Luiz Bandeira
As recentes mudanças no trânsito da região central de Teresópolis voltaram a colocar em pauta a necessidade de intervenções na ponte sobre o Rio Paquequer, localizada na Avenida Lúcio Meira. Após a implantação da faixa exclusiva para ônibus e da ciclofaixa bidirecional em trecho da Reta, uma limitação antiga da estrutura ficou ainda mais evidente: o estreitamento das pistas exatamente no ponto de travessia do rio, provocando um afunilamento no fluxo de veículos. E agora, sem parte da ciclofaixa, a impressão que se tem é que o motorista, se não estiver atento, pode seguir mais à esquerda e atingir a estrutura da ponte, na pista sentido Alto.
As alterações fazem parte de um modelo de reestruturação viária elaborado com base em estudo da SEMOVE (Federação das Empresas de Mobilidade do Estado do Rio de Janeiro), que apontou a necessidade de priorizar o transporte coletivo e reorganizar a circulação de ciclistas. Com a relocação da ciclofaixa no trecho onde há a ponte, é inevitável a concentração de veículos na faixa central, aumentando a retenção em um dos pontos mais movimentados da cidade.

Segundo apuração extraoficial, a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade Urbana estuda uma alternativa para minimizar esse gargalo. A proposta seria modificar o projeto original da ponte, reduzindo parte de sua estrutura lateral para ampliar a largura disponível às pistas de rolamento e, consequentemente, melhorar a fluidez do trânsito.
Até o momento, a Prefeitura não anunciou oficialmente o projeto nem apresentou estudos técnicos sobre uma eventual intervenção na ponte. Entretanto, a adequação de estruturas históricas para atender às atuais demandas da mobilidade urbana não seria inédita em Teresópolis. Na Rua Duque de Caxias, uma ponte da região central já passou por obras de readequação que modificaram seu projeto original, ampliando o espaço destinado à circulação de veículos.

Estrutura marcou o desenvolvimento da cidade
Além da importância para a mobilidade atual, a ponte possui relevante valor histórico. De acordo com pesquisa realizada pelo historiador Wanderley Peres no acervo do Pró-Memória Teresópolis, até 1953 não existia passagem de veículos naquele trecho da Avenida Lúcio Meira em direção ao Vale do Paraíso. Após a Rua Francisco Sá havia um braço do Rio Paquequer, formando uma pequena ilha conhecida como “Ilha da Saúde”.
Foi no último ano da gestão do prefeito Roger de Souza Malhardes que a ponte foi construída, criando uma nova ligação viária que representou um importante avanço para o desenvolvimento urbano do município. A obra facilitou o deslocamento entre diferentes regiões da cidade e impulsionou a expansão da malha viária central.
Mais de sete décadas depois de sua inauguração, a estrutura continua desempenhando papel fundamental na mobilidade urbana. Mesmo suportando um volume de tráfego muito superior ao previsto quando foi projetada, a ponte permanece preservada, demonstrando a qualidade da engenharia empregada na época. Em contrapartida, o desenho original, adequado à realidade dos anos 1950, hoje se tornou um dos principais pontos de estrangulamento da Avenida Lúcio Meira, concentrando retenções frequentes nos horários de maior movimento.







