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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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SEM AEDES AEGYPTI? Prefeitura não informa o número de casos de dengue em Teresópolis

Enquanto Secretaria de Estado de Saúde alerta para grande alta, município não fala sobre os dados e ou campanha nos bairros

Marcello Medeiros

“Dengue avança em ritmo acelerado no estado do Rio de Janeiro. O estado do Rio de Janeiro registra mais de mil casos de dengue semanais há ao menos sete semanas consecutivas, segundo o monitoramento de arboviroses da Secretaria de Estado de Saúde (SES)”. O alerta foi divulgado no início do mês pelo governo estadual, indicando que, somente primeira semana de 2024, foram notificados mais 1.014 casos da doença, número que ainda pode estar subestimado em função do atraso no aparecimento das notificações no sistema. No material encaminhado à imprensa, a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, informou que os índices de propagação da doença estão muito acima do esperado para esta época do ano e continuam crescendo de forma mais acelerada. “Estimamos que os casos inseridos no sistema nas últimas semanas representem apenas metade daquilo que está acontecendo na prática”, afirma. Agora, finalizando Janeiro a preocupação é ainda maior. E em Teresópolis, como está a situação? Reflete a realidade dos municípios da Região Metropolitana? Infelizmente, não é possível ter certeza sobre o que está ocorrendo por aqui porque o governo municipal não divulga essa informação. Desde que foi feito o alerta acima, amplamente divulgado, o Diário tem tentado esclarecer a situação para, quem sabe, tranquilizar o teresopolitano em relação a esse preocupante tema. Porém, a assessoria de comunicação tem ignorado todas as solicitações, parecendo que os representantes do governo municipal desconhecem a gravidade de se ignorar um possível alastramento de doenças como a dengue ou outras causadas pelo mosquito Aedes aegypti. Pesquisando no site e no canal do YouTube da prefeitura, constatamos são muito desatualizadas as publicações sobre o tema.

Grande mídia tem alertado para a escalada da doença em todo o país, ações para combater o mosquito da dengue e como deve proceder quem for infectado. Em Teresópolis, parece que o mosquito não tem feito nenhuma “vítima”. Foto: Reprodução


Analisando dados da Secretaria de Estado de Saúde, percebemos que pode haver também uma falha na comunicação do número de casos no município ao governo estadual, tamanha disparidade de notificações se comparando os três grandes da Região Serrana. Em 2024, “nenhum caso de dengue em Teresópolis”, enquanto Petrópolis contabilizou 165 e Nova Friburgo, 230 – somente até esta quarta-feira. Porém, em 2023 é que essa diferença chama a atenção: na terra de Pedro foram 620 casos de dengue e na nossa vizinha acessada pela RJ-130, 836. Enquanto isso, por aqui foram “apenas 50”. Em 2021, Teresópolis informou sete casos, outros 15 em 2020 e 38 no ano de 2019. Ou seja, sempre muito abaixo dos vizinhos que têm população e condições climáticas semelhantes.


Teresópolis não receberá vacina
O Ministério da Saúde informou que irá priorizar a faixa etária de 6 a 16 anos na aplicação da vacina contra a dengue. O país irá adquirir 5,2 milhões de doses da Qdenga, fabricada pelo laboratório japonês Takeda, além de receber doações. O quantitativo irá possibilitar vacinação de até três milhões de pessoas, já que o esquema vacinal prevê duas doses. De acordo com o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, a faixa etária é preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e recomendada pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização, composta por especialistas. “Dentro desse grupo [6 a 16 anos], vamos ver qual é o melhor grupo etário para ter melhor resultado epidemiológico, evitando hospitalizações e mortes”, explicou o diretor. Agora, se por um lado a notícia boa sobre uma vacina, por outro a informação divulgada pelo governo federal que Teresópolis não está entre os municípios que receberão o imunizante, assim como os outros da Região Serrana.

Casos e morte
Em 2023, o estado do Rio de Janeiro registrou 51.171 casos e 25 mortes por dengue, segundo a SES. O número de casos é quase cinco vezes maior que o de 2022, quando foram 11.432 notificações e 16 óbitos. “A Secretaria de Estado de Saúde tem reforçado as ações de treinamento no manejo da dengue para médicos e enfermeiros dos municípios e de sua rede própria, além de fornecer suporte e orientação aos municípios. É preciso intensificar os esforços para a eliminação de focos de mosquitos e a coleta de amostras de casos suspeitos de dengue para envio ao Lacen, que é o laboratório oficial do governo do Estado.”
Segundo a superintendente de Informação Estratégica em Vigilância e Saúde da SES-RJ, Luciane Velasque, as regiões que mais preocupam neste momento são as Baixadas Litorâneas, com uma incidência muito maior do que a esperada para este período, e a Metropolitana I (Capital e Baixada Fluminense), que tem o maior número de casos.
Na região Metropolitana I, é observada tendência de crescimento rápido do número de casos estimados, considerando o atraso das notificações, principalmente nos municípios do Rio de Janeiro, Itaguaí e Nova Iguaçu. No município do Rio, foram notificados 23.542 casos de dengue em 2023, e 492 casos já foram registrados em 2024, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. A incidência da doença é maior na Área Programática (AP) 5.2, que engloba bairros nas regiões de Campo Grande e Guaratiba. Nessa área, houve quase mil casos de dengue para cada 100 mil habitantes em 2023.


Edição 22/02/2024
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