Marcello Medeiros
A quinta-feira (12) começou com o trecho de serra da rodovia Rio-Teresópolis fechado novamente. Um caminhão baú, que teria ficado sem freios, colidiu contra um talude nas proximidades do quilômetro 97 e ficou com a carroceria atravessada na pista, com parte da carga espalhada e impedindo totalmente a passagem. Foi o segundo acidente envolvendo um grande veículo nos últimos dias – no sábado, três pessoas morreram após um caminhão atingir uma van da prefeitura. A situação tem ocorrido com certa frequência, envolvendo também ônibus. Em 2012, por exemplo, 14 pessoas morreram após um coletivo da Viação 1001 passar direto em uma curva e cair em ribanceira. Com tantos casos, fica o questionamento se a criação de áreas de escape laterais à rodovia não seria importante para evitar a perda de vidas na BR-116. Por isso, a reportagem do Diário questionou a concessionária responsável pela rodovia federal sobre obra de tamanha importância.

De acordo com a EcoRioMinas, “as equipes estão preparando o estudo de viabilidade para a implantação do projeto”. Porém, apesar da sinalização dessa embrionária ação, ainda não há informações detalhadas e nem de previsão para o início das obras. As chamadas ‘áreas de escape’, dispositivos de segurança em declives acentuados de rodovias, compostos por caixas de brita ou argila expandida, projetados para parar veículos desgovernados (especialmente pesados) que perderam o freio. Localizadas em pontos críticos, elas funcionam como rampas de desaceleração que dissipam a energia cinética, salvando milhares de vidas ao evitar colisões.

As rampas longas, comumente com mais de 100 metros, dispostas na lateral da pista, geralmente são posicionadas em descidas de serras, antes de curvas perigosas, onde o risco de falha nos freios é maior. Elas são capazes de parar caminhões de grande porte (57 toneladas) a alta velocidade.


As rampas longas, comumente com mais de 100 metros, dispostas na lateral da pista, geralmente são posicionadas em descidas de serras, antes de curvas perigosas, onde o risco de falha nos freios é maior. Foto: DER/PR
Questão ambiental pode ser problema
No caso da BR-116, porém, o corte de grandes áreas laterais à rodovia acaba tendo que passar por uma outra grande discussão, visto que a estrada atravessa o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, quem deve discutir a licença ambiental, através do ICMBio.
O grave acidente com o ônibus da 1001
Em 22 de outubro de 2012, um ônibus que havia saído de Itaperuna e seguia para o Rio de Janeiro perdeu o controle no quilômetro 102 da rodovia Rio-Teresópolis. O coletivo entrou por um matagal e caiu em uma ribanceira com aproximadamente 20 metros de altura. O ônibus só parou quando bateu de frente em uma árvore. No local foram contabilizados 14 mortos e aproximadamente 30 pessoas ficaram feridas. A situação deixou a estrada totalmente interditada por aproximadamente uma hora. O engarrafamento provocado pelo acidente atingiu mais de quatro quilômetros nos dois sentidos. Equipes de socorro do Corpo de Bombeiros de Magé foram as primeiras a chegar ao local. Três carros do quartel de Teresópolis também foram até lá para dar apoio à ocorrência. Uma equipe de Duque de Caxias também partiu para apoio. Agentes da Defesa Civil, socorristas, técnicos e funcionários da administradora da Rodovia, policiais rodoviários e militares formaram uma corrente de trabalho para tentar salvar as vítimas. Helicópteros do Rio de Janeiro foram usados no transporte dos acidentados com maior gravidade. As aeronaves pousaram na pista da rodovia para prestar o socorro e as vítimas foram distribuídas pelos hospitais da região.







