Isla Gomes
A chegada da primavera costuma trazer aumento das chuvas e da umidade, condições que favorecem a presença de mofo, ácaros e pólen no ambiente. Esses fatores podem desencadear ou agravar alergias respiratórias e de pele em pessoas de todas as idades, mas a atenção deve ser redobrada com as crianças. Segundo o pediatra Dr. Raimundo Amorim, as mudanças características da estação podem contribuir para o surgimento de sintomas respiratórios. “A primavera normalmente é um período de chuva e aumento da umidade. Com isso, começam a surgir problemas relacionados ao pólen, ao mofo e aos ácaros. As crianças respiram essas partículas e podem começar a apresentar problemas respiratórios”, explica. Entre os sinais que podem ser observados pelos pais estão espirros, nariz seco ou escorrendo, secreção nasal, coceira no nariz, tosse e, em alguns casos, falta de ar.
Alterações na pele, como manchas, também podem indicar uma reação alérgica. “A criança pode começar a espirrar, apresentar o nariz seco ou com secreção, coceira no nariz, tosse e, às vezes, falta de ar. Também podem surgir manchas no corpo, relacionadas a alergias de pele”, afirma o pediatra. Para o especialista, perceber os primeiros sintomas é fundamental para evitar a evolução do quadro. “A partir do momento em que os pais percebem esses sinais, é importante tomar as providências o mais rápido possível para evitar que o problema evolua para outras complicações respiratórias”, alerta o doutor.
Cuidados dentro de casa
Durante a primavera, o pólen liberado por plantas e flores pode ficar suspenso no ar e desencadear reações alérgicas. Já o aumento da umidade favorece a proliferação de mofo e ácaros, que podem se acumular dentro de casa. “Nessa época surgem muito mofo, ácaros e pólen, que é provocado pelas plantas e pelas flores. O pólen pode ser carregado pelo ar. Por isso, é importante manter portas e janelas fechadas nos períodos em que há muita entrada dessas partículas”, orienta Raimundo Amorim. A limpeza dos ambientes também merece atenção. Tapetes, cortinas e bichos de pelúcia podem acumular poeira e ácaros e, segundo o pediatra, devem ser higienizados com frequência. Sempre que possível, esses objetos devem ficar fora do quarto das crianças. “Se for encontrado mofo em casa, é preciso providenciar a retirada o quanto antes. Também é importante fazer a limpeza frequente dos guarda-roupas, travesseiros e tapetes para evitar o acúmulo de poeira, mofo e ácaros.” A hidratação também é importante para a saúde das crianças durante períodos de sintomas respiratórios. “A hidratação é muito importante. É preciso cuidar da criança e evitar os fatores que podem desencadear as alergias e os problemas respiratórios”, destaca o médico. Sem os cuidados necessários, quadros alérgicos podem se manifestar na pele e no sistema respiratório. “Podem surgir manchas no corpo, que são manifestações de alergia na pele, além de outros problemas respiratórios, como bronquiolite, que é muito comum em crianças. Por isso, os cuidados são importantes para evitar a evolução do quadro”, pontua.
Quando procurar atendimento
Os cuidados em casa ajudam a reduzir a exposição aos agentes que desencadeiam alergias, mas não substituem a avaliação médica. Diante de sintomas respiratórios, especialmente falta de ar, a recomendação é procurar atendimento. “No momento em que os pais verificarem que a criança está com o nariz escorrendo, secreção nasal, tosse, coceira no nariz ou algum grau de falta de ar acompanhado de tosse, é importante procurar assistência médica imediatamente”, alerta o pediatra. O cuidado também vale para adultos, que podem apresentar sintomas alérgicos durante a primavera.
Animais de estimação também merecem cuidados
Outro ponto de atenção é a presença de animais de estimação. O especialista explica que cães e gatos não precisam ser retirados de casa, mas a higiene deve estar em dia. “Não é que não possa ter um animal dentro de casa. Pode ter gato ou cachorro, não há problema, desde que o animal seja bem cuidado e mantido limpo. O objetivo é evitar o excesso de pelos e outros resíduos no ambiente, principalmente porque as crianças podem inalá-los e desenvolver ou agravar uma alergia”, afirma Raimundo Amorim.



