Marcello Medeiros
Imagine encontrar um celular que custa acima dos R$ 10 mil sendo vendido por 10% desse valor. Logicamente, estamos falando do iPhone, altamente cobiçado pelos fãs de tecnologia e fotografia, entre tantas outras qualidades. Mas, não se iluda que ‘deu a sorte de esbarrar com uma grande promoção’: o preço muito abaixo do praticado no mercado pode esconder um ou mais crimes, envolvendo grandes prejuízos financeiros para terceiros e, pior do que isso, até mortes. E foi isso que aconteceu com 28 pessoas, sendo 10 de Teresópolis, que compraram aparelhos oriundos de furtos em duas lojas do município e terminaram em delegacias de polícia para serem autuadas por receptação, além de perder os aparelhos. Os flagrantes fizeram parte de mais uma etapa da ‘Operação Rastreio’, da Polícia Civil, que em Teresópolis teve o apoio do 30º Batalhão de Polícia Militar para chegar aos autores dos arrombamentos de estabelecimentos no Parque Regadas e Água Quente e também às pessoas que adquiriram os produtos retirados dessas lojas. A operação começou durante a madrugada e foi finalizada na manhã desta quinta-feira (18), com a prisão de mais três envolvidos nos ataques às lojas e a identificação e autuação das quase 30 pessoas que adquiriram os telefones e os habilitaram em seus nomes.
O Diário conversou com o Delegado Marcio Dubugras, Titular da 110ª DP, que além de detalhar a operação falou do ponto mais importante relacionado ao desdobramento dela: a identificação dos receptadores, pessoas que acabam incentivando a criminalidade. “Além de prender os autores dos furtos, estamos buscando intermediário, que distribui os produtos de furto, e chegamos a 28 pessoas que compraram os telefones furtados, todas sendo alvo de mandados de busca e apreensão e passíveis de prisão em flagrante, o que depende do entendimento de cada situação e do delegado responsável pelo caso. Os mandados foram cumpridos em Teresópolis e vários pontos do Rio de Janeiro, da Baixada a Zona Sul. Também temos informação que um dos aparelhos furtados está em uso em uma cidade de Minas Gerais. Importante frisar que adquirir celulares ou qualquer aparelho nessas condições é crime e agora gera prisão de dois a seis anos, com uma mudança recente no Código Penal. Antes, era possível pagar fiança, agora é inafiançável. A ideia foi aumentar a pena justamente para diminuir esse tipo de crime. Se não houver quem compre, não teremos furtos e roubos. E vale frisar também que, no caso de um assalto, o crime pode terminar até em latrocínio, que é o roubo seguido de morte”, pontuou Dubugras.

Mais sobre a operação
As investigações revelaram a atuação de uma quadrilha responsável por uma série de ataques a estabelecimentos comerciais. Segundo os agentes, o grupo utilizava veículos para invadir as lojas durante a madrugada e destruía as fachadas e os acessos para furtar rapidamente grandes quantidades de celulares. A ação criminosa causava prejuízos significativos aos comerciantes.
Ao longo das apurações, os agentes conseguiram identificar não apenas os executores dos furtos, mas também quem sustentava o esquema após os crimes. Foram identificadas 28 pessoas que adquiriram ou receberam os aparelhos de origem ilícita. Esses receptadores também se tornaram alvos da ação. A ofensiva desta quinta mobiliza equipes do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC), Departamento-Geral de Polícia da Baixada (DGPB) e do Departamento-Geral de Polícia do Interior (DGPI). As diligências ocorrem em Realengo, na Zona Oeste do Rio, e em Jacarepaguá e Taquara, na Zona Sudoeste. Além de endereços em Nova Iguaçu, Belford Roxo, São João de Meriti, Nilópolis e Mesquita, na Baixada Fluminense, e em Teresópolis, onde os crimes mais recentes ocorreram.

PCERJ tem combatido esse tipo de crime
A ação faz parte da “Operação Rastreio”, maior iniciativa do estado do Rio de Janeiro para combater toda a cadeia criminosa que envolve a subtração e a receptação de celulares. As ações contínuas já resultaram em mais de 13.300 celulares recuperados, sendo 6 mil aparelhos devolvidos para os legítimos donos. Até o momento, são mais de 900 criminosos presos, entre roubadores, furtadores e receptadores.








