Maria Eduarda Maia
Um novo episódio de vandalismo no principal cemitério de Teresópolis voltou a chamar a atenção da população, após vídeos do local circularem nas redes sociais nas últimas semanas. As imagens mostram gavetas abertas e estruturas danificadas na quadra 34 do Cemitério Municipal Carlinda Berlim, o Caingá. O caso foi registrado na 110ª Delegacia de Polícia, passou por perícia criminal e está sendo investigado pela Polícia Civil, que busca identificar os responsáveis pelos danos. Assim como ocorreu em março deste ano, o trabalho do PRPTC (Polícia Regional Técnico Científica, da PCERJ) identificou indícios de que algum tipo de instrumento teria sido utilizado para a remoção de tampas ou para provocar danos nas estruturas.



“A gente conseguiu lá pegar vários fatores de vandalismo. Foi feito o registro de ocorrência na delegacia e a perícia criminal, que constatou o vandalismo e utilização de ferramentas para danificar esses túmulos. A polícia está investigando e trabalhando para encontrar quem está realizando esses atos de vandalismo”, pontuou o secretário de Obras e Serviços Públicos, Davi Serafim, em entrevista ao Diário nesta terça-feira (22).
Estrutura apresenta problemas
Construída há mais de 50 anos, a Quadra 34 está interditada pela Defesa Civil desde 2024 devido a problemas estruturais. Entre as condições identificadas no local estão o desprendimento de revestimentos e blocos cerâmicos, fissuras e rachaduras em diferentes pontos da estrutura, além de trechos com armaduras de ferro da laje expostas. Também foram apontadas deficiências nos sistemas de drenagem de águas pluviais e de necrochorume.


As condições da estrutura também exigem cautela para a realização das exumações. Segundo o secretário, existe o risco de desabamento durante os trabalhos, motivo pelo qual a Prefeitura aguarda o momento adequado para concluir os procedimentos. “Como é uma quadra muito antiga, existe o risco de começar a fazer a exumação e ela cair. Então, por isso, estamos aguardando para que não ocorra esse risco”, destacou.


Como medida para tentar dificultar novos acessos e reduzir a possibilidade de novos atos de vandalismo, a Prefeitura cercou a área enquanto as exumações não são concluídas e a demolição não pode ser realizada. “Fizemos isso para impedir que acontecesse novamente ou amenizar a situação, porque essa quadra só pode ser demolida a partir de 28 de outubro, que é a última data do sepultamento que a lei permite que seja feita a exumação”, explicou Davi.
Exumações e demolição
Não são realizados sepultamentos na Quadra 34 desde 2024, quando a área foi interditada pela Defesa Civil. Desde então, as exumações vêm sendo realizadas de acordo com o período legal previsto para a retirada dos restos mortais. Segundo a Secretaria Municipal de Serviços Públicos, ainda existem 415 exumações a serem feitas na área. A Prefeitura pretende concentrar os trabalhos em uma força-tarefa durante o mês de outubro. “Vamos fazer uma grande força-tarefa no mês de outubro para finalizar essas exumações”, disse Davi. A conclusão dos procedimentos permitirá o avanço para a demolição da estrutura. O destino da área ainda será definido pelo município, que poderá avaliar a construção de uma nova estrutura ou a manutenção do espaço isolado. A situação também é acompanhada pelo Ministério Público.


Após as exumações, os restos mortais seguem os trâmites legais para a destinação adequada, com previsão de incineração. Foto: O Diário
Extensão do cemitério dificulta fiscalização
A situação também chama atenção para a dimensão do Cemitério Municipal Carlinda Berlim e os desafios para fiscalizar toda a área. Criado em 1892, o Caingá é o principal cemitério de Teresópolis e está localizado entre os bairros Vale do Paraíso, Prata e Fonte Santa. O espaço possui aproximadamente dois quilômetros de extensão, com diferentes acessos e comunidades no entorno. Atualmente, conta com aproximadamente 3500 sepulturas, 2700 gavetas mortuárias e 1800 nichos, que são destinados ao depósito dos restos mortais após o período de permanências nas gavetas, dentro do processo de exumação. Somente na quadra 34 estão 714 gavetas. Nas quadras 37, 38 e 39, localizadas em uma região mais distante, estão as chamadas covas rasas. “É uma área muito grande, muito extensa para se vigiar e é uma área totalmente aberta com várias comunidades em torno do cemitério”, explicou Davi Serafim.
O cercamento de todo a área chegou a ser avaliado como uma possibilidade para aumentar a segurança. Segundo o secretário, porém, a medida é considerada de difícil execução diante das características do terreno e dos acessos existentes. “A gente já esteve lá vistoriando, inclusive o promotor acompanhou, vendo os acessos. É uma área que, na minha visão, é impossível o cercamento haja visto que tem vários moradores que acessam o cemitério, até por facilitar a chegada a sua residência, levando em conta o ponto final do ônibus que existe ali. Então, fica muito mais simples entrar pelo cemitério do que vir pela Rio-Bahia e subir mais de 200 degraus”, ressaltou Davi, frisando que são diversas servidões que dão acesso para a área do cemitério.
Caingá não é o único cemitério de Teresópolis
O Cemitério Carlinda Berlim é o principal de Teresópolis, mas não é o único, como muitos podem pensar. O município conta com outros oito campos-santos, distribuídos pelos distritos e também administrados pela Secretaria Municipal de Serviços Públicos. Entre eles estão os cemitérios de Canoas, Venda Nova, Vale Alpino, Vieira, Bonsucesso, Santa Rita, Serra do Capim e Rio Preto. As estruturas são menores e apresentam características diferentes, como áreas cercadas, covas rasas e particularidades relacionadas à localização e às condições do terreno. Em Canoas, por exemplo, são 14 sepulturas e 67 covas rasas, enquanto Venda Nova possui 256 túmulos e 109 covas rasas. Os demais campos-santos também têm estruturas de menor porte, distribuídas entre o Segundo e o Terceiro Distritos. Ao todo, os nove cemitérios municipais fazem parte da estrutura administrada pela Secretaria Municipal de Serviços Públicos.





