Marcello Medeiros
Inaugurada em 2003, a Calçada da Fama há muito tempo perdeu sua característica principal: a instalação de placas com as assinaturas e marcas das mãos de famosos – inspiração internacional que nunca sequer chegou perto do que se propôs. Porém, o espaço continuou fechado ao acesso de veículos, pelo menos oficialmente, e, hoje, é questionado se deve continuar funcionando dessa maneira. Alia-se a isso os anos de espera por uma grande reformulação e a ideia de liberar novamente o trânsito parece cada vez mais real. Na última sessão ordinária da Câmara Municipal, na terça-feira (08), o assunto voltou à discussão. O vereador Maurício Lopes (Republicanos) frisou a redução no movimento do comércio e a necessidade de readequar a passagem de veículos como foi projetada décadas atrás, pedindo que as organizações de comércio e o governo municipal iniciem debate para uma possível extinção do projeto de ‘calçadão’.

“A gente poderia fazer uma análise, ouvir Aciat, Sincomércio, Fecomércio, comerciantes do local, para saber se melhorou com a Calçada a Fama. No meu ponto de vista, não. Quem é frequentador lembrar de como era o fluxo antes, com o trânsito, e hoje, com muitas lojas fechadas. Parecia que seria bom para o comércio, mas não foi. Logicamente precisamos ouvir quem tem loja ali, mas não tem realmente um grande fluxo há muito tempo. Então a prefeitura tem que ouvir os comerciantes, os empreendedores, as associações, para discutir essa possível reabertura da Rua Francisco Sá, pois ali é uma rua na verdade”, pontuou Lopes.
Maurício frisou ainda que, desde o fechamento da via, o movimento de outra rua na região central aumentou assustadoramente. “A cidade foi desenhada justamente para aquele fluxo, aí quando se fechou a Francisco Sá, o trânsito todo para o Parque Regadas, hoje um grande gargalo e onde se demora muito mais para passar do que em qualquer outro lugar da cidade. Vamos trabalhar junto essa análise, essa possibilidade de reabertura, pois, inclusive, temos condomínios que têm garagens e até hoje ficam carros passando por cima da calçada. Podemos fazer essa experiência e talvez reacender o comércio nessa região de Teresópolis”, frisou o vereador.

Revitalização ficou só na promessa
Em dezembro, a Calçada da Fama completa 23 anos e, entre a realização do projeto e os dias de hoje, muita coisa mudou. E, infelizmente, para pior. Não há mais nenhum resquício de lembranças dos homenageados e a deterioração dos equipamentos ao longo desse trecho da antiga Francisco Sá é outro problema. Hoje, ainda há poluição visual, ampliada pela liberação de questionáveis propagandas, como painéis de LED que tecnicamente não dão nenhum retorno ao local ou ao município, e afundamento em vários trechos da passagem de pedestres. Há previsão de uma grande reforma no calçadão, mas, enquanto ela não vem, segue em decadência um dos ambientes fundamentais para a sobrevivência do já combalido comércio de rua. Em novembro do ano passado, O Diário cobrou do governo municipal um posicionamento sobre a readequação do importante espaço e, apesar da promessa de colocar em prática um projeto de revitalização, absolutamente nada foi feito.

Comerciantes gostaram, mas ideia se perdeu
Com o objetivo de criar um novo atrativo turístico para o município e atendendo a uma antiga reivindicação dos próprios comerciantes, visando atrair mais consumidores ao local, foi inaugurada em 13 de dezembro de 2003 a Calçada da Fama de Teresópolis. O projeto previa fechar a Rua Francisco Sá, no Centro, para a criação de um calçadão onde artistas, atletas e outros famosos deixariam sua marca. Porém, poucas pessoas de destaque registraram a mão e a assinatura no local, placas que acabariam ‘desaparecendo’ poucos anos depois. Dessa forma, sequer o nome do espaço continuaria fazendo sentido. Uma ‘calçada da fama sem famosos’. Mas a ideia de retirar as placas de concreto com as marcas da atriz Fernanda Montenegro, do compositor Carlos Cola, da cantora Fátima Guedes e do Presidente da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, Anísio Abrahão, foi apenas uma das ações de descaracterização do espaço.


As placas com as assinaturas e marcas de mãos dos famosos sumiram. Hoje, de fama só o nome… Foto: Arquivo O Diário
Autor lamenta descaracterização
“Pelo projeto original a Calçada da Fama não seria na Rua Francisco Sá, não tinha essa previsão de fechamento de rua. Quando eu criei o projeto e apresentei para o governo da época, a minha ideia era que fosse feito no Parque Regadas, que já tem uma calçada ali bem construída, uma calçada larga que você poderia sim fazer o projeto de uma Calçada da Fama ali, além da criação de um espaço de lazer e entretenimento com está acontecendo agora com o governo Leonardo Vasconcellos, que é a liberação desse espaço de lazer e entretenimento pra congregar toda família em um complexo que compreenderia Parque Regadas e Praça Olímpica. Mas na ocasião o governo da época preferiu fechar a Rua Francisco Sá e aí a Calçada da Fama foi levada pra lá”, relatou ao Diário no ano passado Alessandro Nogueira, idealizador do projeto apresentado ao governo municipal à época, citando ainda que a ideia ficou bem longe do que foi desenhado inicialmente.







