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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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INEA abre licitação para construir parque fluvial em Teresópolis

Paralelo ao projeto de R$ 24 milhões, moradores alertam para grande abandono do curso d’água que cruza as localidades

Luiz Bandeira

Quinze anos após a tragédia de 12 de Janeiro de 2011, os bairros da Posse e Campo Grande, em Teresópolis, ainda convivem com o medo de novas enchentes e com a sensação de abandono por parte do poder público. Um dos problemas que se arrasta há tanto tempo é o rio que cruza essas localidades e deságua na Cascata do Imbuí, onde, desde então, há promessa de uma grande intervenção. E ela pode ocorrer em 2026, segundo informado pelo Instituto Estadual do Ambiente ao Diário: está em curso licitação para a construção de um Parque Fluvial na região, que teria funções de evitar novas catástrofes e promover lazer para moradores e visitantes.
Em nota, o Inea informa que o projeto prevê a implantação de um reservatório lateral off-line, um parque fluvial e barreiras flexíveis no Rio Príncipe, abrangendo medidas estruturais e não estruturais para melhoria da macro e mesodrenagem. A intervenção do parque fluvial compreende uma área de aproximadamente 7.222 metros quadrados, ao longo de 304 metros de extensão, com investimento de R$ 24.593.427,19, oriundos de convênio entre o Governo do Estado, Governo Federal e recursos do PAC.

Cadê o rio que estava aqui? Apesar da promessa de parque, nem limpeza tem ocorrido. Foto: Luiz Bandeira / O Diário

Moradores alertam para grande abandono
Paralelo à mais uma promessa, representantes da Associação de Moradores e Amigos do Bairro da Posse (AMAPOSSE) alertam para a falta de manutenção do Córrego Príncipe, das barreiras flexíveis e dos sistemas de monitoramento, considerados fundamentais para a prevenção de novos desastres.
Segundo a associação, a obra precisa vir acompanhada de manutenção contínua e de outras ações estruturais. Para Louis Capelle, web designer e integrante da AMAPOSSE, o projeto pode representar uma mudança importante para o bairro. “O parque fluvial pode trazer área de lazer, melhorar a infraestrutura e acabar com o aspecto de abandono. Mas não adianta só construir, é preciso manter”, ressalta.
Segundo ele, o mês de janeiro reacende lembranças dolorosas para a população. “Vamos completar quinze anos da tragédia de 2011 e queremos que o bairro seja mais bem visto e valorizado. A manutenção do rio e das barreiras flexíveis é fundamental”, afirma.

Louis Capelle, Dilson Silva e Marcelo Rezende alertam para a falta de manutenção do Rio Príncipe e cobram ações preventivas no bairro da Posse. Foto: Luiz Bandeira / O Diário

Anos de problema
O presidente da associação, Dilson Silva, biólogo, destaca que o abandono não é recente. “O bairro ficou esquecido por muitos anos e a própria associação esteve inativa por um período, o que prejudicou a mobilização dos moradores”, explica. Atualmente, a AMAPOSSE tenta retomar o diálogo com órgãos públicos e articular ações conjuntas com outras associações da cidade.
Entre os principais problemas apontados está o assoreamento do Córrego Príncipe. “Foi o rio que sofreu a maior cheia em 2011 e, mesmo assim, é um dos mais negligenciados em termos de manutenção. A calha está visivelmente assoreada”, afirma Dilson. Segundo ele, o parque fluvial prevê também um reservatório lateral para conter cheias, além de urbanização, lazer e correção paisagística para a região.

Segundo a associação, a obra precisa vir acompanhada de manutenção contínua e de outras ações estruturais. Foto: Luiz Bandeira / O Diário

Medo de novas catástrofes
Diretor da associação, o aposentado Marcelo Rezende alerta para o risco de repetição de tragédias. “Em 15 anos, esse rio foi limpo apenas duas vezes. Se houver uma cabeça d’água, ele não vai conseguir escoar o volume até o Paquequer. O prejuízo pode ser novamente enorme, com perdas de patrimônio e até de vidas”, afirma.
Outro ponto que preocupa os moradores é a falha nos sistemas de monitoramento e alerta. Dilson Silva relata que o pluviômetro da região estava desativado e só foi parcialmente corrigido após contato com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea). “A régua de medição estava sem funcionar. Justamente no local da maior tragédia da cidade, houve descaso”, critica. Ele também aponta que duas barragens flexíveis construídas na parte alta do bairro estão abandonadas, com estruturas danificadas e sem manutenção.

Período de chuvas preocupa
O medo aumenta com a chegada do período de chuvas intensas. Para Louis Capelle, a população se sente desprotegida. “Não temos sirene de alerta até hoje. Às vezes recebemos avisos de transbordamento quando o rio nem está cheio, e isso acontece por falta de manutenção e monitoramento adequados”, afirma. “Não queremos ser lembrados só quando acontece uma tragédia. Queremos prevenção, cuidado e respeito.”

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