Luiz Bandeira
Moradores da Rua Michel R. Hucker, no bairro Granja Florestal, enfrentaram mais uma noite de transtornos provocados pelas fortes chuvas e por uma obra em andamento na via. A falta de drenagem adequada e o acúmulo de detritos resultaram na invasão de lama, pedras e sedimentos em residências localizadas na parte mais baixa da rua. O fato, que havia ocorrido no domingo (01), voltou a se repetir na madrugada desta quinta-feira (05).
Um dos atingidos foi o professor Álvaro Luiz, morador da região, que relatou que a água desceu com grande intensidade, carregando terra e pedras diretamente para dentro de sua casa. “A água veio com muita força, como se tivesse rompido um cano. A gente ficou praticamente ilhado, sem ter o que fazer”, afirmou.
Segundo ele, a rua funciona como uma espécie de calha a céu aberto, já que não há sistema de captação de águas pluviais no trecho superior. “Bueiro só tem mais embaixo. Daqui pra cima nunca teve. A água sempre desceu pela rua e, com a obra aberta, a situação piorou muito”, explicou.



Residências da Rua Michel H. Rucker ficaram tomadas por lama e detritos após a forte chuva registrada no bairro Granja Florestal. Foto: Luiz Bandeira / O Diário
Álvaro tentou improvisar barreiras com pedaços de madeira e, junto com vizinhos, chegou a fazer desvios para conter o fluxo, mas sem sucesso. O resultado foi a perda de móveis, como um sofá, além de muita lama acumulada no interior da residência. Apesar dos danos materiais, ele ressalta que a estrutura da casa não foi comprometida. “Graças a Deus não foi estrutural, mas podia ter sido muito pior.”
O morador questiona a forma como a obra foi executada. Segundo ele, após a abertura de valas, o local não foi devidamente recomposto. “Todo mundo sabe que quando se faz um buraco, tem que fechar e deixar como antes. Eles deixaram aberto, só com terra solta. Com a chuva, virou outra calha”, criticou.
A empresa responsável pela obra, Águas de Imperatriz, enviou um representante ao local e o Corpo de Bombeiros também foi acionado no domingo, quando o problema ocorreu pela primeira vez. O episódio voltou a se repetir nesta semana. De acordo com Álvaro, foram repassadas orientações sobre os trâmites legais e a possibilidade de indenização. Ele também relatou prejuízos profissionais, já que precisou faltar ao trabalho. “Sou professor da rede estadual e tive que avisar a escola. Hoje estou perdendo o dia de serviço por causa dessa situação.”

Outro morador afetado foi o comerciante Olívio Rabello Filho, que vive no bairro há 46 anos. A residência dele, localizada logo abaixo da obra, também foi invadida pela enxurrada. “A chuva arrastou tudo pra dentro da minha casa. Foi lama pra todo lado. Fiquei até três horas da manhã lavando”, contou.
Segundo Olímpio, somente no último episódio, a quantidade de areia acumulada chegou a equivaler a cerca de dois caminhões. Funcionários da empresa auxiliaram na retirada do material. “Desde as oito da manhã estamos puxando essa areia.”
Ele confirma que a empresa se prontificou a ajudar com os prejuízos materiais, orientando que os moradores apresentem orçamentos para ressarcimento. Ainda assim, critica o abandono histórico do bairro. “A gente briga há anos por um sistema de drenagem. Disseram que existiam quatrocentas manilhas para essa rua, mas ninguém sabe onde foram parar. Sem coleta de água da chuva, tudo que fazem aqui a enxurrada leva embora.”

Medo da chuva continua
A equipe do Diário de Teresópolis esteve no bairro nesta quinta-feira (05) e pôde verificar que operários se dedicavam a reparar os estragos e a construir uma barreira para impedir que detritos arrastados pela chuva voltassem a entrar nas residências do bairro.
Porém os moradores temem que novos episódios ocorram, já que o período chuvoso ainda está em andamento, e cobram providências definitivas do poder público e da empresa responsável pela obra para evitar novos prejuízos.





