Maria Eduarda Maia
O diagnóstico de uma doença crônica pode trazer medo, dúvidas e incertezas, principalmente quando ainda existe pouco conhecimento sobre a condição. No dia 30 de agosto, o Brasil reforça a conscientização sobre a Esclerose Múltipla, doença neurológica que pode se manifestar de formas diferentes em cada paciente. A data também encerra o Agosto Laranja, campanha que busca ampliar a informação sobre a doença e destacar a importância do diagnóstico e do tratamento. Bruna Freitas, paciente de Teresópolis, conhece de perto essa realidade. Diagnosticada com Esclerose Múltipla e uma das embaixadoras do Agosto Laranja no Brasil, ela descobriu a doença depois de perder repentinamente a visão do olho direito. “Eu tive uma neurite óptica que, de um dia para o outro, eu perdi completamente a visão do meu olho direito”, conta, em entrevista ao Diário.
Bruna precisou ser internada e passou por tratamento. Depois, vieram novas investigações até que, em outubro do ano passado, recebeu o diagnóstico. “Foi um susto muito grande, porque eu não esperava, eu não sabia, assim como muitas pessoas não conhecem a doença”, relata. O medo aumentou porque Bruna conhecia uma pessoa com Esclerose Múltipla que havia enfrentado dificuldades de mobilidade. “Meu maior medo realmente era que, além da visão, eu tivesse algum tipo de sintoma ou algo que afetasse a minha mobilidade”, afirma. Com a busca por informação, porém, ela descobriu que a doença pode se apresentar de maneiras muito diferentes.

Informação contra o preconceito
A Esclerose Múltipla afeta o sistema nervoso central e pode provocar sintomas como alterações na visão, formigamentos, perda de sensibilidade, fraqueza e problemas de equilíbrio. Nem todos os sintomas são visíveis, e a intensidade também varia de pessoa para pessoa. Para Bruna, a falta de conhecimento ainda alimenta o preconceito. “Existe muito preconceito com a esclerose múltipla, as pessoas não entendem muito. Às vezes elas confundem muito a esclerose múltipla com a ELA”, diz.
Por isso, alterações neurológicas persistentes ou recorrentes devem ser investigadas. Os sintomas não significam necessariamente Esclerose Múltipla, mas precisam de avaliação médica. “Se você, por exemplo, tem um formigamento ou um problema na visão, procure logo orientação médica, porque pode ser que não seja a esclerose múltipla, pode ser que sejam outros sintomas de outras doenças, mas precisa ser investigado”, orienta.
Diagnóstico e tratamento
Para Bruna, o diagnóstico permitiu iniciar o tratamento adequado. Hoje, ela faz acompanhamento e utiliza medicamento imunossupressor. Desde o início do tratamento, afirma que não teve novos surtos. “Minha visão voltou completamente. Hoje eu faço um tratamento com imunossupressor, onde eu não tive mais nenhum tipo de surto. Eu sigo minha vida normal, treino, trabalho, diversas atividades que não afetaram”, conta. Ela também destaca que pacientes sem plano de saúde podem buscar tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com os protocolos da rede pública.
O tratamento é individualizado e deve ser acompanhado por profissionais de saúde. A identificação da doença permite que o paciente tenha acesso ao acompanhamento e às opções terapêuticas adequadas para cada caso.

Conscientização durante todo o ano
Durante o Agosto Laranja, ações presenciais, lives e conteúdos nas redes sociais ajudam a levar informação à população. Neste ano, o slogan da campanha é “Juntos cuidamos melhor”, reforçando que o cuidado envolve pacientes, familiares, profissionais de saúde e toda a sociedade. Para Bruna, a conscientização precisa continuar mesmo depois do fim do mês. “Eu acho que a gente precisa mesmo procurar informações corretas, procurem perfis de médicos, realmente pessoas que te deem informações sobre a esclerose múltipla”, aconselha.
Para quem acabou de receber o diagnóstico, ela deixa uma mensagem de esperança: “Eu sei que vai ter o medo, mas você pode ter certeza, vai passar. A gente, com informação, com diagnóstico certo, você vai superar todo esse desafio.”, declarou.




