Uma descoberta científica de grande relevância recoloca o Estado do Rio de Janeiro no cenário da botânica nacional: após mais de um século sem registros, a espécie Justicia dasyclados (Acanthaceae), de delicadas flores em tons de violeta, foi registrada na Reserva Biológica Estadual de Araras, unidade de conservação administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e localizada em Petrópolis. A espécie foi encontrada em fevereiro deste ano, pela guarda-parque do Inea e pesquisadora vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Vanessa Cabral, durante monitoramento de uma trilha, em área de floresta densa, a mais de 1.200 metros de altitude.
Durante a expedição, foram coletados três indivíduos da plantinha e encaminhados para o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A identificação da espécie foi confirmada pelo pesquisador do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico, Marcus Nadruz, em colaboração com a especialista em Acanthaceae, Denise Braz, Doutora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Ao catalogar a espécie, os pesquisadores relataram que o último registro e identificação dessa plantinha ocorreu há cerca de cem anos.
O registro representa apenas a segunda ocorrência conhecida da espécie no Estado do Rio de Janeiro. A plantinha é endêmica do Brasil, com ocorrência apenas para os Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo. No Rio de Janeiro, esse registro constitui a segunda ocorrência no Estado do Rio.
Atualmente, ela não se encontra listada para o Estado do Rio de Janeiro na base de dados Flora e Funga do Brasil, o que reforça a relevância científica do registro para o conhecimento da flora fluminense, especialmente na região serrana. “A descoberta também demonstra o papel estratégico das unidades de conservação na geração de conhecimento científico sobre a biodiversidade da Mata Atlântica”, explicou Vanessa Cabral, que também é mestranda do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade em Unidades de Conservação, do Instituto Jardim Botânico.



A espécie foi encontrada em fevereiro deste ano, pela guarda-parque do Inea e pesquisadora vinculada à UFRJ, Vanessa Cabral, durante monitoramento de uma trilha, em área de floresta densa, a mais de 1.200 metros de altitude. Fotos: Inea RJ
Para o diretor Biodiversidade, Ecossistemas e Áreas Protegidas do Inea, Cleber Ferreira, registros científicos como este evidenciam o papel fundamental das unidades de conservação na proteção da biodiversidade. “Também representa o avanço do conhecimento sobre os ecossistemas fluminenses, reforçando a necessidade de fortalecer as políticas públicas voltadas à conservação da Mata Atlântica”, destacou ele. “O achado reforça a relevância das áreas protegidas para a conservação da biodiversidade e para o avanço do conhecimento científico sobre a flora brasileira”, disse a gestora da Rebio Araras, Thallita Muralha.
Sobre a Rebio Araras
Com 3.837 hectares, a Reserva Biológica Estadual de Araras (Rebio Araras) abrange parte dos municípios de Petrópolis e de Miguel Pereira. Foi criada com o objetivo de assegurar a preservação dos remanescentes de Mata Atlântica presentes no Corredor da Serra do Mar; preservar montanhas e rios além das raras espécies da flora e da fauna. Na Rebio Araras, a visitação só é permitida para pesquisas.







