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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Secretaria da Mulher de Teresópolis oferece acolhimento a mulheres trans

Secretária explica como funciona o atendimento, os encaminhamentos e atuação integrada com outros órgãos da rede de proteção

Maria Eduarda Maia

O ataque contra uma mulher trans de 32 anos, na última semana, em Teresópolis, reacende um alerta sobre como funciona a rede de acolhimento e atendimento oferecida a mulheres trans no município. A vítima foi esfaqueada após uma batalha de rimas, teve o pulmão perfurado e permanece internada. Cinco homens foram presos, e a Polícia Civil investiga o caso. Diante desse episódio, surge uma questão importante: onde mulheres trans podem buscar acolhimento e orientação? No município, a Secretaria de Direitos da Mulher oferece esse atendimento. Para entender melhor como funciona o serviço e quais são os caminhos para quem precisa de ajuda, a reportagem do Diário conversou com a secretária da pasta, Katia Borges.

Segundo ela, a Secretaria de Direitos da Mulher atende mulheres trans da mesma forma que acolhe as demais mulheres que procuram o órgão. O atendimento começa a partir da identificação da situação e pode envolver diferentes serviços da rede municipal. “A Secretaria da Mulher trata de todo aquele que se identifica com gênero feminino”, explicou a secretária.

A secretaria de Direitos da Mulher está localizada na Avenida Lúcio Meira, 375, no 2º piso, na Várzea. Foto: Maria Eduarda Maia / O Diário

Nos casos de violência, após o registro da ocorrência, a Secretaria pode iniciar um processo de acompanhamento. De acordo com Katia, as informações chegam ao órgão e a equipe de busca ativa entra em contato com a vítima. “Depois de um caso grave, a mulher, após passar pelo Núcleo de Atendimento à Mulher (NUAM) e fazer o registro de ocorrência, esse registro vem pra gente e começamos com o nosso setor de busca ativa a entrar em contato com essa mulher”, explicou.

Equipe especializada
A partir desse primeiro contato, a mulher pode ser encaminhada ao Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), onde passa a contar com uma equipe multidisciplinar. De acordo com a secretária, o atendimento envolve assistentes sociais, psicólogas e uma advogada. A equipe realiza os atendimentos necessários e acompanha a vítima durante o processo de recuperação e reconstrução da autonomia. “O setor faz a busca, começa a marcar os atendimentos e essa mulher fica sendo acompanhada pela secretaria até de forma que ela possa caminhar sozinha nesse período”, afirmou Katia.

A secretária destaca ainda que os profissionais são preparados para lidar com situações de violência. As psicólogas realizam uma escuta qualificada, enquanto as assistentes sociais também podem fazer visitas às residências das vítimas. Na área jurídica, a coordenadora do CRAM, doutora Mariana Portugal, auxilia as mulheres com dúvidas sobre os procedimentos e realiza encaminhamentos para a Defensoria Pública quando necessário.

A partir do primeiro contato, a mulher trans pode ser encaminhada ao Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), onde passa a contar com uma equipe multidisciplinar. Foto: Maria Eduarda Maia / O Diário

Vulnerabilidade e preconceito
Além dos casos de violência, mulheres trans também chegam à Secretaria apresentando outras situações de vulnerabilidade. Segundo Katia Borges, nesses casos o atendimento pode envolver outros equipamentos da rede de assistência social, como o CRAS e o CREAS. Outra questão apontada pela secretária é o preconceito. A equipe avalia cada situação para entender se a violência sofrida está relacionada ao gênero ou se há outros fatores envolvidos. “A gente precisa olhar se essas mulheres sofreram violência por conta do gênero. Muitas vezes acontece por conta do gênero, mas outras vezes também não. E aí a gente precisa avaliar todo o quadro”, explicou.

Segundo a secretária, cada caso é analisado individualmente e, a partir dos relatos e das informações disponíveis, é elaborado um acompanhamento para a vítima.

Rede de proteção integrada
O atendimento também envolve uma articulação com outros órgãos. A Secretaria mantém parceria com instituições como Defensoria Pública, Ministério Público, Polícia Civil e Polícia Militar. A rede inclui ainda o Centro de Cidadania LGBT, que pode auxiliar a equipe em situações específicas relacionadas à população trans. “Às vezes a mulher trans está começando dando início nessa transição, então a gente precisa entender como lidar com tudo isso. Então o Centro de Cidadania também colabora com a gente em tudo em prol da vítima para atender da melhor forma possível”, afirmou Katia. A integração permite que as equipes compartilhem informações e façam os encaminhamentos necessários de acordo com cada situação.

Capacitação das equipes
Para a secretária, a preparação dos profissionais é fundamental para garantir um atendimento adequado. Segundo Katia, as equipes participam de cursos e capacitações promovidos por diferentes instituições. “A gente tem os nossos outros equipamentos, que também estão fora da Secretaria, que têm essa capacitação. Elas estão sempre fazendo cursos. Cursos do TJ, curso do Ministério Público, cursos através da Secretaria Estadual”, disse. A intenção, segundo ela, é manter os profissionais atualizados para lidar com as diferentes demandas que chegam aos equipamentos da rede de proteção.

Onde buscar ajuda
A Secretaria orienta que mulheres trans que estejam sofrendo violência, enfrentando ameaças ou que simplesmente tenham dúvidas sobre seus direitos procurem os equipamentos da rede. Segundo Katia Borges, o atendimento está disponível na própria Secretaria e também por meio dos equipamentos vinculados à pasta. “Onde ela chegar, ela vai ser bem atendida e as dúvidas vão ser retiradas”, afirmou. A secretaria de Direitos da Mulher está localizada na Avenida Lúcio Meira, 375, no 2º piso, na Várzea. O atendimento é de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h, Para entrar em contato, os números são (21) 98805-4391(WhatsApp) e (21) 2742-3352.

Teresópolis 02/09/2026
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