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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Novas regras para CNH ainda geram dúvidas e impacto no setor em Teresópolis

Flexibilização federal não é aplicada no Rio de Janeiro, mantendo exigência de autoescolas e levantando debate sobre formação e segurança no trânsito

Luiz Bandeira

As mudanças nas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), anunciadas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) no fim de 2025, seguem repercutindo em todo o país. A principal alteração foi a retirada da obrigatoriedade de aulas em autoescolas para a formação de novos condutores. No entanto, apesar da decisão em nível federal, a aplicação prática da medida depende de regulamentação em cada estado e, no Rio de Janeiro, o processo ainda avança lentamente.
Na prática, candidatos de Teresópolis e de toda a Região Serrana continuam seguindo o modelo tradicional. O Detran-RJ ainda não publicou a regulamentação necessária, o que mantém a exigência de aulas em Centros de Formação de Condutores (CFCs) para agendamento das provas teórica e prática. Essa diferença entre a norma federal e a aplicação estadual tem gerado dúvidas entre os candidatos e também impactos diretos no setor de autoescolas.

Autoescolas enfrentam queda e incertezas
Mesmo sem a implementação efetiva da nova regra no estado, o simples anúncio da flexibilização já provocou reflexos no mercado. Empresários relatam queda na procura e necessidade de adaptação.
Diretor da Autoescola Imperatriz, Wagner Alves afirma que o impacto foi significativo em todo o país. “O impacto foi bem grande, não só na minha autoescola, mas no Brasil todo. São cerca de 15 mil empresas e muitas já fecharam as portas. Aqui, tivemos que reduzir o quadro de funcionários pela metade, com mais de cinco demissões”, relata.
Segundo ele, a falta de regulamentação no Rio de Janeiro também tem causado confusão entre os candidatos. “Tem muita gente procurando caminhos que ainda não existem. No estado, a autoescola ainda é obrigatória, porque essa mudança não foi publicada em Diário Oficial. Alguns estados estão liberando, mas aqui ainda não”, explica.
Apesar de reconhecer que a flexibilização pode ampliar o acesso à habilitação, Wagner ressalta a importância da formação estruturada. “A autoescola é fundamental no ensino do aluno. Não é só passar na prova, é preparar para o trânsito real”, destaca.
Com 45 anos de atuação no setor, ele também demonstra preocupação com possíveis reflexos na segurança viária. “Não dá para passar todo o conhecimento em poucas aulas. Isso pode impactar muito o trânsito. A cidade está crescendo, com mais carros nas ruas, e o preparo do condutor é essencial”, avalia.

Wagner Alves, diretor de autoescola em Teresópolis, relata impactos econômicos e defende a importância da formação completa. Foto: Luiz Bandeira / O Diário

Alunos reconhecem importância da formação
Entre os candidatos, a percepção também revela cautela. Embora a possibilidade de redução de custos seja vista como positiva, muitos reconhecem a importância do acompanhamento profissional durante o processo de aprendizagem. Aluno em processo de habilitação, Pedro Mendes afirma que a formação na autoescola foi decisiva para sua aprovação. “Minha base era zero, então eu precisava começar do início. A autoescola dá uma base fundamental, tanto teórica quanto prática. Aprendi tudo e consegui passar de primeira”, conta.
Para ele, o investimento compensa principalmente pela segurança adquirida. “Sem dúvida nenhuma vale a pena. Você fica mais seguro no trânsito. O instrutor sabe direcionar, ensina desde o básico e dá toda a confiança”, afirma.
Pedro acredita que, sem esse suporte, o processo seria muito mais difícil. “Se eu não tivesse um instrutor, eu não conseguiria. Eu não tinha base nenhuma. Foi o acompanhamento que me deu segurança para dirigir”, completa.

Segurança no trânsito entra no centro do debate
A flexibilização das regras reacende uma discussão antiga: até que ponto a redução das exigências pode impactar a formação de condutores e, consequentemente, a segurança no trânsito. Em cidades como Teresópolis, com vias estreitas, trechos de serra e aumento constante da frota de veículos, especialistas e profissionais do setor defendem que a formação prática e orientada continua sendo um diferencial importante.
Enquanto o Rio de Janeiro não regulamenta as novas diretrizes, o cenário permanece indefinido. Entre expectativas, dúvidas e adaptações, candidatos e autoescolas convivem com um período de transição, em que o acesso à habilitação e a qualidade da formação seguem no centro das discussões.

Aula prática de direção reforça preparo de candidatos para situações reais no trânsito. Foto: Luiz Bandeira / O Diário

Teresópolis 03/04/2026
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