Maria Eduarda Maia
Doenças infecciosas que atingem cães têm preocupado e chamado a atenção de veterinários em Teresópolis, acende um alerta também para os tutores desses animais. O aumento na circulação de vírus altamente contagiosos, como os que causam a parvovirose e a cinomose, tem resultado em mais atendimentos clínicos, sobretudo entre animais não vacinados, um cenário que reforça a importância da vacinação como principal forma de prevenção e controle. “Muitos veterinários e clínicas têm recebido chamadas o tempo todo de tutores com pacientes apresentando os sintomas mais comuns dessas duas doenças”, afirmou a veterinária Fabiane Gonçalves, em entrevista ao Diário. É importante ressaltar que nenhuma dessas doenças são zoonoses, ou seja, não são transmitidas do animal para o ser humano.
Em relação ao perfil dos pacientes, não existe um perfil específico, principalmente para a cinomose, que pode afetar cães de todas as idades. Mesmo assim, os profissionais indicam redobrar os cuidados com filhotes, animais idosos e imunocomprometidos. Já a parvovirose afeta principalmente os filhotes.
Como principal motivo para o aumento de casos está o grande número de animais com a carteirinha de vacinação atrasada, como explica Dra. Fabiane: “A vacinação é a principal forma de prevenção e deve ser feita uma vez ao ano. Muitos tutores acreditam que, vacinando o animal quando ele é filhote, ele estará protegido pelo resto da vida, mas isso não é verdade”, disse, destacando que a vacinação é anual e precisa ser feita de forma correta para garantir a proteção dos animais.
Cinomose
A cinomose canina é uma enfermidade grave, altamente contagiosa e com alto índice de letalidade e, por isso, deve ser uma preocupação constante para os responsáveis por cães. Esses animais podem se infectar por meio do contato direto com o outro cão infectado ou por meio do ambiente, pelas fezes, urina e secreções contaminadas. “A doença apresenta sintomas muito amplos. Os primeiros sintomas costumam ser respiratórios, como tosse e espirros. Em seguida, o animal pode começar a apresentar secreção nos olhos, conjuntivite intensa, olhos lacrimejantes e aquela remela amarelada característica”, explicou a veterinária Fabiane.

Conforme a doença evolui, o animal pode desenvolver mioclonias, que são contrações musculares involuntárias, e, nos quadros mais graves, convulsões. “A cinomose é uma doença extremamente grave, com uma taxa de mortalidade acima de setenta e cinco por cento. Mesmo com tratamento, que é um tratamento de suporte, muitos animais não conseguem sobreviver”, enfatizou Fabiane.
Parvovirose
A parvovirose também é um problema de saúde considerado grave, que afeta principalmente o sistema gastrointestinal dos cães, sendo extremamente contagiosa e potencialmente fatal. A doença atinge principalmente os filhotes, que são mais susceptíveis por ainda não terem sido vacinados ou por estarem em processo de vacinação. “A transmissão acontece principalmente pela via orofecal. Ou seja, o vírus é transmitido por secreções orais, mas principalmente pelas fezes dos animais contaminados. Os principais sintomas são vômito e diarreia, que podem vir acompanhados de sangue”, pontuou ao Diário a veterinária Raquel Miccolis, frisando ainda que a doença causa desidratação muito rápida e tem uma progressão bastante acelerada.

O tratamento é basicamente sintomático, já que se trata de um vírus e não existe um tratamento específico que elimine a doença. “Por isso, o ideal e mais importante é a prevenção, até porque é uma enfermidade de tratamento longo e que evolui muito rapidamente”, ressaltou a Dra. Raquel.
Importância da vacinação
Atualmente, para ambas as doenças, a melhor forma de prevenção é a vacinação. As vacinas disponíveis, como a V8 e a V10, protegem tanto contra a parvovirose quanto contra a cinomose.
Para a veterinária Raquel, é fundamental reforçar a importância da vacinação, não apenas para proteger o próprio animal, mas também os outros animais. “Quando a gente reduz a circulação do vírus no ambiente, como na cidade ou nos locais de passeio, diminui-se a transmissão de um animal para outro. Isso é muito importante porque o vírus consegue permanecer por muito tempo no ambiente. Muitas vezes, o animal já está melhorando e pode acabar se recontaminando, assim como outros animais que frequentam o mesmo local”, discorreu.

Ainda segundo Raquel Miccolis, a prevenção por meio da vacinação é essencial, não só para doenças que acometem apenas os cães. “A vacina é importante também dentro do conceito de saúde única, que envolve a saúde dos animais e dos seres humanos. Existem doenças que podem ser transmitidas entre animais e pessoas, como a raiva, reforçando ainda mais a necessidade da vacinação”, concluiu.







