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Crimes ambientais: “População tem que ajudar e denunciar”, diz Secretário de Meio Ambiente

Em 2025, foram realizadas 373 operações para apurar reclamações feitas pelos moradores de Teresópolis

Maria Eduarda Maia

Nos últimos dias, circularam nas redes sociais imagens de descarte irregular de resíduos de construção civil ao longo da Estrada de Córrego dos Príncipes, na localidade de mesmo nome e vizinha ao Jardim Salaco, situação que preocupa devido aos impactos ambientais que pode causar, especialmente por se tratar de uma região próxima à Pedra da Tartaruga, um dos pontos naturais mais visitados do município. Apesar da repercussão, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) informou ao Diário que não havia sido acionada para verificar a situação. “Esse problema não é recente. Já existia antes da nossa gestão e, inclusive, era maior. Com o reforço da fiscalização, os números diminuíram, mas ainda há casos. Estamos aplicando multas pesadas, conduzindo infratores à delegacia e registrando ocorrências”, declarou o secretário Leonardo Maia, enfatizando que a participação da população é fundamental. “Precisamos de denúncias com informações como placa do caminhão ou identificação dos responsáveis.”, completou.

“É difícil flagrar o descarte no momento em que acontece, pois geralmente ocorre à noite ou de madrugada. Por isso, trabalhamos principalmente com denúncias da população e registros de imagens. Essas informações são essenciais para que possamos agir.”, frisou o secretário de Meio Ambiente, Leonardo Maia. Foto: Maria Eduarda Maia / O Diário


Ainda segundo o secretário da pasta, a equipe técnica está capacitada para fiscalizar o descarte irregular de resíduos sólidos, mas precisa ser acionada para tal função. Os profissionais passaram por treinamentos específicos, incluindo cursos realizados em parceria com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), garantindo uma fiscalização adequada, conforme previsto em lei.
Embora moradores tenham associado o descarte irregular ao ‘bota-fora’ liberado pela SMMA no ano passado no entorno da Pedra da Tartaruga, o secretário esclarece que não há qualquer relação entre os casos. “Não existe relação. Na verdade, é o oposto: o ‘bota fora’ é justamente a solução, pois oferece um local adequado e legal para o descarte.”, disse Maia, pontuando ainda que o tema dos resíduos da construção civil faz parte de um plano mais amplo de gestão de resíduos sólidos.

Mais ações de fiscalização têm ocorrido no município, que, em 2025, realizou 373 operações para apurar reclamações feitas pela população, relacionadas aos mais diversos crimes ambientais

Importância da denúncia
Situações como essa reforçam a importância da participação da população na denúncia de crimes ambientais, visto que não é possível que a secretaria de Meio Ambiente esteja em todos os locais ao mesmo tempo, tornando fundamental o apoio da sociedade para identificar e coibir irregularidades. “É difícil flagrar o descarte no momento em que acontece, pois geralmente ocorre à noite ou de madrugada. Por isso, trabalhamos principalmente com denúncias da população e registros de imagens. As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos canais oficiais. Essas informações são essenciais para que possamos agir.”, frisou Leonardo.

Linha Verde
Uma das principais ferramentas do Governo do Estado do Rio de Janeiro no combate aos crimes ambientais é o programa Linha Verde, um dos eixos do Disque Denúncia e que recebe pedidos de ajuda de muitos moradores de Teresópolis. Como resultado, mais ações de fiscalização tem ocorrido no município, que, em 2025, realizou 373 operações para apurar reclamações feitas pela população, relacionadas aos mais diversos crimes ambientes. De acordo com dados do Linha Verde, os bairros com maior número de denúncias em Teresópolis são Albuquerque, com 24 registros, seguido por Meudon, com 18, Barra do Imbuí, com 16, e Vargem Grande, com 13 ocorrências. Também aparecem na lista os bairros do Alto, com 10 denúncias, Caleme, com 9, Várzea e Pessegueiros, ambos com 8 registros, além de São Pedro, com 7, e Bonsucesso, com 5 denúncias.
Em relação aos tipos de ocorrência, o desmatamento florestal lidera com 84 casos, seguido pelos maus-tratos contra animais, com 78 registros, e pela extração irregular de árvores, com 66. A poluição do ar aparece com 53 ocorrências, enquanto construções irregulares somam 43 casos. Já a extração irregular de solo registra 38 denúncias. A guarda ou comércio de animais silvestres e as queimadas aparecem empatadas, com 34 casos cada. Por fim, há registros de lixo acumulado, com 17 ocorrências, e poluição das águas, com 14 casos.

No ano passado, agentes da 5ª UPAm foram à Estrada Rincão da Vovó, na localidade de Santa Rita, Segundo Distrito de Teresópolis, para verificar denúncia de movimentação do solo e supressão de vegetação. Foto: Linha Verde

Como denunciar
Em relação a crimes contra o meio ambiente, a população pode denunciar ao Linha Verde através do telefone (21) 2253-1177 e 0300 253 1177,- ambos com WhatsApp anonimizado – ou então pelo App “Disque Denúncia RJ”. É possível denunciar ainda pelo site do Disque Denúncia (www.disquedenuncia.org.br) ou ainda pela FanPage do Linha Verde no facebook (www.facebook.com/linhaverdedd).


Teresópolis 20/03/2026
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