Marcello Medeiros
‘Olá, senhor. Aqui é do seu banco, seu cartão deu problema e preciso da sua senha para resolver. Se não fizer isso, ele será bloqueado’. A história é bem estranha, mas, infelizmente, ainda há muita gente que acredite nesse tipo de situação ou em promessas de lucro rápido e fácil e acaba caindo na lábia dos chamados ‘171’, os estelionatários que têm se aproveitado da facilidade promovida pela tecnologia para tomar dinheiro dos incautos. Só para se ter uma ideia da escalada do número de casos de estelionato em Teresópolis, no ano passado foram 1473 comunicações de ocorrências do tipo feitas na 110ª Delegacia de Polícia. O número está próximo do anotado no ano anterior, mas pode ser ainda maior. Isso porque, segundo as autoridades de segurança, há histórias tão absurdas aplicadas para tomar dinheiro que em muitos casos as vítimas têm até vergonha de registrar o fato.

O crescimento do estelionato virtual tem ocorrido ao longo dos anos, pois os criminosos aproveitam recursos como WhatsApp, redes sociais, sites falsos e engenharia social para enganar vítimas. Os idosos continuam sendo um dos grupos mais visados por fraudes financeiras online. O balanço do que ocorreu na esfera policial em 2025 em Teresópolis acaba de ser divulgado pelo Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (ISP-RJ), que realiza a estatística de acordo com as comunicações nas delegacias de polícia. O crescimento em relação a 2024 foi de ‘apenas’ 1%. Separando por mês, os números do ano passado foram os seguintes: Janeiro – 112 comunicações; Fevereiro – 117; Março – 129; Abril – 127; Maio – 112; Junho – 123; Julho – 155; Agosto – 134; Setembro – 112; Outubro – 111; Novembro – 137; Dezembro – 104. A seguir, veja os principais tipos de estelionato virtual investigados e combatidos pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.

GOLPES BANCÁRIOS E FRAUDES FINANCEIRAS ONLINE
- Considerados um dos tipos mais frequentes e lucrativos, especialmente os que envolvem enganar a vítima para enviar PIX, TED ou outras transferências.
- Golpes com “falso atendimento de banco ou instituição oficial” — em que o estelionatário se passa por funcionário da instituição ou serviço público para obter dados bancários, códigos de autenticação (ex.: códigos de WhatsApp) ou dinheiro.
- Fraudes que envolvem falsos empréstimos, aplicações ou financiamentos oferecidos online e que levam idosos a enviar dinheiro acreditando tratar-se de algo legítimo.
- A Polícia Civil do RJ tem realizado operações específicas contra grupos que exploram esses golpes, especialmente com vítimas idosas. CLONAGEM DE CONTAS E GOLPES VIA WHATSAPP / REDES SOCIAIS
- Golpes em que o criminoso: convence o usuário a repassar o código de ativação do WhatsApp (ou outro app), clona o aplicativo da vítima em outro aparelho e então usa essa conta para pedir dinheiro ou dados aos contatos da vítima.
- Essa modalidade tem sido amplamente registrada pela Polícia Civil — clonando redes sociais ou mensagens para enganar amigos e familiares da vítima com pedidos falsos.
PHISHING, SMISHING E VISHING
Estes são grandes vetores de fraudes online usados por estelionatários para obter dados:
- Phishing: e-mails ou sites falsos que se passam por instituições reais para capturar dados bancários e senhas.
- Smishing: mensagens de texto (SMS) fraudulentas com links maliciosos ou pedidos de dados.
- Vishing: ligações telefônicas em que o golpista finge ser representante de banco ou empresa para enganar.
ESTELIONATO SENTIMENTAL / “ROMANCE SCAM”
- Crimes em que o fraudador cria um vínculo emocional pela internet, geralmente em redes sociais ou apps de relacionamento, e depois: pede dinheiro sob falsas promessas (viagens, problemas familiares, emergências), manipula a vítima para transferências reiteradas.
- Esse tipo foi objeto de operações policiais, incluindo prisões no RJ em 2025, com vítimas que chegaram a enviar grandes quantias.
PERFIS FALSOS PARA GOLPES VARIADOS
- Golpes praticados com perfis falsos criados nas redes (seja para vender produtos, fornecer serviços falsos ou pedir dinheiro sob pretexto enganoso).
OUTRAS SITUAÇÕES SOBRE GOLPES
- Embora não sejam sempre formalmente registrados como “estelionato”, a Polícia Civil e órgãos parceiros alertam para crimes virtuais correlatos, tais como:
- Sextorsão / extorsão digital, com exigência de dinheiro para não divulgar conteúdo íntimo.
- Grooming e exploração de menores, não tecnicamente “estelionato” mas crimes virtuais graves combatidos pela DCAV-RJ (Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima).
- Diversos tipos de fraude relacionados a roubo de identidade e invasão de contas também são tratados por delegacias especializadas em cibercrimes.






