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BR-495: DNIT libera parcialmente caminhões, mas situação está longe de ser resolvida

Operadores do órgão, em alguns horários do dia, têm liberado apenas veículos de carga de até quatro toneladas. Ônibus seguem proibidos

Luiz Bandeira

A BR-495, rodovia federal que liga Teresópolis ao município de Petrópolis, por meio do distrito de Itaipava, segue enfrentando sucessivas interdições totais desde fevereiro, quando fortes chuvas provocaram o afundamento da pista na altura do quilômetro 22. Passados quase dois meses do incidente, a situação ainda está longe de uma solução definitiva e continua impactando diretamente a rotina de motoristas e o transporte de cargas na Região Serrana.
Para amenizar o problema e permitir a passagem de veículos leves, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) implantou um desvio improvisado na lateral da rodovia. No entanto, a alternativa opera com limitações: o tráfego ocorre em sistema de pare e siga, com passagem de apenas um veículo por vez, e há restrição para veículos de carga acima de quatro toneladas e ônibus.

Mesmo com restrição, caminhões ainda arriscam a travessia pelo desvio improvisado. Foto: Luiz Bandeira / O Diário

Desvio limitado e desrespeito às regras
Durante visita ao local nesta quarta-feira (01), a equipe do Diário de Teresópolis constatou que há sinalização nos dois sentidos da via indicando as restrições. Operadores de tráfego atuam no controle da passagem e orientam motoristas, especialmente caminhoneiros, sobre a proibição de atravessar o trecho com veículos pesados.
Apesar disso, segundo relato dos próprios operadores, nem todos respeitam as determinações. “Alguns caminhões ignoram a sinalização e passam mesmo assim, o que aumenta o risco de agravamento da situação no desvio”, informaram.
A presença constante de equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do DNIT tem como objetivo reforçar a fiscalização, mas, de acordo com os agentes, é inviável manter equipes fixas no ponto de interdição durante todo o tempo, o que dificulta o controle integral do fluxo.

Operadores controlam o sistema de pare e siga e orientam motoristas sobre as restrições no trecho. Foto: Luiz Bandeira / O Diário

Impacto na mobilidade e na economia
Com a interdição frequente, motoristas que não conseguem utilizar o desvio precisam recorrer a rotas alternativas para percorrer o trajeto de pouco mais de 30 quilômetros entre Teresópolis e Itaipava. As opções disponíveis, no entanto, representam viagens significativamente mais longas, com trechos que incluem pedágios ou condições precárias de trafegabilidade.
A situação tem gerado transtornos não apenas para motoristas particulares, mas também para o transporte de mercadorias, afetando prazos de entrega e aumentando custos logísticos. Produtores rurais, comerciantes e prestadores de serviço da região também sentem os reflexos, especialmente aqueles que dependem do fluxo constante entre os dois municípios.

Desvio lateral permite apenas a passagem de um veículo por vez, causando lentidão no tráfego. Foto: Luiz Bandeira / O Diário

Sem previsão de obras
Um dos pontos que mais chama atenção é a ausência de obras no local. Mesmo após semanas do ocorrido, não há equipes trabalhando na recuperação definitiva da pista, o que aumenta a preocupação de quem depende da rodovia diariamente. Especialistas em infraestrutura apontam que intervenções desse tipo exigem estudos técnicos detalhados, especialmente em áreas afetadas por instabilidade do solo após chuvas intensas. Ainda assim, a demora no início das obras levanta questionamentos sobre prazos e planejamento.
Enquanto isso, motoristas seguem enfrentando incertezas e adaptações forçadas em suas rotinas, aguardando uma solução que devolva a normalidade à principal ligação entre Teresópolis e Itaipava.

Interdições forçam caminhoneiros a percorrer caminhos mais longos e, muitas vezes, em condições precárias. Foto: Luiz Bandeira / O Diário

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