Cadastre-se gratuitamente e leia
O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
em seu dispositivo preferido

Opinião para todos os momentos

A recente operação que os Estados Unidos realizaram em solo venezuelano abriu mais uma onda de debates e acusações, brigas e discussões acaloradas e temperadas pela famigerada polarização que tomou conta do país nos últimos anos. Talvez em todo o mundo, claro. Guerras de narrativas. Não há uma semana em que um evento não sirva de motivação para que lados se acusem, ampliando ainda mais as divisões em lares, ambientes de trabalho e pequenos grupos sociais.

E esta exigencia de posicionamento vai transformando as mentes. Hoje todo mundo precisa se posicionar, parece que estamos sob uma onda de gente neurótica, avaliando a todos conforme o seu posicionamento político. Jogadores de futebol podem ter o talento que seja, mas sua qualidade vai depender da sua visão política, sobre quem ele apoiou e o que diz sobre eventos recentes; cantores, por mais carismáticos e talentosos, a mesma coisa. Direita, esquerda, Trump, Lula, Bolsonaro. Até mesmo uma influencer do humor foi “atacada” em suas “caixinhas” de perguntas por não se posicionar sobre a Venezuela. Um perfil de humor! A moça saiu-se bem, explicando seus motivos.

Até mesmo nós, profissionais que atendemos o público muitas vezes somos questionados e exigidos a nos posicionar, precisamos ter opinião sobre se algo foi certo ou errado, como se o tabuleiro geopolítico fosse escancarado ao conhecimento de todos, como se os acordos por baixo dos panos tivessem atas de reunião registradas em cartório, para conhecimento do público.

E com isso o mundo vai tomando contornos de um lugar chato, mas muito chato de se viver. Todo mundo precisa ter opinião, mesmo que a única referencia seja um meme postado em rede social. É como se fôssemos assim: “Ah! Antes de dar minha opinião vou verificar o que tal influencer ou jornalista disse, pois preciso seguir o amigo do meu amigo, ou no mínimo, o inimigo do meu inimigo”.

Não que não possamos nos posicionar, ou termos opinião ou ideias, porém a facilidade de comunicação (ou seria expressão?) e a “autoridade” que a mídia impõe a influencers criou um pensamento de que não há opinião qualificada, e sim defesa de lados, de interesses, de narrativas. Assim como os segundos turnos de qualquer eleição, ganha o que tem menos rejeição.

O mundo anda chato demais.

Eustáquio Pereira

Tags

Compartilhe:

Outros Artigos
Teresópolis 04/03/2026
Diário TV Ao Vivo
Mais Lidas

Vorcaro mantinha estrutura de intimidação de pessoas, cita ministro

Sine Teresópolis anuncia 154 vagas de emprego até 13 de março

Domingão Tarifa Zero ultrapassa 1,5 milhão de embarques em Teresópolis

Motoqueiro empina na rua e atinge outra moto em Teresópolis

Feso divulga Nota de Esclarecimento sobre situação do HCT

WP Radio
WP Radio
OFFLINE LIVE