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Lista de Bacellar na PF: Júlio Rocha diz a O DIÁRIO que não tem participação nas supostas irregularidades

Em entrevista no programa Hélio Carracena, deputado afirmou ainda que “não fez nada errado” e que “anda com a cabeça erguida”

Maria Eduarda Maia

Matéria publicada pelo G1, recentemente, ganhou repercussão nos últimos dias ao revelar uma planilha apreendida pela Polícia Federal durante a investigação que levou ao indiciamento do deputado estadual Rodrigo Bacellar por suposto envolvimento com pessoas ligadas ao Comando Vermelho. No material encontrado no computador do então chefe de gabinete de Bacellar estão colunas intituladas “o que tem” e “pedido”, indicando possíveis interesses de deputados na estrutura administrativa do Governo do Estado.

Apontando para uma suposta promiscuidade de mandatos parlamentares, a lista revela anotações de deputados com cargos no governo, e suspeitas de tráfico de influência envolvendo o deputado estadual Júlio Rocha, Agir, de Guapimirim, que foi o segundo mais votado na eleição passada para a Prefeitura de Teresópolis, constando da suspeita lista, os deputados Arthur Monteiro (União Brasil), Carlinhos BNH (PP), Célia Jordão (PL), Dr. Deodalto (PL), Douglas Ruas (PL) – deputado licenciado, atualmente está na Secretária das Cidades, Felipinho Ravis (PP), Rodrigo Amorim (União Brasil), Thiago Rangel (Avante) e Tia Ju (Republicanos), além do presidente interino da Alerj Guilherme Delaroli (PL).

Nesta quarta-feira (04), o parlamentar participou do Programa Hélio Carracena, da Diário TV, para esclarecer sobre o assunto. Segundo ele, a planilha refere-se de abril de 2023. “Estava escrito que eu tinha tal coisa e queria outra, e que eu tinha 12 cargos na Alerj. Além disso, também estava dizendo que eu almejava o Detran, a Faetec e o Leão XIII de Guapimirim”, pontuou, negando também que não tem o controle desses órgãos estaduais em nossa cidade. “Não tenho nada disso em Teresópolis. As pessoas que dizem isso estão querendo criminalizar a política”, alegou, chegando a dizer que sugere nomes de gente que conhece, mas que não seria dono ou teria controle desses cargos.

Ainda segundo Júlio, na planilha que está sendo investigada pela PF, não há registros sobre possíveis roubos ou extorsões. “Não diz que fiz algo errado. Ando sempre com a cabeça erguida e brigo pelos meus. Na época da suposta planilha, eu tinha três meses como deputado. Vale lembrar que 90% dos deputados deveria estar ali [na lista] porque diz o que um tem e outro pediu. Eu não estou pedindo dinheiro e nem nada”, reforçou.

Mais sobre a investigação

De acordo com a reportagem do G1, a Polícia Federal não afirma que todos os pedidos tenham sido atendidos, mas destaca que o conteúdo da planilha indica tentativas de articulação política envolvendo cargos e controle de áreas estratégicas do governo estadual. A investigação também resultou no indiciamento de Rodrigo Bacellar, do empresário conhecido como TH Joias e de outras três pessoas, por suspeitas de ligação com o Comando Vermelho, o que é negado pelos envolvidos.

Em nota encaminhada à reportagem do g1, a assessoria de Júlio Rocha pontua que o deputado atua em municípios de pequeno porte, onde “a principal demanda que chega diariamente ao meu gabinete diz respeito à ampliação de oportunidades para colaborar com o desenvolvimento local. Nesse contexto, a solicitação de espaço político teve como único objetivo possibilitar que pessoas exerçam sua liderança, participem de ações, colaborem na solução de problemas e contribuam para ampliar a presença do Estado nessas regiões.”. Ainda segundo o posicionamento, trata-se de dever institucional do parlamentar promover o diálogo, fortalecer o interior e apoiar iniciativas que visem ao interesse público, ainda que nem todas as sugestões apresentadas venham a se concretizar.

“Qualquer alegação que extrapole esses limites configura tentativa indevida de criminalização da atividade política. Reitero que inexiste, de minha parte, ciência ou participação em qualquer prática, conduta ou narrativa diversa daquela inserida no contexto acima exposto”, finalizou.

“Não diz que fiz algo errado. Ando sempre com a cabeça erguida e brigo pelos meus. Na época da suposta planilha, eu tinha três meses como deputado. Vale lembrar que 90% dos deputados deveria estar ali porque diz o que um tem e outro pediu. Eu não estou pedindo dinheiro e nem nada”, reforçou Rocha. Foto: Maria Eduarda Maia / O Diário

Atuação em Teresópolis

Além das articulações políticas citadas na investigação, o Governo do Estado do Rio de Janeiro mantém estruturas, órgãos e áreas de atuação permanentes em Teresópolis, por meio de serviços públicos e unidades administrativas que atendem diretamente a população do município e da Região Serrana, sabidamente, sob o controle de parlamentares ligados ao governo estadual, que indicam os nomes de aliados políticos para esses órgãos.
Entre os cobiçados órgãos públicos do estado que empregam gente ligada a políticos em Teresópolis está o Parque Estadual dos Três Picos, unidade de conservação administrada pelo Governo do Estado por meio do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), onde a política vem impedindo o seu desenvolvimento. O município também é atendido por órgãos estaduais como o Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran-RJ), e pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), que continua mantendo sede e estrutura administrativa em Teresópolis, além da Fundação Leão XIII e Faetec, também muito utilizada para os interesses políticos de aliados do governo estadual.

Quando questionado sobre as atuações em estruturas de Teresópolis, como é o caso da Faetec e do Detran, por exemplo, Júlio Rocha confirmou as “indicações” de cargos nesses órgãos. “Sim. Há pessoas que eu junto com o governo, por serem boas e capacitadas para trabalhar nos lugares. Nós somos base do governo. A gente sempre pede por pessoas capacitadas, sendo atendidos os nossos pedidos ou não. Nós queremos participar do governo”, disse ainda em entrevista no Programa Hélio Carracena.

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Teresópolis 04/03/2026
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