Marcello Medeiros
Um dos médicos pediatras com mais tempo de atividade em Teresópolis, o também vereador Raimundo Amorim (União) utilizou o plenário do Legislativo Municipal na sessão desta terça-feira (09) para alertar pais e responsáveis sobre o risco de enviar para a creche ou escola crianças que estiverem com sinais de resfriado ou gripe. Há décadas atendendo na rede municipal de saúde, ele alertou para o aumento de internações nesse período do ano por conta do desenvolvimento de bronquiolite, a inflamação dos bronquíolos que afeta principalmente bebês e crianças menores de dois anos e é causada na maioria das vezes pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Por isso, ele orienta que os pequenos devem ficar em casa para serem melhor tratados e, tão importante quanto, evitar contaminar outras crianças.
“Essa é uma época difícil para nossas crianças, por isso venho trazer essa orientação para as mamães, vovós e responsáveis, e também para senhoras diretoras de escolas e creches. Nesse período ocorre muito caso de resfriado, que é secreção nasal, tosse, algo mais simples, e gripe, que dá dor corpo, febre, dor de cabeça, mal estar… e são vírus são diferentes. Mas falamos e preocupamos mais com gripe, porque tem a Influenza, a H1N1 e a H3N3 e outras cepas mais raras, e a do Vírus Sincicial Respiratório, esse que causa maioria das bronquiolites e pneumonia nas crianças, principalmente baixo das crianças de três anos. Então é necessário que se tenha mais cuidado nesse período e evitar que elas vão para a escola. Então pedimos a professoras e diretoras que não permitam que elas participem das atividades, pois as crianças vão contaminar outras crianças, vão abraçar, beijar, brincar, fazer coisa de criança, e o VSR é altamente contaminante. Mamães, papais, não levem as crianças para as escolas e creches”, alertou o médico.
Situação pode se complicar
Amorim alertou ainda que o quadro costuma iniciar como um resfriado comum, evoluindo com chiado no peito, respiração rápida e dificuldade para mamar, passando a seguir para complicações que acabam gerando a necessidade de internação e um tipo de atendimento que não existe no município. “Principalmente para crianças com menos de dois anos é muito grave. A maioria pega bronquiolite e precisa ir para UTI e não temos UTI em Teresópolis, aí ela vai ter que se transferida para outra cidade e é ruim para a criança, para os pais, para todo mundo que vai passar uma situação difícil. Então fazemos esse apelo para que eles não leve e que os professores e diretores tenham esse cuidado”, pontuou o profissional da saúde, citando que nesse período unidades como o Eithel Abdalah, o ‘Tiro D´or’, em São Pedro, e a Beneficência Portuguesa costumam ficar lotados de crianças precisando de internação. “E infelizmente não temos UTI em Teresópolis”, reforçou.

Brasil tem alta de Síndrome Respiratória Aguda Grave em bebês
Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças menores de dois anos estão em alta em todo o Brasil, principalmente por causa do aumento das infecções pelo vírus sincicial respiratório – VSR. O vírus é o principal causador da bronquiolite, inflamação na ramificação dos pulmões que atinge principalmente bebês menores de dois anos. As outras faixas etárias estão estáveis com relação à SSRAG. Nas quatro últimas semanas, 41,5% dos casos de SRAG com diagnostico confirmado para algum vírus foram causados por VSR. Em seguida, vem a Influenza A com 27,2% e o rinovirus com 25,5%. Os dados são do Boletim Infogripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). No final do mês passado, a Organização Panamericana de Saúde alertou para o início da temporada de maior circulação de vírus respiratórios no Hemisfério Sul, com destaque para Influenza A H3N2 e VSR.
Importância da vacinação
A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz alerta sobre a importância da imunização. “A principal forma de prevenção contra agravamentos e óbitos por VSR e influenza A é a vacinação. Por isso, é essencial que as pessoas com maior risco de agravamento por esses vírus se vacinem” A vacina contra a gripe oferecida pelo Sistema Único de Saúde protege contra o tipo A e está sendo aplicada em todo o país, com prioridade para idosos, gestantes, crianças com menos de 6 anos e pessoas com comorbidades ou que fazem partes de grupos vulneráveis, que têm maior propensão a desenvolver quadros graves da doença. Já a vacina contra o VSR é aplicada em gestantes a partir da 28ª semana, com o objetivo de proteger os bebês após o nascimento. Além disso, o SUS disponibiliza um anticorpo monoclonal contra o VSR para bebês prematuros, que têm alto risco de complicações. Ao contrário da vacina, que estimula o corpo a produzir anticorpos contra a doença, esse medicamento é constituído de anticorpos prontos.
CUIDADOS COM O VÍRUS SINCICIAL RESPIRATÓRIO
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é altamente contagioso e principal causa de bronquiolite em bebês. Ele exige atenção redobrada, especialmente em menores de 2 anos, pois pode evoluir rapidamente para dificuldade respiratória grave.
SINTOMAS DE ALERTA
Procure um pronto-socorro imediatamente se a criança apresentar:
- Respiração rápida ou ofegante (costelas afundando ao respirar).
- Lábios ou unhas arroxeadas (cianose).
- Prostração extrema, recusa para mamar ou apatia
- Febre alta persistente
PREVENÇÃO NO DIA A DIA
- Higienização: Lave as mãos com água e sabão frequentemente e use álcool em gel.
- Evite aglomerações: Mantenha os bebês longe de locais fechados ou com muitas pessoas.
- Isolamento: Pessoas com sintomas de resfriado devem ficar longe de recém-nascidos.
- Higiene nasal: Faça lavagem com soro fisiológico nos pequenos para desobstruir as vias aéreas.






