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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Em seis meses, 292 apreensões de drogas em Teresópolis

Dados do ISP indicam crescimento de 15% em relação ao mesmo período do ano passado

Luiz Bandeira

Na rotina da redação de um jornal, algumas conclusões sobre a sociedade acabam se evidenciando quando juntamos dados de ocorrências que se repetem no nosso noticiário a estudos de instituições conceituadas. Desta forma, nesse semestre, juntando dados do ISP (Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro), às ocorrências que noticiamos neste período do ano, podemos concluir que continua aumentando a quantidade de novos usuários de drogas em Teresópolis, já que só há tráfico por que viciados compram os entorpecentes interceptados em operações policiais. Segundo o setor estatístico das forças de segurança, de janeiro a junho de 2022 foram registradas na 110ª DP 292 apreensões de entorpecentes. Se comparado ao mesmo período do ano passado, houve um acréscimo de 15,9%, quando as ações policiais geraram 252 registros deste crime no primeiro semestre.
A nova lei que difere o usuário do traficante, aprovada em 2012 pela Câmara dos Deputados, diz que quem portar quantidade de droga equivalente a cinco dias de consumo será considerado usuário. Acima dessa quantidade, será enquadrado como traficante. Ainda observando a pesquisa do ISP sobre os registros de apreensões de drogas no município neste primeiro semestre, e distinguindo posse de drogas ao tráfico, encontramos um crescimento ainda maior de um ano para o outro. De janeiro a junho de 2022 foram 105 flagrantes de posse de drogas, contra 80 em igual período de 2021, crescimento de 31,3%. Já o tráfico de drogas sofreu 140 baixas no primeiro semestre de 2022, contra 115 dos seis primeiros meses de 2021, alta de 21,7%. As apreensões sem autor, quando nas operações policiais são encontradas as drogas, mas não se sabe quem é o “dono”, foram 61, mantendo-se no mesmo nível nestes dois últimos anos.

Operações
A reação dos criminosos às ações policiais acabou vitimando um policial militar que foi baleado por um traficante no dia 19 de maio, quando o agente estava verificando uma denúncia de tráfico no Bairro do Rosário. As investigações que seguiram após esse fato revelaram os envolvidos nesse episódio. A Justiça expediu mandados de prisão e, em 24 de junho, foi deflagrada uma grande operação conjunta envolvendo a Polícia Civil, Polícia Militar, GAP (Grupo de Apoio a Promotoria) e a unidade K9 da Guarda Civil Municipal com os cães farejadores. Nessa ocasião, um traficante reagiu, foi baleado, socorrido ao Hospital das Clínicas de Teresópolis Constantino Otaviano, mas morreu em decorrência do ferimento. Em buscas na mata das comunidades denominadas PPR (Pimentel, Perpétuo e Rosário), os cães farejadores encontraram novamente grande quantidade de drogas.

Na ocasião, o delegado titular da 110ª DP, Dr. Marcio Dubugras falou com a reportagem do jornal O Diário e Diário TV sobre as ações contra o tráfico de drogas na cidade. “Desde janeiro deste ano a gente percebeu que houve um aumento significativo das apreensões de crack. Nós detectamos, através do serviço de inteligência, que o comando de uma facção criminosa decidiu que queria vender crack em Teresópolis e, como eu tenho dito, esse é um problema muito sério pra sociedade que por que isso trás transtornos a nível de aumento de crimes de roubos e de furto, então a gente está bem atento a isso. Eu quero deixar bem claro que a gente não está deixando de investigar os outros crimes relacionados a drogas, nós não deixamos de apreender maconha, cocaína, isso aí está sendo feito e aumentamos as apreensões, mas o crack a gente está tendo uma atenção especial por causa do dano à sociedade que essa droga terrível trás”.

Polícias Civil e Militar, com apoio da GCM e Ministério Público, têm realizado diversas ações de enfrentamento ao tráfico e outros crimes gerados por ele

Também em julho passado, o Tenente-Coronel Alex Soliva, Comandante do 30º BPM, disse que “isso de fato é algo que nos preocupa muito, nesse consumo tão intenso de substância entorpecente que trás um mal para o usuário e um mal para a sociedade. Realmente a gente tem feito apreensões aqui diárias, por vezes mais de uma por dia desse tipo de material objeto para o ilícito penal. A gente tem desenvolvido e alterado as nossas formas de atuação, exatamente para alcançar uma eficácia maior no resultado que é a prisão dessas pessoas que insistem esse tipo de delito e assim reduzir os índices criminais na cidade”.

Saúde pública
Esse é um problema também de saúde pública. Não é possível vencer o tráfico só com ações policiais. É necessário um olhar mais amplo para o problema que precisa ser tratado pelo estado com políticas voltadas a minimizar as motivações que levam a pessoa a se entregar às drogas. As razões que levam algumas pessoas a se iniciar no mundo das drogas são inúmeras, como, por exemplo, curiosidade seguida de oportunidade, necessidade de se ajustar em um grupo de amigos, onde todos já experimentaram e para não ser diferente o jovem acaba cedendo, a droga pode ser procurada como um mecanismo de fuga, quando se enfrenta problemas de difícil resolução, acaba-se recorrendo a droga para fugir mentalmente e ainda autoestima enfraquecida.

Edição 22/02/2024
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