Cadastre-se gratuitamente e leia
O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
em seu dispositivo preferido

Entre o “se” e o ser

Quando nossos olhares se voltam para o que realmente importa, percebemos que nos cansamos com tantas coisas triviais na vida. Tudo passa e, quando passa, não há retorno das oportunidades que se perderam no tempo que denominamos passado. Não há questionamento diante da constatação de que o passado, por si só, tem uma vocação monstruosa de se agigantar sobre a vida. No passado, mora o “eu” preso em um universo de possibilidades. Inúmeras respostas são possíveis perante aquela decisão; porém, apenas uma delas era cabível. E, assim, segue a dúvida: será que decidimos de maneira certa?
Nessa conjuntura de escolhas, percorre o “se”, que, no presente, te convida a constantes processos de ruminação que geram os nocivos ressentimentos. Estes corroem a alma dos indivíduos que, domesticados, permitem ser seus reféns. “Se tivesse mudado de endereço?”, “Se aquele trabalho ao invés deste?”, “Se azul e não preto?”. Logicamente, o “se” nasce quando as consequências não são as esperadas. Nutrimos expectativas a respeito de um cenário; todavia, quando algo não segue o nosso protocolo, o “se” assume o protagonismo em nossa história.
O “eu” do presente se rebela com a condição desse pretérito dominador; tem espasmos, o corpo dá uma resposta contrária àquela condição; entretanto, percebe-se amarrado nas tramas de um déspota que insiste em dirigir a vida do indivíduo. Fome de poder, domínio sobre os corpos, um monarca egocêntrico: assim se apresenta o passado. Ele reina sobre as consciências e exerce tal força sobre elas que as paralisa em histórias que se foram, em possibilidades que se perderam, em cenários dissipados, nas pessoas que partiram. Enquanto a consciência se ocupa do que se foi, a vida passa diante do presente.
O passado se corporifica como uma entidade que quer atenção total, não permite flertes com outros, tem ciúmes e, se provocado, intenta derrubar com os traumas, as culpas e os insucessos acumulados por aquela pessoa que se propõe ser seu oponente. O “eu” presente, às voltas com essa batalha, tem as seguintes possibilidades: ceder às investidas e absorver o peso desse velho ranzinza que não gosta de perder, ou lutar com todas as forças em busca da criança nascida no presente.
Na criança, habita o novo, o encantamento pelo simples, a geração de vida e de valores, já que sua consciência é recente e não tem ocupações indesejadas. Como toda criança que, quando não gosta da presença de alguém, não tem o polimento do adulto politizado, ela diz quem quer e quem não quer por perto. Enquanto o adulto está preso nos grilhões do velho passado, permitindo que qualquer objeto habite seu ser, a criança reconhecida no presente não brinca com quem não lhe agrada.
Assim ela nos ensina que o “se” só vem dominando a cena dos rígidos e vitimizados adultos, pois estes não ouviram a voz que clama na consciência e partiram para o universo das conveniências. Conveniências que podem ser definidas como o ato de alguém que vive para os outros verem, e não para pacificar o “eu” consigo mesmo. Esquece-se que os mesmos olhares que cobram uma decisão específica do seu “eu” não terão um mínimo de misericórdia quando errarmos em algum ponto, mesmo tendo acertado com grande constância nas expectativas alheias.
Pacifique-se com seu “eu” presente e não permita que o velho ditador, o “eu” do passado, absorva sua força para existir. Acredite: há vida em você, uma criança cheia de alegria, inovações e vontade de realizar mundos inimagináveis.

Tiago

Tiago Sant´Ana

Tags

Compartilhe:

Outros Artigos
Teresópolis 03/07/2026
Diário TV Ao Vivo
Mais Lidas

Do sonho do hexa ao sonho da casa própria

Tiago

Entre o “se” e o ser

Julho Chegou… Seu Hotel está preparado para receber pessoas ou apenas hospedar hóspedes?

135 anos de Teresópolis: Desfile de 6 de Julho ocorrerá na Avenida Feliciano Sodré

Prefeitura de Teresópolis e órgãos municipais não abrem nesta segunda-feira

WP Radio
WP Radio
OFFLINE LIVE