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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Teresópolis: Concluída investigação do atropelamento que vitimou a menina Júlia de apenas 13 anos

Polícia acusa condutor de homicídio doloso por assumir o risco de causar a morte quando empinou a moto

Luiz Bandeira

Na noite de domingo, 10 de julho, um atropelamento no bairro da Fonte Santa fez vítima a adolescente Júlia Gomes de Araújo, de apenas 13 anos, que morreu depois de ficar internada em estado grave no Hospital das Clínicas de Teresópolis Constantino Otaviano. Segundo apuração da equipe do jornal O Diário e Diário TV, por volta das 18h30 daquele domingo a adolescente e sua mãe seguiam no acostamento da BR-116 em direção à igreja que frequentavam naquele bairro, e, quando chegaram de frente ao templo, a menina, acompanhada de outras duas crianças, atravessou a rua. Depois disso, deixou as outras crianças e resolveu atravessar de volta para falar com a mãe, quando não viu a aproximação da moto XRE 300 de cor preta, que seguia na rodovia em direção ao viaduto da Prata, e foi violentamente atingida pelo veículo, lançada metros à frente, com graves ferimentos na cabeça e no tórax.
Com o impacto, o motociclista perdeu o controle e também caiu. De acordo com o que apuramos com parentes da vítima, a mãe da menina não percebeu que o acidente envolvia sua filha e foi em socorro do rapaz que pilotava a moto. A testemunha relatou a nossa reportagem que o rapaz, ainda não identificado, dizia “que não tinha culpa” e “que não pôde evitar o acidente”. Foi quando a senhora percebeu que a sua filha tinha sido atropelada e estava gravemente ferida metros à frente. Ao Diário, a mãe da menina afirmou que o motociclista empinou a moto antes de atropelar sua filha e que o farol da moto não estava aceso.


Até então, o que se sabia sobre esse terrível atropelamento tinha sido obtido através de depoimentos de familiares e testemunhas. Nenhuma imagem de câmera de monitoramento foi divulgada e a polícia prosseguiu nas investigações. Agora, o delegado Márcio Dubugras anunciou que foi concluído o inquérito onde, segundo a polícia, ficou provado que o motociclista cometeu os crimes de homicídio doloso, de não prestar socorro à vítima evadindo-se do local do acidente e de pilotar motocicleta sem habilitação. Na sexta-feira, 2, a reportagem do jornal O Diário e Diário TV conversou com o delegado sobre a conclusão do trabalho de investigação: “Ontem (quinta-feira passada) nós concluímos a investigação a respeito daquele atropelamento que ocorreu na BR-116, na altura da Fonte Santa. Nós conseguimos provas que indicam que realmente o autor, que estava conduzindo a motocicleta, estava empinando a motocicleta naquele momento e atropelou uma criança e essa criança veio a morrer. Logo após o atropelamento, ele fugiu e se escondeu em Minas Gerais e quando foi identificado ele voltou”, afirma o delegado.

Atingida pela moto, a franzina menina Júlia sofreu múltiplas lesões, ficou internada no CTI e faleceu aos 13 anos em decorrência dos ferimentos

Agora que a polícia concluiu o trabalho de investigação, cabe ao Ministério Público decidir se denuncia o indiciado, como explicou Dr. Márcio. “Por conta de tudo que foi apurado, na constatação de que ele estava empinando, da questão dele ter fugido e não ter prestado socorro, pelo fato dele não ter habilitação, nós imputamos a ele vários crimes: Homicídio doloso por dolo eventual, porque ele assumiu o risco de produzir o resultado morte quando ele estava empinando a moto, crime de omissão de socorro, crime de falta de habilitação. Com relação a esses crimes, ele pode pegar uma pena de 7 a 25 anos de reclusão. Com a conclusão da investigação, o inquérito foi encaminhado para o Ministério Público, que vai se manifestar e concordando com o nosso relatório eles vão instaurar o processo através de um pedido denúncia e o juiz aceitando esse pedido vai ser instaurado um processo e ele vai ser julgado através do Tribunal do Juri. Então é mais um caso que se vê o perigo das pessoas ficarem empinando moto, achando que isso é diversão, que é um ato recreativo, quando na realidade isso não é nenhum ato recreativo, isso causa morte como causou a morte de uma criança, que tinha uma vida pela frente e que foi perdida pelo ato irresponsável de um rapaz”, finaliza o Delegado.

Constante risco
Nossa equipe escutou de moradores que é frequente a exibição de perícia em manobras sobre motos que põem em risco a vida dos moradores, muitos deles crianças que circulam no acostamento da rodovia, e que há a necessidade de uma maior fiscalização por parte das autoridades responsáveis neste trecho da BR-116.

De olho nos motoqueiros
O Delegado titular da 110ª DP, Dr. Márcio Dubugras tem sido um ferrenho defensor da ordem no trânsito da cidade, combatendo crimes cometidos por motoristas e motociclistas que insistem em exibir manobras que põem em risco a vida de terceiros, e dá o recado: “É aquilo que a gente costuma dizer pras pessoas que ficam batendo palma pra quem fica empinando moto em Teresópolis. Está aí ó! Um acidente grave, uma menina vitimada por causa da imprudência de um rapaz inabilitado, que acabou com a vida de uma menina. E se fosse seu filho, seu parente, você continuaria defendendo quem fica empinando moto na rua?”, enfatizou. Prova de que a autoridade policial não está tolerando esse tipo de conduta foi a ação que apreendeu no início do ano, duas motocicletas utilizadas em crimes de trânsito e indiciou seu proprietário, que as utilizava para fazer “gracinhas” em vias públicas e publicar em redes sociais, por 180 vezes. As motos continuam no pátio da 110ª DP e hoje ele responde aos crimes em liberdade.
Nossa equipe entrou em contato com a defesa do motociclista envolvido no atropelamento, para que ele pudesse apresentar sua versão sobre o ocorrido, porém sua advogada disse que seu cliente ainda não recebeu a denúncia.

Edição 22/02/2024
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