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O DIÁRIO DE TERESÓPOLIS
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Empresa de Teresópolis ajuda a importar carros para o Brasil, dos esportivos aos clássicos

CEO da Port Trade Group, Eudes Silveira explica como são calculados os custos de uma importação e revela detalhes do mercado de carros antigos e de coleção

Isla Gomes

Importar um carro para o Brasil envolve muito mais do que pagar o preço do veículo no exterior. Frete, seguro, transporte interno, preparação da carga, impostos e custos de desembaraço fazem parte da conta e podem elevar significativamente o valor final da operação. Segundo Eudes Silveira, CEO da Port Trade Group, o primeiro passo é entender como o preço do veículo é formado para fins de importação. “A importação de um carro, embora pareça um pouco complicada, quando bem feita e bem orientada, costuma trazer bons resultados para quem está fazendo. O carro, quando chega ao Brasil, não é diferente de qualquer outro produto. Inicialmente, temos o custo FOB, que é o custo real do produto, da mercadoria”, pontua o CEO, informando ainda que depois do valor do veículo são acrescentados o seguro e o frete internacional, formando o chamado custo CIF: “Em cima do custo FOB é somado o seguro e também o frete. Então você tem o custo FOB, o seguro e o frete. Logo, chega ao custo CIF. É em cima desse custo que, quando o veículo chega ao Brasil, são calculados os impostos”.
A conta, entretanto, não termina aí. Existem outras despesas relacionadas à logística do automóvel antes mesmo do embarque. “Temos o transporte da concessionária onde o carro foi comprado, nos Estados Unidos, por exemplo, até o nosso depósito. Temos também o custo de peação, que é uma forma de amarração do carro dentro do contêiner, e depois o frete. Tudo isso precisa ser considerado na operação.”, afirma.

“A importação de um carro, embora pareça um pouco complicada, quando bem feita e bem orientada, costuma trazer bons resultados para quem está fazendo.”, destaca o CEO da Port Trade Group, Eudes Silveira. Foto: Isla Gomes/O Diário

Impostos e planejamento
Eudes afirma ainda que a carga tributária pode representar uma parcela expressiva do valor do automóvel. “Hoje, a média tributária de impostos de um carro está na ordem de 85% do valor do carro.” O percentual, porém, varia de acordo com as características de cada operação, já que a tributação depende da classificação fiscal e de outros fatores. Para o executivo, outro ponto fundamental é a situação financeira e documental do importador, principalmente quando a operação é realizada por pessoa física. “Como o processo de liberação é um pouco demorado e passa por uma análise mais criteriosa da Receita, quem importa o carro em seu nome, como pessoa física, precisa ter na sua declaração de Imposto de Renda o lastro financeiro para aquela importação”.
Segundo ele, uma operação incompatível com a capacidade financeira declarada pode gerar problemas e atrasos: “Uma pessoa que não declara um Imposto de Renda compatível com o valor do carro que está importando certamente pode ter problemas e o carro pode ficar retido pela Receita. Por isso, tudo precisa estar minuciosamente em ordem”.

Para o executivo, outro ponto fundamental é a situação financeira e documental do importador, principalmente quando a operação é realizada por pessoa física. Foto: O Diário

Análise criteriosa
A escolha do local de chegada do veículo também faz parte do planejamento. “Antes da importação é necessária uma análise criteriosa, inclusive para definir o local mais acessível para a chegada do carro, onde a alfândega tenha conseguido realizar as liberações em menor tempo e onde a armazenagem tenha um preço melhor. Tudo isso é analisado para que possamos trazer os carros com segurança.”, reforça o profissional.
A Port Trade Group, segundo Silveira, atua justamente nesse processo. Ele cita a experiência da empresa com veículos de alto valor. “A Port Trade tem trazido Ferrari, Lamborghini. Uma das únicas Huracán vermelhas que transitava pelo Rio de Janeiro, por exemplo, foi fruto de um trabalho da Port Trade. Hoje temos essa expertise e temos entregado bons resultados para quem quer comprar carro zero no exterior.”, pontua.

Além de carros, a Port Trade Group também trabalha com importação no setor de motos. Foto: O Diário

Mercado de carros antigos
Além dos veículos novos, existe um mercado específico para a importação de carros antigos e clássicos. Nesse caso, porém, há regras próprias. “O carro antigo tem alguns detalhes diferentes. O primeiro é que ele tem que ter no mínimo 30 anos de uso. Ele não pode ser mais novo do que isso.” Outra exigência destacada pelo executivo é a participação em uma entidade de colecionadores. “Só pode comprar o carro usado, o carro antigo, alguém que esteja afiliado a um clube de colecionadores de veículos. Esse clube vai avaliar o carro para poder dar o OK para a compra e, depois, passar pelo processo da Receita Federal.” A legislação brasileira prevê condições específicas para veículos antigos destinados à coleção, incluindo a exigência de mais de 30 anos e documentação que comprove sua condição de veículo de coleção. O governo também exige certificado de originalidade e comprovação de vínculo com clube ou associação de colecionadores em determinadas etapas do processo. Segundo Silveira, apesar das diferenças documentais, a tributação segue parâmetros semelhantes. “Não há diferença tributária entre o carro novo e o carro usado. A tributação vai seguir o mesmo parâmetro. O processo de importação também segue o mesmo parâmetro, com a única observância da necessidade de quem está trazendo o carro usado ser filiado a um clube de colecionadores de veículos no Brasil.”, explica Eudes.

Importar um carro para o Brasil envolve muito mais do que pagar o preço do veículo no exterior. Frete, seguro, transporte interno, preparação da carga, impostos e custos de desembaraço fazem parte da conta e podem elevar significativamente o valor final da operação. Foto: Isla Gomes/O Diário

Picapes e caminhões históricos
O executivo afirma que o segmento de veículos antigos possui demanda e cita exemplos de modelos procurados por colecionadores: “É um mercado recorrente. Tenho hoje um cliente de Goiás que está se especializando em picapes antigas, grandes picapes antigas, como F-350, F-1000 e Silverado da década de 70.” A empresa também analisa uma operação envolvendo veículos históricos de grande porte: “Estamos fazendo uma análise para trazer oito caminhões da Segunda Guerra Mundial para o Brasil. É um mercado que existe, mas demanda um pouco mais de cuidado e atenção”.
Para Silveira, justamente por envolver muitas etapas, a importação exige planejamento antes da compra. “A princípio parece muito burocrático, são muitas etapas. É como olhar para um monte de fios e pensar: vermelho ou azul, qual fio cortar? A Port Trade está aqui justamente para evitar que uma bomba de importação exploda no colo do cliente. Nós fazemos todo o processo e, na hora certa, sabemos qual é o fio correto a ser cortado.” No caso dos carros antigos e clássicos, ele afirma que o trabalho adicional pode compensar para quem atua nesse nicho. “É um mercado que existe e demanda mais cuidado e atenção. E, segundo aqueles que fazem esse trabalho, a margem lucrativa é excelente. Por isso eles se submetem a todo esse trabalho para trazer esse tipo de carro para o Brasil.”, finaliza.


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