Maria Eduarda Maia
A convivência entre diferentes gerações é uma oportunidade de aprendizado que vai além da sala de aula. O encontro entre jovens e idosos permite compartilhar histórias, experiências e valores, fortalecendo laços de respeito, empatia e solidariedade. Foi com esse propósito que alunos do Centro Educacional Roger Malhardes (CEROM), do bairro São Pedro, visitaram a Instituição de Longa Permanência para Idosos São Vicente de Paulo, no mesmo bairro, como parte das atividades do projeto ‘Reciprocidarte’. A iniciativa promove a aproximação entre estudantes e idosos por meio da escuta, do acolhimento e da troca de vivências.
Para a diretora-geral do CEROM, Cíntia Cunha Castro, promover esse encontro entre gerações é fundamental para a formação dos estudantes. “É uma interação necessária. A gente precisa promover essa convivência entre os jovens e os idosos, com diferentes idades e realidades. Um gesto de carinho e acolhimento faz a diferença no momento certo. Os jovens precisam saber que eles são os idosos de amanhã e que precisam ter essa empatia”, destaca.1
Segundo ela, o principal objetivo é despertar nos alunos valores que nem sempre são vivenciados no dia a dia. “Queremos desenvolver a empatia. Muitos não têm oportunidade de conviver com idosos e é importante entenderem que essas pessoas não podem ser abandonadas. Os sorrisos deles quando recebem os jovens são gratificantes”, declarou.

Atividades pensadas pelos estudantes
As atividades desenvolvidas durante as visitas também são pensadas pelos próprios estudantes. A proposta é que eles tenham liberdade para construir esse momento de interação. “Eles dão ideias de bingo, música, pintura, dança. Nós ouvimos e desenvolvemos essas propostas. Já fizemos campanhas para arrecadar meias, festa junina e arrecadação de alimentos. Eu deixo livre porque, senão, a interação não acontece. Eles mesmos vão desenvolvendo”, explica Cíntia. O envolvimento dos alunos começa muito antes da visita. “Eles se preparam dias antes e ficam superanimados”, conta a diretora, que afirma que o projeto já mobiliza diferentes escolas da rede municipal, organizadas por bairros para visitar a instituição ao longo do ano.

Olhar da escola
Para o professor de Geografia Gabriel Pires, experiências como essa ampliam a visão de mundo dos estudantes e reforçam o papel social da escola. “Esse contato é muito importante para os alunos entenderem qual é a situação dos idosos hoje em dia e perceberem que nem todos são assistidos pelos familiares. Nós, professores, e a escola temos um papel fundamental de formar cidadãos”, pontuou. Ele acredita ainda que a iniciativa também ajuda a diminuir a distância entre as gerações. “Essa geração me parece um pouco mais distante das anteriores em termos de costumes, valores e ética. Esse contato está sendo muito importante e o projeto só tem a ganhar com isso.”.

Histórias que emocionam
Entre os estudantes, a experiência também deixou marcas. Para a aluna do 7º ano, Isadora Jimenez, a visita foi cercada de emoção e aprendizado. “É uma experiência nova para mim. Nunca tinha ido a um lugar como esse antes e até me emocionei em alguns momentos. Acho muito legal porque podemos escutar as histórias deles. A escola até propôs que levássemos lembranças, porque eles não recebem visitas toda hora”, declarou, frisando que assim eles podem se sentir acolhidos.

Depois de ouvir os relatos dos idosos, Isadora conta que passou a enxergar a vida de outra forma. “Foi muito emocionante conhecer a história deles e saber o quanto se esforçaram. A gente aprende como tratar as outras pessoas e também como lidar com as dificuldades. Eles já passaram por muitas coisas e nossa geração reclama de muita coisa”, disse. O estudante Davi Severino, do 8º ano, também destaca o impacto da visita. “Eu estava com meus amigos e descobrimos várias histórias. Teve gente que até se emocionou, porque nem todo mundo tem esse contato direto com os idosos.”, pontuou, dizendo que tem vontade de repetir a experiência.







