No último dia do mês de julho, fechando com chave de ouro a programação de aniversário do município, o teatro da Casa de Cultura Adolpho Bloch será palco da cerimônia de posse da acadêmica Rozelene Furtado, presidente da Academia Teresopolitana de Letras no biênio 2026-2028, com entrega dos prêmios do I Concurso de Minicontos e sarau poético em homenagem ao poeta e escritor João Oscar, que presidiu a ATL entre 1980 e 1981.
O evento que marca os 20 anos da morte de João Oscar começa às 16h, na rua da Paineira, que se chama agora “Rua Professor João Oscar do Amaral Pinto”, quando os familiares e amigos que o saudoso escritor angariou em São João da Barra vêm a Teresópolis em comitiva para assistir a homenagem da municipalidade com o descerramento da placa informativa do logradouro, com a presença de representantes da Câmara Municipal e autoridades da cidade aonde João Oscar foi morar em 1991, vivendo lá até 2006, enquanto escreveu outros livros e foi secretário de Educação e Cultura.
Ao fim da solenidade da ATL, o secretário de Cultura Wanderley Peres lança o livro “História Documental de Teresópolis”, obra do saudoso professor que está sendo publicada em sua homenagem e está inédita desde 1991. “O livro será a cereja do bolo, o mimo que faltava ao escritor, porque não há presente maior para um pesquisador que ter publicada a sua pesquisa, ainda mais pela importância dos reveladores textos”, disse Wanderley Peres, que via como uma falta de respeito do município à memória do pesquisador a indisponibilidade do seu trabalho, escondendo-se informações preciosas dos olhos daqueles que se interessam pela memória municipal.
Apresentando João Oscar nas orelhas do livro o acadêmico Paulo Paranhos lembrou que falar da sua trajetória intelectual é tarefa simples, haja vista que o acompanhou, desde que o conheceu pessoalmente em Teresópolis no ano de 1987 (inda que já houvesse visto sua participação no programa J. Silvestre, respondendo sobre a figura do Tiradentes).
“A produção de seus trabalhos, a dedicação com que se empenhava na pesquisa deste ou daquele tema, com grande intensidade para as histórias de Teresópolis e de São João da Barra, sua terra natal… João Oscar foi um grande mestre, um mestre na arte de escrever, na arte de educar, mas, sobretudo, na arte da convivência fraterna, pacífica e amiga. Seu legado pode ser visto até hoje: na Academia, na FESO, na Justiça, nos livros que deixou, e este, com toda certeza, será um daqueles que poderemos dizer – perdoem a licença poética – um verdadeiro primus inter pares!”.
Autor de vários livros e pesquisas essenciais para a memória local, desvendando nos porões dos arquivos e museus preciosas informações sobre a história de Teresópolis, João Oscar foi também professor universitário, advogado, tabelião e membro-presidente da nossa Academia Teresopolitana de Letras, ocupante desde 1969 da Cadeira 30, patronímica do poeta Olavo Bilac. Membro de vários institutos culturais, secretário de Educação e Cultura de São João da Barra, foi casado com Cecília, pais dos amigos André Pinto e Luiz Alberto; os avós de Lucas, Eloína, Eloísa e Stéphanye; e bisavós de Theo, Mariáh, Ravi e Micael.
Falecido em 2006, João Oscar nasceu no dia 6 de abril de 1939 e deixou 14 livros publicados, entre eles “Novos Poetas” (1962), “E os pássaros voaram” (1973), “Subsídios para a História de Teresópolis” (1975), “Escravidão e Engenhos” (1985), “Kurukango Rei” (1988) e “História de Teresópolis: Síntese Cronológica” (1991).
Passados vinte anos de sua morte, a pedido do vereador André do Gás, foi dado ao ilustre escritor o nome de um logradouro público em Teresópolis, a rua da Paineira, que agora se chama “Rua Professor João Oscar do Amaral Pinto”. E numa cidade distante, que foi a outra paixão sua, São João da Barra, no Norte Fluminense, esta rendeu-lhe merecidas homenagens, tempos atrás, tornando-o nome de um dos seus mais belos e importantes prédios históricos, a Cadeia Pública de 1797, casarão que se transformou em magnífica casa de cultura, e onde está guardada a memória daquela localidade. No município para onde se mudou em 1991, e lá teve nova jornada de grande atividade cultural, vereadores aprovaram ainda a criação da Medalha João Oscar do Amaral Pinto, prêmio anual concedido às pessoas que se destacam nas iniciativas em prol da cidade.







