 1999 o Disque Denúncia realiza a campanha “Disque Balão” com o objetivo de estimular a população a denunciar locais de comercialização de balões, prevenir e reprimir a ação de baloeiros e a realização de festivais. Ela serve principalmente para sensibilizar a população para os riscos que os balões geram para a conservação e preservação dos recursos ambientais e para a segurança humana. 

A população pode denunciar a prática de soltura de balões e outros crimes contra o meio ambiente ao Linha Verde, através do telefone (21) 2253-1177 e 0300 253 1177,- ambos com WhatsApp anonimizado – técnica de processamento de dados que remove ou modifica informações que possam identificar uma pessoa, ou então pelo App “Disque Denúncia RJ”. É possível denunciar ainda pelo site do Disque Denúncia (www.disquedenuncia.org.br) ou ainda pela FanPage do Linha Verde no facebook (www.facebook.com/linhaverdedd).

Teresópolis 23/04/2026
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