Maria Eduarda Maia
A Copa do Mundo da FIFA de 2026 ainda nem chegou ao fim, mas o Brasil já volta as atenções para outro grande evento esportivo. Em 2027, o país será sede, pela primeira vez, da Copa do Mundo Feminina da FIFA, e os reflexos da competição já começam a ser discutidos, sendo um deles na área da educação. Sancionada em junho de 2026, a Lei Geral da Copa do Mundo Feminina de 2027 determina, entre outras medidas, que o recesso de meio de ano das instituições de ensino públicas e privadas coincida com todo o período de realização do torneio, entre os dias 24 de junho e 25 de julho. Com isso, o calendário escolar terá que ser reorganizado, levantando dúvidas sobre como ficará o ano letivo de estudantes, professores e famílias em todo o país. Para entender como esse planejamento está sendo feito em Teresópolis, conversamos com a secretária de Educação, Carla Rabello. “Recebemos essa notícia com surpresa, assim como, imagino, todos os municípios. Mas temos a certeza de que os 200 dias letivos e as 800 horas de aula, garantidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), precisam ser cumpridos. Nenhuma outra lei pode se sobrepor a essa exigência”, explicou, em entrevista ao Diário. Segundo Carla, a necessidade é estudar o calendário de 2027, analisando recessos, feriados nacionais e municipais, articulação que acontecerá nos próximos dias.

Evitar calendários diferentes
Um dos desafios apontados pela secretaria é evitar que professores e estudantes de uma mesma família tenham períodos de férias diferentes, já que muitos alunos têm irmãos matriculados em redes distintas, como municipal, estadual e particular. “O ideal é que consigamos organizar um calendário que contemple todos, inclusive nos períodos de descanso. Nosso objetivo é aguardar as orientações da Secretaria de Estado e da Undime, para que possamos trabalhar de forma integrada e manter a organização da cidade”, pontuou Carla.
Recessos e calendário em análise
Para cumprir as duas determinações – a Lei da Copa e a legislação educacional – algumas mudanças no calendário estão sendo estudadas. Entre as possibilidades está a revisão de alguns recessos já previstos ao longo do ano. A secretária citou, por exemplo, a possibilidade de analisar períodos como a semana do Carnaval e outros ajustes no calendário, mas reforçou que nenhuma decisão foi tomada até o momento. “Tudo ainda são possibilidades. A decisão é muito recente e ainda estamos aguardando novas orientações. Não adianta tomar decisões precipitadas, porque isso pode gerar erros”, declarou, frisando que nenhum direito será prejudicado, nem dos alunos, nem dos profissionais da educação.

Férias dos professores mantidas
Uma das principais dúvidas envolve as férias dos profissionais da educação. De acordo com a Secretaria, o período de descanso dos professores em janeiro será mantido. “Essas férias fazem parte dos direitos dos profissionais, que já se organizam para esse período, seja para descansar, viajar ou passar mais tempo com a família”, esclareceu. A secretária destacou que qualquer alteração será feita respeitando os direitos da categoria e que o calendário definitivo será divulgado com antecedência para que professores, alunos e responsáveis possam se organizar.
Orientações
Enquanto o calendário de 2027 não é finalizado, a orientação da Secretaria é que as famílias aguardem as definições oficiais e não façam planejamentos baseados em datas ainda não confirmadas. “A principal orientação é que todos fiquem tranquilos. Nossa maior preocupação é garantir o cumprimento dos 200 dias letivos e preservar a qualidade do ensino. Quando pensamos em férias em janeiro e também em junho, é natural surgir a preocupação sobre como ficará a quantidade de dias de aula. Mas tudo isso será preservado.”, afirmou Carla Rabello.
A pasta afirma que a prioridade é conciliar as exigências da Lei da Copa com a legislação educacional, garantindo a manutenção da carga horária e dos dias letivos. “Na prática, estamos falando de apenas 15 dias de ajuste, porque outros 15 dias de recesso já fazem parte do calendário escolar. Esses outros 15 dias é que precisarão ser distribuídos ao longo do ano para atender tanto à LDB quanto à Lei da Copa.”, finalizou a secretária municipal.







