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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Onças agora “passeiam” até durante o dia no Parque Nacional

Flagrantes de outros animais também têm sido frequentes. Equipe de monitoramento explica novos hábitos e pesquisas em curso

Paola Oliveira 

O Parque Nacional da Serra dos Órgãos é uma das unidades de conservação ambiental mais antigas e importantes do país, considerada um forte de proteção da nossa tão fragmentada Mata Atlântida. Em um pouco mais de dois meses com as atividades de visitação suspensas por causa da pandemia do novo coronavírus, temos visto ainda mais exemplos da sua importância. As câmeras de monitoramento têm registrado mudanças no comportamento dos animais silvestres, que com mais frequência têm circulado pelas trilhas do parque e até durante o dia, inclusive Onças Pardas (Puma concolor) e Jaguatiricas ( Leopardus pardalis). “Nós fazemos aqui no Parque Nacional da Serra dos Órgãos um monitoramento de mamíferos já há bastante tempo e, com o fechamento das trilhas, da visitação, aproveitamos para colocar as máquinas fotográficas e observar como os animais estão reagindo à ausência de pessoas”, conta Cecília Cronemberger de Farias, responsável pelo monitoramento do Parnaso. “O que temos observado é que eles estão mais à vontade, caminhando mais. Isso não significa que antes os animais não estivessem por lá ou não usassem as trilhas, na verdade eles não usavam na hora em que as pessoas estariam usando quando parque está aberto à visitação. E o que é interessante nesses registros é que nós vemos os animais usando as trilha às 10h, 11h da manhã. São horários que as trilhas estariam sendo usadas quando temos visitantes”, completa a Bióloga. 
As câmeras que estão instaladas em vários pontos da sede Teresópolis do parque fazem parte do projeto de mamíferos de grande e médio portes, coordenado por Cecília, que vem sendo trabalhado nele há quase 10 anos. Ao longo desse tempo vem sendo analisando dados para entender como anda o ritmo da comunidade dos mamíferos. “Nós usamos as armadilhas fotográficas como se fossem maquinas fotográficas acopladas no sensor de presença e temperatura que consegue perceber quando um animal passa na frente e aí registra em foto ou vídeo. Então nós conseguimos ver bichos que em geral não veríamos de outra maneira, principalmente os felinos e felídeos e animais grandes que fogem de nós”.


Exemplar de Irara (Eira Barbara), uma espécie de lontra, registrada na Trilha Mozart Catão

Menos gente, mais bichos
As mudanças na rotina do parque que, consequentemente refletiram no comportamento dos animais, proporcionou uma nova linha de pesquisa, como conta Cecília. “Eles percebem que não tem barulho, cheiro, nem mesmo a manutenção de trilha está havendo. Quando voltarmos vai retornar à manutenção, as visitas ao parque, então nós queremos avaliar se os animais vão mudar o horário de circulação, passando nos mesmo lugares só a noite ou se simplesmente vão deixar de usar as trilhas” e “nós pretendemos continuar monitorando quando voltar a visitação do parque para ver como os animais vão reagir a volta das pessoas nas trilhas. O estuda vai permitir a gente ver qual o tamanho da mudança que ocorre para os animais”. 

Mais olhares
A coordenadora conta feliz do retorno positivo nas redes sociais e o quanto é agradável ver a natureza reagindo de forma positiva nesse momento tão delicado para os seres humanos. “É muito legal ver como o bicho se movimenta, saber que ele está usando aquela área. Nós vemos os comentários das pessoas nas redes sociais do parque falando que já andou na mesma trilha. Então quando você anda e sabe que tem um bicho por ali eu acho que é outra percepção. Espero que isso aguce os sentidos das pessoas ao caminharem pelas trilhas”, pontua a Analista Ambiental do ICMBio.

Outros casos
O registro de animais silvestres passeando livremente não tem acontecido apenas dentro da sede do Parnaso. Onças já foram flagradas em Petrópolis e  Itaipava, município e distrito vizinhos, e também em Santa Rita, interior de Teresópolis. Por se tratarem de situações infrequentes, muitos acabam não sabendo como proceder em tal situação e Cecília alerta: “Nunca se deve tocar em um animal silvestre, especialmente se for animal como felino que pode atacar ao se sentir ameaçado. Então eu deixo claro que esses animais não vão atacar por nada, eles podem se defender. A pessoa deve ligar para os órgãos ambientais, seja o parque nacional, parque estadual, secretaria municipal de meio ambiente, defesa civil ou bombeiros avisando que tem um animal, principalmente se ele estiver em risco”.
O momento tem sido de reflexão para os humanos, que estão observando as mudanças da natureza e dos animais nesse período de isolamento. “Do ponto de vista da relação das pessoas com a natureza e com os animais, nesse momento em que as pessoas se fecharam mais em casa e a circularem menos, não só no parque nacional, mas no mundo é dela também todo. O aparecimento de animais em lugares que até inusitados, como nas cidades traz uma reflexão de que o espaço que a gente ocupa, o planeta terra não é só nosso, nós dividimos esse planeta com todas as outras espécies e o espaço que nós ocupamos também são delas”, destaca a pesquisadora.

 

 

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Edição 28/06/2022
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