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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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“O Alto não pode ser a única preocupação do prefeito, os outros bairros e o interior também precisam de atenção”

Em entrevista a O DIÁRIO, ex-prefeito Tricano faz um raio X da cidade

Wanderley Peres

Convidado para entrevista no programa Hélio Carracena, da tevê Diário, o ex-prefeito Tricano participou essa semana de bate papo com o apresentador, que já ouviu na série de entrevistas o ex-prefeito Roberto Petto e o presidente da Câmara Leonardo Vasconcellos, entre outros. De início, Tricano agradeceu a oportunidade de estar na tevê Diário, e enalteceu a estrutura do jornal que comemorou 35 anos esse ano, logo falando de sua carreira política, que iniciou em 1988 com sua primeira eleição, dez anos depois de chegar à cidade, em 1978, aos 32 anos de idade. Tricano seria eleito mais quatro vezes: em 1996, tendo Afaf como vice; em 2000, com Roberto Petto, e em 2012 e em 2016, com Sandro Dias de vice. Eleito para mandatos que somam 20 anos, Tricano ocupou a Prefeitura por cerca de 13 anos (4 anos do primeiro mandato, 3 anos e meio do segundo mandato, 3 anos do terceiro mandato, 1 ano do quarto mandato e 1 ano e meio do quinto mandato).

Assim que chegou à cidade, Mario Tricano logo iniciou a participação em projetos sociais, ajudando ainda na construção do orfanato de Campanha, e da instalação de água em diversos morros. Se movimentou rumo à política partidária no início do ano de 1988, quando passou a frequentar grupo político onde se reuniam os ex-prefeitos Roger Malhardes, Luiz Barbosa e Pedro Jahara, decidindo pela candidatura depois que percebeu a oportunidade, chamado pelo diretório acadêmico da Faculdade de Medicina de Teresópolis para ser candidato a prefeito. “Os jovens, daquela época, ansiavam um nome novo, para quebrar o feudo político da cidade. Me filiei ao PSB, seis meses antes da eleição, e mesmo sem o costume de falar em público, acabei concorrendo com os integrantes do grupo político tradicional. Era a Nova Geração, frase do Márcio de Paula, que era um interlocutor e mentor desse grupo”.

A entrevista completa está no canal da Diário TV no Youtube

OS MAIS NOVOS

“O jovem, o adolescente de hoje, são filhos e netos de moradores antigos, que conhecemos bem e nos conhecem, por isso sou muito bem recebido nas reuniões que fazemos com os grupos de hip hop, de funk, essa nova manifestação cultural, e pretendemos discutir a cidade com essa juventude, para provocar a sua força, renascendo a proposta a Nova Geração”.

TRICANO É O NOVO

“Ser velho ou novo está na cabeça de cada um. Quem se recicla, que acompanha e ouve os mais novos, é novo também, daí a nova geração está na cabeça e não no corpo. Nosso grupo é composto assim, de ideias novas, porque a revolução vai se fazer com a experiência dos mais velhos e a força dos mais jovens”.

O TURISMO E O INTERIOR

“Havia apenas 18 hotéis na rede hoteleira de Teresópolis, quando assumimos a Prefeitura em 1989, e hoje são mais de 100 hotéis em todo o município, 68 hotéis somente na rota do interior. Mas é preciso melhorar as estradas, não apenas para se escoar a produção agrícola, mas também para incrementar a economia com o turismo. Depois do Parque Nacional, a cachoeira dos Frades é a mais visitada pelos turistas, e falta apoio do governo. O Alto, a Várzea, e os bairros da cidade são importantes, mas não se pode esquecer do interior. É preciso dar atenção ao campo, para que os moradores não migrem para a cidade, se evitando assim o êxodo rural. O interior é importante e é necessário incentivar e melhorar o receptivo, e melhorar o acesso”.

CIDADE UNIVERSITÁRIA

“Temos a Feso, com diversas faculdades, e a Estácio, também. Teresópolis pode ser a cidade das universidades, bastando o interesse político. Com apoio, a própria Feso poderia abraçar a ideia da universidade rural, que é uma necessidade, por conta da nossa característica”.

POSTOS DE SAÚDE

“É necessário ampliar o atendimento nos postos de saúde, interior afora. Além de dar melhor atendimento à população que mora distante da cidade, diminui a fila na Upa e nos hospitais que já existem. Ampliar o posto de saúde de Bonsucesso, por exemplo, transformando-o num mini-hospital é necessário e não é difícil fazer”.

MAIS UM HOSPITAL

“O Rio de Janeiro tem oito hospitais federais, será que Teresópolis não tem direito a um pelo menos. Existem diversos hospitais estaduais, e porque nenhum deles está em Teresópolis?

MAIS ATENDIMENTO

“Temos ótimos hospitais, com boa estrutura física e excelentes condições. Precisamos de mais pessoal nesses hospitais, e mais recursos da Prefeitura nesses hospitais, para que eles custeiem esse atendimento a mais, que podem fazer, duplicando ou triplicando o atendimento. O problema nem é ter mais hospitais,
mas aumentar o atendimento, porque infraestrutura tem, falta só contratar os serviços, para que se contrate mais gente e falta a Prefeitura honrar os compromissos, o que não vem fazendo”.

AMPLIAR A REDE

“O próximo prefeito terá que ampliar o atendimento nos hospitais. A Upa recebe todo tipo de demanda, que poderia estar sendo atendida nos postos de saúde nos bairros, distantes, mas próximos da população. Se melhorar os postos de saúde, melhora o atendimento na Upa, e diminui as filas nos hospitais”.

UM POSTO POR ANO

“A Câmara Municipal tem direito a 7% do orçamento da Prefeitura, é muito dinheiro, e sobra. A Câmara não está proibida de não gastar, nem de devolver o dinheiro que sobrar. Com a devolução, dá para se fazer muita coisa. O dinheiro de um ano, dá para construir um bom posto de saúde por ano, e isso já pode vir carimbado pelos vereadores, informando até onde eles querem o posto. Os vereadores não têm obrigação de gastar tudo que a Câmara recebe, pode economizar e pode dar essa contribuição para a cidade”.

ENTRADA DA CIDADE

“A cidade está abandonada, inclusive a chegada de Teresópolis. Logo passando pelo pórtico se percebe o descaso. O pórtico de entrada, que construímos, é uma saudação ao visitante”.

FEIRINHA DO ALTO

“Na Feirinha, fizemos o centro administrativo, com palco para atrações culturais e abrigo para os artesãos. O que causa indignação é a falta de respeito das autoridades com o feirante. Como uma obra demora mais de um ano, dois, ou mesmo mais de três anos para ficar pronta? Isso é obra que devia ter sido feita pela prefeitura, e não depender do estado. Quanto de dinheiro se perdeu nesse tempo todo, pela incompetência adminitrativa. O turismo foi prejudicado e as pessoas perderam dinheiro por conta dessa obra interminável. A feirinha, como era, não existe mais, piorou a qualidade, reduziu o interesse das pessoas por causa desse tempo todo de obra e degradação, é como um negócio que vai definhando enquanto perde a clientela. Todos os prefeitos deram sua colaboração para melhorar a Feirinha. Foi esse o único governo que precisou de ajuda do estado, isso é um absurdo”.

O ALTO E A CIDADE

“O Alto é um polo de gastronomia, mas não pode ser único, porque existem outros bons restaurantes em outros cantos da cidade, inclusive no interior.
Não sei por que esse governo só prioriza o bairro do Alto quando se pensa em turismo”.

CADÊ O DINHEIRO

“Quando fui prefeito, o orçamento do município era de R$ 350 milhões. Hoje o orçamento é de mais de 1 bilhão. Ex-prefeitos construíram e reformaram a Rodoviária. Esse prefeito precisa de ajuda do estado para reformar um prédio, cadê a gestão”?
Fizemos mais escolas, mais creches, mais postos de saúde, mais asfalto, e tanto com pouco dinheiro. O atual prefeito, com orçamento bilionário não consegue nem reformar uma rodoviária ou uma feirinha. O que esse prefeito fez, ao longo desses cinco anos, com uma arrecadação superior a R$ 3 milhões no período”?

ABRIGOS DE ÔNIBUS

“Ao longo da Reta, os únicos abrigos são os mesmos do meu tempo. Não teve construção de novos abrigos desde então, nem reformaram os antigos abrigos, e as pessoas esperam o transporte público debaixo do sol e da chuva”.

GUARDA MUNICIPAL

“A guarda municipal tem que ter plano de carreira, e deveria contar hoje com mais de 200 servidores, mas está funcionando com menos de 30. Não dá pra funcionar bem assim. Precisamos trazer de volta ex-servidores, aposentados inclusive, que podem contribuir com a sua experiência”.

PROMAJ

“Quando criamos o Promaj, o projeto não era para contador de vagas, porque o programa dava condições de aprendizado. O Promaj tem que atender o jovem de 14 a 17 anos. Porque se não tomarmos conta do jovem, o mal leva ele para o mal caminho. É preciso atendimento médico, cesta básica, uniformes”.

RESPEITO

“Quando fizemos o asfaltamento da Reta, fazíamos o serviço de madrugada,
para se evitar o engarrafamento no trânsito e incomodar menos as pessoas. Trabalhando à noite, para a cidade funcionar, normalmente, de dia, não se faz mais assim”.

ESCOLAS

“Revolucionamos a saúde e a educação. Fomos o terceiro colocado do estado na saúde e o primeiro lugar na educação. Era o tempo da secretária Magda Cupello, que foi um fenômeno, à frente de uma secretaria sólida, que continuou forte mesmo em outras administrações, porque foi bem organizada. Dá pena ver tantas escolas fechadas, em obras de reformas que nunca ficam prontas. Não falta dinheiro, porque existe muito mais dinheiro que antes, então falta gestão”.

EVENTOS E FEPORT

“Construímos um parque de exposições, e hoje o local virou um ferro velho. Não se faz mais eventos no parque, enquanto ali é o local ideal para eventos. Antes, não se fazia festas apenas, era uma comemoração. Havia festa no Interior, a cada duas semanas, com os artistas locais. Era o Cidade em Festa, Festival de Chocolate, Arraial da Nova Geração. Não sei porque isso tudo acabou. As festas precisam continuar, mesmo que não seja para comemorar obras, como antigamente. O povo precisa de alegria, porque o jovem, o trabalhador, todos precisam do lazer”.

FUNCIONALISMO

“Educação, saúde, turismo. A cidade cresceu e precisa de mais servidores públicos. É necessário se fazer novos concursos, dando emprego e reorganizando a Prefeitura, porque muitos se aposentaram. É preciso aproveitar mais os servidores ativos e também usar os inativos, que têm muito ainda a contribuir”.

A primeira eleição de Tricano

A eleição de 1988 foi realizada numa terça-feira, dia 15 de novembro e concorreram ao cargo de prefeito oito candidatos. Luiz Barbosa, do PMDB e Pedro Jahara, do PFL, eram os favoritos, tendo como forte concorrente o novato Mario Tricano, do PSB. Teófilo Faraco era o vice de Luiz, o ex-prefeito Malhardes era o vice de Pedro e Robertinho Rocha o vice de Tricano. Outros cinco também queriam chegar ao Palácio Theresa Cristina: o ex-deputado Paulo Nascimento, do PDS; Manoel Pereira, do PT; José Elias da Fonseca, do PDT; Leandro Aschar, do PL e Célio Carvalho, do PSC.

O colégio eleitoral de Teresópolis tinha 69.892 eleitores e 65.559 votaram para prefeito, abstendo-se 6,2%, um total de 4.333 eleitores. 8.496 votaram em branco e 1.962 anularam o voto. A apuração do pleito foi realizada nos salões do clube Higino, no Alto, começando às 8h da manhã de quarta-feira e terminando na madrugada de sábado, 19, confirmando a eleição do candidato Mario Tricano, do PSB, eleito com 20.492 votos, 37,18% do eleitorado. Ex-prefeitos, Luiz Barbosa, do PMDB, fez 15.297 votos, 27,76% e Pedro Jahara, do PFL, fez 10.318 votos, 18.72%. Juntos, os demais candidatos fizeram menos que o terceiro colocado: Manoel Pereira, do PT, fez 5.086 votos (9,23%); José Elias, PDT, 1.806 votos (3,27%); Paulinho, PDS, 1.175 votos (2, 13%); Leandro Aschar, PL, 781 votos (1,41%) e Celio Carvalho, PSC, 146 votos (0,26%).

Edição 24/02/2024
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