Isla Gomes
Há 41 anos, um grupo de jovens decidiu transformar o amor pela natureza e o desejo de ajudar o próximo em uma missão de vida. Assim nasceu o Padrão Águias, instituição criada em Teresópolis que, ao longo de mais de quatro décadas, se tornou referência em ações humanitárias, proteção ambiental e atuação em grandes tragédias pelo país. Atualmente à frente da unidade, o comandante Cleiton Pimentel destaca, em entrevista ao Diário, que o maior legado construído pela instituição vai além das missões realizadas. “O grande marco representativo nesses 41 anos é entender que existem pessoas que se dedicam para ajudar outras pessoas que muitas vezes nem conhecem. Esse é um legado da educação pelo exemplo que atravessa gerações”, afirmou. Ao longo da trajetória, o Padrão Águias participou de 892 missões, atuando em diferentes cenários de crise e desastre ambiental. Entre os episódios mais marcantes estão a tragédia da Região Serrana, em 2011, e os rompimentos das barragens de Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais. “A tragédia de 2011 da Região Serrana é indiscutivelmente um marco pela dimensão e pelo número de mortos. Mas Brumadinho também foi algo indescritível. Cada desastre é único e deixa marcas profundas”, relembrou o comandante.

Além das ações emergenciais, o Padrão Águias mantém projetos permanentes voltados para educação ambiental, recuperação de áreas degradadas e formação comunitária. Foto: Reprodução
Cleiton também citou a atuação da instituição em Ubá, Minas Gerais, como um momento importante da história recente do grupo. “Além da logística humanitária, enfrentamos dificuldades estruturais e até conflitos entre pessoas. Conseguimos auxiliar o município e deixar um legado de mediação e organização em um momento extremamente difícil”, contou. Segundo o comandante, o diferencial do Padrão Águias está nos valores cultivados pela instituição desde sua fundação. “Somos pessoas de bem que se reúnem para fazer o bem. O que nos move é a capacidade de se doar para o outro, com ética, compromisso e respeito à vida”, destacou.

O trabalho do Padrão Águias já ultrapassou fronteiras. Atualmente, a instituição possui representatividade em outros estados brasileiros e até no exterior, com atuação na Hungria e parcerias em construção na Alemanha. Foto: Reprodução
Projetos ambientais e formação de jovens
Além das ações emergenciais, o Padrão Águias mantém projetos permanentes voltados para educação ambiental, recuperação de áreas degradadas e formação comunitária. Entre eles está o Programa Permanente de Educação Ambiental Nascente da Serra, que atua na recuperação de nascentes, principalmente em áreas rurais afetadas pelo pisoteio de gado. Outro destaque é o Banco de Mudas, iniciativa que reutiliza copos plásticos descartados para produção de mudas de árvores destinadas ao reflorestamento de áreas atingidas por incêndios. “Também trabalhamos na recuperação de mananciais em propriedades particulares que servem de abastecimento público e estamos formando brigadas comunitárias de combate a incêndios florestais”, explicou Cleiton. A instituição prepara ainda novas parcerias, incluindo ações com o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, além da expansão de brigadas para municípios como São José do Vale do Rio Preto e Rio das Ostras. O trabalho do Padrão Águias já ultrapassou fronteiras. Atualmente, a instituição possui representatividade em outros estados brasileiros e até no exterior, com atuação na Hungria e parcerias em construção na Alemanha.

Inspiração para novas gerações
Para Cleiton Pimentel, um dos maiores desafios atuais é despertar nos jovens o espírito de solidariedade em uma sociedade cada vez mais imediatista. “A gente vive num mundo muito artificializado. Garimpar um jovem para servir o outro é difícil. Mas os que chegam até nós são pedras preciosas que precisam ser lapidadas”, disse. O comandante explica ainda que o símbolo da instituição, a águia, representa os valores que sustentam o grupo. “Águia também é um acrônimo de altruísmo, generosidade, união, integração e amizade. Esses são os valores que mantêm viva a instituição”, concluiu.









