Na última semana, a equipe de fiscalização do Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO) realizou quatro operações para coibir irregularidades na sede Guapimirim da unidade de conservação ambiental, com atenção especial ao acesso proibido ao Poço do Ovo. A área é considerada um dos pontos mais sensíveis da unidade por causa das frequentes ocorrências de cabeça d’água, fenômeno típico do verão que impõe elevado perigo aos banhistas.

Durante as ações na sede Guapimirim, os fiscais identificaram práticas vedadas, como a presença de animais domésticos, garrafas de vidro e materiais associados a oferendas religiosas deixados em espaços naturais. No entorno do Poço do Ovo, a operação contou com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que constatou motocicletas estacionadas de forma irregular às margens da rodovia, trecho onde o estacionamento é proibido por questões de segurança viária e ambiental.


O ambiente é natural, mas há quem ache que pode deixar seu lixo por lá. Foto: Icmbio/Parnaso
O PARNASO mantém um sistema integrado de prevenção com os abrigueiros que atuam na Parte Alta da cadeia de montanhas. Esses profissionais fazem parte do grupo da Defesa Civil da Prefeitura de Guapimirim e acompanham continuamente chuvas e eventos climáticos capazes de afetar trilhas e poços. A cabeça d’água ocorre quando temporais concentrados nas encostas elevadas da Serra do Mar elevam rapidamente o nível dos rios, criando correntezas inesperadas que já provocaram acidentes graves na região.


Materiais e objetos diversos que não deveriam ter sido deixados para trás. Foto: Icmbio/Parnaso
A administração do Parque voltou a pedir que visitantes respeitem a sinalização e frequentem somente poços permitidos. Também recomenda atenção à previsão do tempo e planejamento prévio das atividades neste período de alta temporada. Pelas normas da unidade, é proibida a entrada de animais domésticos nas sedes, assim como o porte de objetos de vidro, uso de entorpecentes, realização de churrasco, fogueiras e utilização de aparelhos sonoros.
As autoridades ambientais insistem que o cumprimento das regras é a principal medida para reduzir ocorrências e proteger a vida. O recado das operações é direto: preservar o patrimônio natural exige responsabilidade e consciência de quem busca lazer nas águas da Serra dos Órgãos.

Como se proteger das cabeças d’água e outros riscos
- Fique atento ao aumento súbito do volume do rio, capaz de arrastar pessoas e equipamentos em segundos
- Correntezas turvas e com detritos, que reduzem a capacidade de nado e de saída pelas margens
- Atenção às pedras escorregadias e força da água, elevando risco de quedas e traumatismos
- Isolamento do visitante, dificultando resgate em áreas sem sinal de telefone
- Atenção à mudança rápida do tempo nas serras, mesmo quando não chove no local do banho
- Ao notar alteração na cor da água, ruído mais forte a montante ou chegada de folhas e galhos, saia imediatamente para terreno elevado. Cabeça d’água é imprevisível e letal; prevenção é o único salva-vidas.
Outras regras de segurança a seguir
- Observar sempre a sinalização oficial e evitar poços com acesso proibido
- Checar a previsão do tempo para toda a bacia, não apenas para a cidade
- Não permanecer em cachoeiras durante trovoadas ou chuva fina persistente
- Identificar rotas de fuga e pontos altos antes de entrar na água
- Respeitar orientações de fiscais de parques e de equipes da Defesa Civil
- Evitar objetos de vidro e aparelhos sonoros, que atrasam evacuação
- Jamais levar animais domésticos para áreas naturais
- Manter distância de trechos estreitos do rio em dias abafados







