Luiz Bandeira
A busca por pessoas desaparecidas ganhou um reforço nesta semana com a quarta Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas. A ação começou na segunda (24) e segue até sexta-feira (28), com 342 postos de coleta espalhados pelos estados e pelo Distrito Federal. Em Teresópolis, o Posto Regional de Polícia Técnico-Científica (PRPTC), instalado na antiga sede da 110ª DP, participa da importante mobilização.
Para Gilbert Braga, morador de Teresópolis, a campanha representa uma nova possibilidade de encontrar respostas sobre o paradeiro do filho, desaparecido há oito anos. Ele esteve no PRPTC para fornecer material genético e contribuir com o banco nacional. “Eu tenho um filho desaparecido há oito anos e, quando fiquei sabendo, achei de extrema importância participar da campanha”, contou.

Segundo Gilbert, o último contato com o filho aconteceu em 2018 e, desde então, a família não recebeu informações sobre seu paradeiro. Agora, ele espera que o material fornecido possa ajudar a esclarecer o caso. “A expectativa é de saber onde anda, o resultado, alguma coisa. Eu acho de extrema importância”, afirmou.
A coleta de DNA dos familiares é uma das ferramentas utilizadas para tentar identificar pessoas desaparecidas. O material genético pode ser comparado com perfis de pessoas encontradas, vivas ou mortas, que ainda não tiveram a identidade confirmada. Como os dados são inseridos em um banco nacional, o confronto pode ocorrer mesmo quando a pessoa desaparecida foi localizada em outro estado.
De acordo com Luiz Augustus, coordenador regional da Polícia Técnico-Científica, a integração dos bancos de dados é fundamental para ampliar as chances de identificação. “Esse é um banco nacional, não só regional”, explicou. Segundo ele, pode acontecer de uma pessoa desaparecer em uma região e ser encontrada em outro estado, onde a perícia realiza a coleta do material genético.
Nesses casos, o DNA fornecido pelos familiares pode ser comparado com o perfil da pessoa encontrada. “Nós vamos pegar o DNA desse parente, vamos jogar no banco nacional de DNA e, se houver alguma pessoa que foi encontrada, infelizmente sem vida, mas em outro estado ou até mesmo no nosso estado, em outra região, esse confronto vai ser positivo”, explicou Luiz.

Além de ajudar as famílias a descobrir o paradeiro de um ente querido, a identificação também pode contribuir para o encerramento de investigações. Segundo o coordenador, todo registro de desaparecimento permanece em aberto até que a pessoa seja localizada. “Além de devolver essa pessoa pra família, de encerrar essa história, nós temos também o encerramento de uma investigação”, destacou.
Procedimento simples e indolor
O procedimento de coleta é rápido, gratuito e não envolve retirada de sangue. Segundo o perito legista Hélio de Castro Júnior, lotado no PRPTC de Teresópolis, o material é recolhido com um cotonete na parte interna da boca. “É uma coleta simples. Ela não é invasiva, não há punção, não há coleta de sangue”, explicou o perito. O material coletado é encaminhado para análise e posteriormente inserido no Banco Nacional de Perfis Genéticos.
A iniciativa faz parte da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, regulamentada em 2021 com a criação do Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas. A proposta é integrar informações e ações dos órgãos responsáveis pelas buscas, aumentando as possibilidades de localização e identificação.

Coleta também para familiares de outras cidades
Na Região Serrana, além de Teresópolis, o PRPTC de Petrópolis também participa da mobilização. A coleta pode ser realizada por familiares de pessoas desaparecidas de outros municípios e até de outros estados, desde que exista registro do desaparecimento em uma delegacia.
De acordo com Luiz Augustus, até mesmo pessoas que estejam temporariamente na região podem procurar um dos postos. “Nós vamos coletar e vamos alimentar o Banco Nacional”, reforçou.
Embora a mobilização nacional termine nesta sexta-feira (28), o trabalho de coleta não se encerra com a campanha. Segundo a Polícia Técnico-Científica, familiares de pessoas desaparecidas podem fornecer material genético durante todo o ano.
Em Teresópolis, o atendimento é realizado no Posto Regional de Polícia Técnico-Científica (PRPTC), na Avenida Alberto Torres, 531, no bairro do Alto, na antiga delegacia. Para fazer a coleta, é necessário apresentar um documento de identificação e as informações do Boletim de Ocorrência do desaparecimento, como número, estado e delegacia onde o registro foi feito. A cópia do BO é recomendada, mas não obrigatória.
A orientação é que a coleta seja feita, preferencialmente, por familiares de primeiro grau, como pais, filhos ou irmãos biológicos. Caso isso não seja possível, outros parentes também podem ser considerados. Crianças podem fornecer material genético, desde que acompanhadas pelo responsável legal. Quem já realizou a coleta anteriormente não precisa repetir o procedimento.
Para famílias como a de Gilbert, a iniciativa representa mais uma oportunidade de transformar anos de espera em alguma resposta. Após oito anos sem notícias do filho, ele decidiu fazer a sua parte. “Se alguém tiver algum desaparecido, tiver dúvidas, procure a delegacia mais próxima”, orientou.




