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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Montanhistas organizam ‘vaquinha’ para ajudar Lilia Montanha

Aos 92 anos, primeira teresopolitana a escalar o Dedo de Deus vive dias difíceis

Maria Eduarda Maia

Era apenas uma menina quando decidiu enfrentar uma grande aventura que acabou se tornando um marco histórico no montanhismo. Aos 15 anos, Lilia Montanha saiu escondida de casa e seguiu em direção a uma montanha que, até então, só tinha sido escalada por homens, o Dedo de Deus. No dia 17 de julho de 1949, a jovem, acompanhada de seus irmãos e de um grupo de excursionistas, realizou o sonho de conquistar o cume da imponente formação rochosa da Serra dos Órgãos, entrando definitivamente para a história do montanhismo.

No dia 17 de julho de 1949, a jovem, acompanhada de seus irmãos e de um grupo de excursionistas, realizou o sonho de conquistar o cume da imponente formação rochosa da Serra dos Órgãos, entrando definitivamente para a história do montanhismo.

Em uma época em que a montanha era um território mais frequentado por homens, Lília abriu os caminhos no esporte para as teresopolitanas, sendo a primeira mulher do município a colocar os pés no símbolo da escalada no Brasil. Esse feito atravessou gerações, sendo um exemplo de coragem, resiliência e, sem sombra de dúvidas, de pessoa que ama o esporte e as belezas que Teresópolis tem a oferecer. Décadas depois, entretanto, a eterna menina vive dias mais desafiadores do que encarar o grandioso Dedo de Deus. Com 92 anos, Lilia vive agora uma fase marcada pelas limitações naturais da idade avançada e pela necessidade de cuidados constantes para manter a qualidade de vida no dia a dia. Ela continua sendo a mesma mulher forte, lúcida e afetuosa, mas a ‘escalada’ atual conta com a ajuda da comunidade.

“No dia em que eu partir desse mundo, a experiência continuará no meu coração. Vou levar comigo para sempre. É algo indescritível! Só quem faz essa escalada e ama o montanhismo sabe”, disse emocionada a primeira teresopolitana a pisar no cume do Dedo de Deus. Foto: Arquivo O DIário / Maria Eduarda Maia

Diante desse cenário, seus amigos de montanha e a comunidade excursionista se mobilizaram para criar o ‘Fundo Lilia Montanha’, uma vaquinha solidária que busca garantir recursos para despesas essenciais para a saúde e bem-estar daquela que é um marco no montanhismo. Entre os itens essenciais estão fraldas geriátricas (tamanho G), pomadas para assaduras, lenços umedecidos e medicamentos e itens de cuidado pessoal, além de outras necessidades básicas relacionadas à saúde e bem-estar.

As contribuições para Lilia Montanha podem ser feitas por meio da plataforma da vaquinha ou via Pix. A meta do fundo foi pensada para cobrir aproximadamente 12 meses de cuidados, garantindo mais segurança, previsibilidade e dignidade para Lilia. Foto: Reprodução

Objetivo do fundo solidário
A meta do fundo foi pensada para cobrir aproximadamente 12 meses de cuidados, garantindo mais segurança, previsibilidade e dignidade para Lilia. “Este fundo não é apenas uma campanha solidária. É um gesto de gratidão, reconhecimento e respeito à história. Quem abriu caminhos merece cuidado. Quem fez história não pode ser esquecido”, relatam os organizadores da vaquinha.

Registro da empreitada, 76 anos atrás, com um grupo composto por várias crianças chegando ao último lance da escalada.

Ainda segundo a comunidade montanhista, o ‘Fundo Lilia Montanha’ nasceu para cuidar apoiar e honrar sua história, sendo também pensado para ir além do momento atual, mantendo viva a ideia de apoio e solidariedade entre os montanhistas. “A intenção é que esse fundo, construído com respeito e transparência, continue existindo como legado, ajudando outras pessoas da comunidade da montanha que venham enfrentar situações semelhantes no futuro”, pontuaram.

Como ajudar
As contribuições podem ser feitas por meio do link https://www.vakinha.com.br/vaquinha/fundo-lilia-montanha-2026 ou via Pix, pela chave 5909322@vakinha.com.br . Além das doações em dinheiro, também é possível doar diretamente os produtos que ela precisa na loja Transart, no Edifício Garagem, que fica na Rua Francisco Sá, número 330, loja 3, na Várzea, de segunda a sexta-feira, em horário comercial.

Memória viva
Tanto tempo depois, Lilia, moradora da Várzea, nunca esqueceu os detalhes da difícil subida e a emoção por ter sido a primeira das três meninas a chegar à parte mais alta da montanha, lembrando com muito carinho a escalada que marcou sua vida – e a história de Teresópolis. “Parece que foi ontem. A experiência foi divina. Você vê o Rio de Janeiro quase todo, Teresópolis, as florestas…Foi algo maravilhoso”, declarou Lilia para a reportagem do Diário em matéria sobre os 76 anos de sua conquista. “No dia em que eu partir desse mundo, a experiência continuará no meu coração. Vou levar comigo para sempre. É algo indescritível! Só quem faz essa escalada e ama o montanhismo sabe”, completou emocionada.

Em outubro de 1966, um acidente de carro na estrada Rio-Teresópolis impossibilitou Lilia de fazer o que mais gostava a deixou sem o movimento das pernas por um longo tempo. “Enquanto eu pude ir no Dedo de Deus eu fui. Agora só vou nos sonhos e na imaginação. É algo muito divino”, contou a senhora, com espírito de menina. “Quando olho para essa montanha e lembro que já fui lá em cima a saudade que fica é muito grande”, concluiu Lília do Nascimento Montanha, que, como seu próprio sobrenome diz, nasceu para esse esporte.

Lilia aos 15 anos, durante a escalada que lhe rendeu o título de primeira teresopolitana no Dedo de Deus.
Teresópolis 13/03/2026
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