Maria Eduarda Maia
O número de casos do chamado golpe do falso advogado tem preocupado autoridades e representantes da advocacia em todo o estado. Com o avanço da tecnologia, as formas de atuação dos criminosos se tornaram ainda mais sofisticadas, incluindo o uso de inteligência artificial (IA) para simular a voz de advogados e tornar a fraude mais convincente para as vítimas. Segundo dados da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), desde o ano passado já foram registradas 2.106 denúncias desse tipo de golpe. Diante do aumento dos casos, a Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, neste mês, a Operação Fake Lawyer, voltada ao combate de grupos criminosos especializados em se passar, de forma fraudulenta, por profissionais da advocacia para lesar a população. As investigações tiveram início após uma vítima denunciar que foi induzida a acreditar que havia obtido êxito em um processo judicial. Para receber os valores supostamente devidos, ela foi orientada a realizar transferências bancárias. Convencida pelos criminosos, acabou sofrendo um prejuízo de aproximadamente R$ 65 mil.
A presidente da OAB-RJ, Ana Tereza Basilio, destacou a importância da operação e reforçou a necessidade de atenção por parte da população. “Desde o ano passado, já recebemos 2.106 denúncias sobre esse tipo de golpe. É muito importante que as pessoas desconfiem de pedidos de pagamentos ou de transferências via Pix relacionadas a algum processo na Justiça. Procure sempre o seu advogado para checar a veracidade das informações”, orientou.

Golpistas mudam estratégias
Segundo o presidente da 13ª Subseção da OAB, em Teresópolis, Édio de Paula, os criminosos têm alterado constantemente a forma de atuação, o que mantém elevado o número de vítimas no município. “Os golpistas têm se aperfeiçoado cada vez mais, inclusive tendo acesso a algumas partes de processos reais para buscar validar esses golpes. Em Teresópolis, onde as distâncias são curtas, sempre indicamos que a pessoa, caso receba uma comunicação de um suposto advogado, vá diretamente ao escritório confirmar antes de fazer qualquer transferência”, afirmou, em entrevista recente ao Diário.
De acordo com ele, os criminosos se aproveitam da facilidade de acesso aos processos eletrônicos para coletar informações das vítimas. Eles conseguem visualizar dados pessoais, valores das ações e detalhes processuais que tornam a fraude muito mais convincente. “Eles acessam processos eletrônicos, principalmente os processos públicos. Em alguns casos, utilizam até o token, que é uma ferramenta usada por advogados, peritos e operadores do Direito. Houve situações em que conseguiram hackear esses dispositivos e entrar nos processos”, relatou.


Até os aplicativos de banco têm alertado os clientes sobre o golpe do falso advogado. Foto: O Diário de Teresópolis
Inteligência artificial ajuda nas fraudes
Com essas informações em mãos, os golpistas entram em contato com os clientes se passando pelos advogados responsáveis pelas ações. Em muitos casos, utilizam fotos dos profissionais, linguagem jurídica e dados reais dos processos para conquistar a confiança da vítima. A sofisticação das fraudes também tem chamado a atenção pelo uso de inteligência artificial. Um caso recente registrado em Teresópolis evidencia essa nova modalidade. Um cliente que possui um processo contra uma plataforma de reservas de hotéis recebeu mensagens do suposto advogado informando que havia vencido a ação. Além de apresentar detalhes do processo, incluindo a realização de uma audiência e um suposto acordo favorável, os criminosos enviaram um áudio produzido por inteligência artificial, simulando a voz do advogado responsável pelo caso para explicar o resultado da ação e orientar sobre os procedimentos para a liberação dos valores. Segundo a OAB, esse tipo de recurso torna a fraude ainda mais difícil de ser identificada, reforçando a importância de confirmar qualquer informação diretamente com o advogado, utilizando canais oficiais de contato.
Processos existem de verdade
Os criminosos utilizam informações públicas de processos judiciais para se passar pelo advogado da vítima ou até mesmo por representantes do Poder Judiciário. O contato geralmente é feito por WhatsApp, utilizando foto e nome do profissional, para solicitar pagamentos sob o argumento de liberar valores de ações judiciais.
Como os golpistas agem
- Usam informações reais do processo para se passar pelo advogado.
- Alegam que a ação foi ganha e exigem um pagamento via Pix para liberar o valor.
- Criam urgência e podem enviar links falsos ou propor acordos fraudulentos.
Como se proteger
- Desconfie de pedidos de pagamento relacionados ao processo.
- Confirme sempre a informação diretamente com seu advogado.
- Não clique em links suspeitos e consulte os canais oficiais da OAB ou do tribunal.
informações sobre o processo e sobre o profissional responsável.
Importante: Advogados e tribunais não solicitam pagamentos antecipados por Pix para liberar alvarás, sentenças ou valores de ações judiciais.





