O golpe do falso advogado fez mais uma vítima em Teresópolis e, desta vez, provocou um prejuízo superior a R$ 154 mil. A fraude foi aplicada por meio de ligações telefônicas e envolveu criminosos que se passaram por profissionais ligados à Justiça.
O caso foi registrado na 110ªDP. Segundo o relato da vítima, ela recebeu uma ligação de uma mulher que se apresentou como assessora de sua advogada. A suposta funcionária informou que a vítima havia ganhado uma ação judicial e que um juiz entraria em contato para explicar os procedimentos necessários para o recebimento do dinheiro.
Poucos minutos depois, um homem telefonou e se apresentou como o suposto juiz responsável pelo processo. Durante a conversa, ele teria solicitado que a vítima participasse de uma chamada de vídeo para receber orientações.
Convencida de que estava tratando com profissionais envolvidos no processo judicial, a vítima realizou diversas transferências bancárias para contas indicadas pelos criminosos. As operações envolveram contas do Nubank e da Caixa Econômica Federal e, ao final, o valor transferido ultrapassava R$ 154 mil.
Desconfiança veio depois das transferências
A vítima só desconfiou que poderia estar sendo enganada após realizar todas as operações. Ela entrou em contato diretamente com sua verdadeira advogada e descobriu que nem a profissional nem sua assessora haviam feito qualquer contato. Foi então que percebeu ter sido vítima do chamado golpe do falso advogado.
O caso chama atenção pelo nível de convencimento utilizado pelos criminosos. Diferentemente de abordagens mais simples, a fraude envolveu personagens diferentes, informação sobre uma suposta ação judicial e até uma chamada de vídeo para dar aparência de legitimidade ao contato.
Golpe já fez outras vítimas na cidade
O caso mais recente se soma a uma série de ocorrências semelhantes registradas em Teresópolis. Em julho de 2025, O Diário já havia mostrado que cerca de 30 denúncias relacionadas ao golpe haviam sido registradas na delegacia da cidade em apenas um mês, segundo informações apresentadas pela OAB Teresópolis.
Em outro caso, uma moradora perdeu mais de R$ 10 mil depois de receber uma ligação sobre uma suposta indenização judicial. Os criminosos disseram que seria necessário realizar uma validação no aplicativo bancário para liberar os valores. Depois do procedimento, foram identificadas cinco compras no cartão de crédito da vítima, totalizando R$ 10.527,21.
Mais recentemente, em maio deste ano, o Diário voltou a alertar para o crescimento das ocorrências. Segundo o presidente da 13ª Subseção da OAB em Teresópolis, Édio de Paula, os criminosos vêm modificando constantemente a forma de abordagem, mantendo elevado o número de vítimas.
De acordo com a OAB, os golpistas podem utilizar informações verdadeiras de processos judiciais, como nomes das partes, valores e detalhes do andamento das ações, para tornar a abordagem mais convincente.

OAB alerta para sofisticação dos criminosos
A preocupação também é registrada pela OAB-RJ. Segundo a entidade, 1.976 denúncias relacionadas ao golpe do falso advogado foram recebidas pela Corregedoria entre janeiro de 2025 e 9 de junho de 2026.
A presidente da OAB-RJ, Ana Tereza Basilio, alerta que os criminosos têm utilizado recursos cada vez mais sofisticados, inclusive ferramentas de inteligência artificial para copiar imagens e vozes de profissionais.
A orientação da entidade é para que ninguém faça pagamentos ou transferências solicitados por mensagens, ligações ou aplicativos sem antes confirmar diretamente com o advogado responsável pelo processo.
A própria OAB-RJ destaca que os criminosos podem acessar informações públicas dos processos nos sites dos tribunais, descobrir o andamento da ação e, a partir desses dados, entrar em contato com as vítimas se passando pelo advogado.
TJRJ restringiu acesso a informações
Diante do avanço das fraudes, a OAB-RJ também solicitou mudanças nos sistemas do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Em fevereiro deste ano, o TJRJ promoveu alterações nos sistemas PJe e de Consulta Processual, restringindo filtros de busca pública considerados excessivamente amplos e que poderiam ser explorados pelos criminosos.
A OAB-RJ também criou uma Comissão Especial de Combate ao Golpe do Falso Advogado e mantém ações de orientação para advogados e clientes.
Como funciona o golpe
Em geral, os criminosos levantam informações sobre processos judiciais e utilizam o nome, a fotografia e até documentos relacionados ao advogado verdadeiro.
Depois, entram em contato com a vítima por telefone, WhatsApp ou outros aplicativos e apresentam uma falsa notícia de vitória na Justiça. Em seguida, alegam que é necessário pagar alguma taxa, imposto, despesa ou realizar uma transferência para liberar o dinheiro.
Em alguns casos, como no registrado agora em Teresópolis, os criminosos criam uma verdadeira encenação, envolvendo diferentes pessoas que se apresentam como integrantes do Judiciário ou da equipe jurídica.
Como se proteger
A orientação é simples: não faça nenhuma transferência antes de confirmar diretamente com seu advogado.
Se receber uma ligação ou mensagem informando que ganhou uma ação judicial e que precisa pagar alguma quantia para liberar o dinheiro, desligue e procure o profissional utilizando um número de telefone que você já conheça.
Também é possível verificar a identidade de um advogado por meio da plataforma ConfirmADV, criada pela OAB Nacional. A ferramenta permite consultar a identidade profissional a partir do número de inscrição na Ordem. Desde o lançamento, em 2025, a plataforma já registrou mais de 32 mil solicitações de verificação.
A OAB Teresópolis também orienta que possíveis vítimas registrem ocorrência e comuniquem o caso à entidade. A denúncia ajuda a identificar os métodos utilizados pelos criminosos e permite o cruzamento de informações sobre novas tentativas de fraude.
Desconfie principalmente de pedidos urgentes de dinheiro, transferências para contas de terceiros e cobranças apresentadas como condição para receber valores de processos judiciais. Se houver dúvida, não transfira. Confirme primeiro com seu advogado.





