Uma planilha apreendida pela Polícia Federal durante investigação que levou ao indiciamento do deputado estadual Rodrigo Bacellar revela anotações com cargos, áreas de influência e pedidos atribuídos a parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
O material, encontrado no computador do então chefe de gabinete de Bacellar, traz colunas intituladas “o que tem” e “pedido”, indicando possíveis interesses de deputados na estrutura administrativa do Governo do Estado. As informações foram reveladas em reportagem do g1, assinada por André Coelho Costa, Gabriel Barreira e Marco Antônio Martins, da TV Globo e g1 Rio.
Segundo a Polícia Federal, os registros relacionados a 11 deputados estaduais chamaram a atenção dos investigadores. Entre os nomes citados está o do deputado Júlio Rocha (Agir), que foi candidato a prefeito de Teresópolis nas últimas eleições e tem atuação política ligada à Região Serrana do Rio de Janeiro.
Além de Júlio Rocha, aparecem na planilha os deputados Arthur Monteiro (União Brasil), Carlinhos BNH (PP), Célia Jordão (PL), Dr. Deodalto (PL), Douglas Ruas (PL), Felipinho Ravis (PP), Guilherme Delaroli (PL), Rodrigo Amorim (União Brasil), Thiago Rangel (Avante) e Tia Ju (Republicanos).
De acordo com a reportagem, a Polícia Federal não afirma que todos os pedidos tenham sido atendidos, mas destaca que o conteúdo da planilha indica tentativas de articulação política envolvendo cargos e controle de áreas estratégicas do governo estadual.
O g1 informou que entrou em contato com todos os parlamentares citados para ouvir suas versões. As respostas e notas oficiais foram publicadas na íntegra ao final da matéria original.
A investigação também resultou no indiciamento de Rodrigo Bacellar, do empresário conhecido como TH Joias e de outras três pessoas, por suspeitas de ligação com o Comando Vermelho, o que é negado pelos envolvidos.
Atuação do Governo do Estado em Teresópolis
Além das articulações políticas citadas na investigação, o Governo do Estado do Rio de Janeiro mantém estruturas, órgãos e áreas de atuação permanentes em Teresópolis, por meio de serviços públicos e unidades administrativas que atendem diretamente a população do município e da Região Serrana.
Entre os principais destaques está o Parque Estadual dos Três Picos, unidade de conservação administrada pelo Governo do Estado por meio do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). O parque abrange parte do território de Teresópolis e de outros municípios da região, sendo responsável pela preservação de extensas áreas de Mata Atlântica, além de contar com trilhas, cachoeiras, ações de educação ambiental e fiscalização ambiental realizadas por servidores estaduais.

O município também é atendido por órgãos estaduais como o Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran-RJ), responsável por serviços ligados à habilitação, veículos e fiscalização, e pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae).
No caso da Cedae, apesar da concessão dos serviços de água e esgoto à iniciativa privada no município, a companhia continua mantendo sede e estrutura administrativa em Teresópolis, exercendo funções institucionais, operacionais e de apoio, conforme o modelo adotado pelo Governo do Estado após a privatização parcial do sistema.
Na área social, há atuação da Fundação Leão XIII, vinculada ao Governo do Estado, que desenvolve programas de assistência social voltados a populações em situação de vulnerabilidade, inclusive em municípios da Região Serrana.
O município também conta com a presença da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), responsável pela oferta de cursos técnicos e de qualificação profissional, desempenhando papel importante na formação de mão de obra e no acesso à educação profissional para jovens e adultos da cidade e de municípios vizinhos.
Além disso, diversas secretarias estaduais, como as de Saúde, Educação, Meio Ambiente e Transporte, executam políticas públicas em Teresópolis por meio de convênios, programas, repasses e ações descentralizadas, reforçando a presença administrativa do Estado no município, mesmo sem sedes centrais instaladas na cidade.

O Diário entrou em contato com o deputado Julío Rocha para agendar uma entrevista para o programa Hélio Carracena para explicar a situação. O deputado ainda não respondeu a mensagem. Arquivo
Com informações do g1 Rio





